Início » Brasil » Os gigantes da medicina diagnóstica
EXAMES CLÍNICOS

Os gigantes da medicina diagnóstica

Conheça dois laboratórios responsáveis por grande parte dos exames diagnósticos feitos nas principais clínicas particulares do país

Os gigantes da medicina diagnóstica
A Dasa, empresa líder do setor na América Latina, representa 12% dos exames feitos no Brasil (Foto: Wikipédia)

Nos últimos anos, o setor de medicina diagnóstica no Brasil tem sido palco de aquisições agressivas, lideradas pelos gigantes Diagnósticos da América (Dasa) e Grupo Fleury. Entre 2002 e 2012, os dois grupos compraram nada menos que 40 empresas de análises clínicas. No caso da Dasa, a empresa mantém o nome das clínicas que adquire, omitindo a sua identidade corporativa, de modo que a maioria da sua clientela desconhece a responsabilidade da empresa. Como controlar a qualidade desses laboratórios gigantes, responsáveis por boa parcela dos resultados de exames feitos no país?

Vários fatores são capazes de alterar o resultado de um exame, desde erros na calibração de equipamentos, validade vencida de reagentes, temperatura elevada no laboratório ou nos equipamentos. Em decorrência desses erros, pacientes acabam recebendo procedimentos invasivos, desnecessários e caros.

As gigantes seguem uma estratégia de redução de custos por meio da produção em grande escala e a oferta de produtos diferenciados para pacientes de classes sociais diferentes. São verdadeiras multimarcas, como alguns supermercados. O Fleury foi o primeiro laboratório a usar código de barras em tubos de exames.

A Dasa é o maior grupo de medicina diagnóstica da América Latina. No Brasil, representa 12% do mercado. Está em 13 estados brasileiros e no DF, com mais de 500 unidades representadas por pelo menos 20 marcas distintas. Suas principais bandeiras são a Delboni e Lavoisier em São Paulo, a Sérgio Franco e CPDI no Rio de Janeiro, a Frischmann Aisengart em Curitiba, a Cerpe em Recife e a Exame no Distrito Federal.

Já o Fleury comprou o laboratório Labs D’Or em 2011, que fortaleceu a presença do grupo no Rio de Janeiro e consolidou sua atuação em 21 hospitais da rede D’Or em diversos estados. O grupo também controla as marcas, A+,  Papaiz, Felippe Mattoso, no Rio, e Weinmann, no sul do país. O grupo abriu seu capital em 2009 e tem cerca de 200 unidades, além de trabalhar junto a 20 hospitais.

Para muitas empresas familiares que não querem abrir mão de seus negócios, o assédio dos grandes grupos é um grande desafio. Em geral, as empresas de menor porte tem uma rede de unidades restrita e muitas não conseguem rivalizar com essas gigantes.

 

 

 

Fontes:
Veja - A máquina bilionária de exames chamada Dasa
Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba - O segmento da medicina diagnóstica no Brasil

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

2 Opiniões

  1. Jayme Mello disse:

    Irreversivelmente, esta é a indelével marca da mercantilização da medicina no Brasil. E, essa grave constatação, que furtivamente, agora, começa a ser noticiado aqui e ali, tem o seu nascedouro, no equivocado desmonte dos (precários) serviços públicos de saúde, nos idos da incrementada “livre iniciativa empresarial”, no afã substituí-los, pela terceirização dos serviços de saúde, através dos planos de prestação desses serviços.

    Filosoficamente falando, até, com o intuito de atenuar o desvelo praticado à época, em favor da iniciativa privada, em sã consciência, contudo, não se pode afirmar que o autor ou autores da “insensatez” praticada, estava, ou estavam “entre a cruz e a caldeirinha”, isto porque, entende a Constituição que a saúde é direito do povo e dever do Estado.

    E, por outro lado, o sistema “SUS” (Lei 8080 de set/90), ainda em seu nascedouro, estava paulatinamente, sendo implantado num universo precário de serviços públicos de saúde, haja vista, que igualmente, como a educação no Brasil, sempre foram deixados pelos governantes, ao longo da nossa história, ao “Deus dará”.
    Portanto, o sistema “SUS” advindo da Carta maior, se naquela ocasião, contrariamente ao “descuido desastroso”, fosse seguido à risca os ditames da Lei 8080/90, dava-nos, hoje, irrestritamente, outra perspectiva, inversa desse “status quo” na área da saúde.

    Concluindo e, desde já, mesmo levando em conta a melhor das intenções daqueles agentes do governo, lá do passado, o administrador público -, deve por amor à pátria -, observar que na maioria das ocasiões, até por questões culturais (compreendendo todas suas nuances), nem tudo que é ótimo para esse ou aquele Estado de outros continentes, é necessariamente bom para nossa pátria.

    E, neste caso, infelizmente, foi muito bom para outros Estados de outros Continentes, menos para nós os brasileiros.

  2. Cesar disse:

    Não posso concordar com a opinião do ilustre Jayme, visto que a livre iniciativa propalada por ele, significou o acesso de milhões de brasileiros aos exames, ainda que com filas monstruosas por conta da precária rede pública de atendimento. Os exames clínicos básicos são baratíssimos, portanto acessíveis à maioria da população, que sequer sabe quanto custa um hemograma, cerca de R$ 8,00 na rede particular. Uma tomografia custa em torno de R$ 150,00 e uma ressonância magnética, á partir de R$ 600,00. A verdade é que o mercado pago de saúde, não cobra preços tão abusivos quanto se propala, a não ser internações hospitalares que beiram o absurdo, custando uma diária em enfermaria, mais caro que uma suíte 5 estrelas nos melhores hotéis de Paris. Agora, imaginemos se a medicina diagnóstica, fosse monopólio estatal. Certamente a incompetência na gestão e os desvios seriam tão grandes que custariam muito mais caro e sorte de quem conseguisse fazer um simples exame de urina antes de morrer….

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *