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Economia informal

61% dos moradores de favelas não têm conta bancária

O número de não bancarizados nas favelas é bastante superior à média nacional, de 40%

61% dos moradores de favelas não têm conta bancária
Porcentagem dos não bancarizados em favelas corresponde a cerca de 5,8 milhões de pessoas (Reprodução/Internet)

De acordo com o instituto de pesquisa Data Favela, 61% dos moradores de favelas com mais de 14 anos não têm contas bancárias. Segundo o levantamento realizado em fevereiro em 63 favelas de nove regiões metropolitanas e no Distrito Federal, isto equivale a cerca de 5,8 milhões de pessoas.

A parcela dos não bancarizados nas favelas é bastante superior à média nacional, de 40% ao fim de 2014, segundo dados compilados pelo Banco Central, pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e pela consultoria Strategy&. Os bancos têm mudado suas estratégias para ampliar a inclusão financeira

Em 1998, começou o primeiro movimento para reverter esta situação a partir da abertura de agências, quando a Caixa instalou-se na Rocinha, e intensificado em 2011, ano em que Caixa, Banco do Brasil, Bradesco e Santander abriram juntos nove unidades em favelas, como Cidade de Deus, Cantagalo e Paraisópolis. Desde então, as favelas ganham de uma a três agências novas por ano.

Agora, o desafio não é mais a expansão, mas a consolidação, ou seja, a construção de relacionamento. Os bancos falam a lógica societária, da formalidade dos contratos e da linguagem técnica, enquanto a favela trabalha com a lógica comunitária, familiar, emocional, afirma Renato Meirelles, presidente do Data Popular e criador do Data Favela. O desafio de fazer os dois conversarem não é filantropia, afinal, a estimativa do Data Favela é que essas favelas  movimentem, somente neste ano, R$68 bilhões.

“Não acho que os serviços financeiros sejam ruins. Só acho que os bancos têm muito a aprender”, diz Meirelles. A realidade das favelas desafia a racionalidade de qualquer banqueiro, como mostra o dado de que 55% dos moradores de favelas que têm cartão de crédito já o emprestaram para alguém.

Fontes:
Valor Econômico-Alô, comunidade bancária

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