Início » Brasil » A consagração do mensalão?
Eleições municipais 2012

A consagração do mensalão?

Não creio que os votos a Fernando Haddad em São Paulo decorram de uma 'absolvição popular' dos mensaleiros

A consagração do mensalão?
Ex-presidente elegeu seu candidato em São Paulo (Reprodução/AE)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Desde domingo, 28, tenho ouvido amigos chegados afirmarem que a eleição de Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo teria sido a resposta de Lula ao STF por conta das condenações de Genoino, Dirceu e Delúbio. Seria isto verdade?

Significa que o mensalão passou a ser um episódio banal sobre o qual a opinião pública e os juízes têm visões antagônicas. Eu acho que não.

Embora não acredite que categorias sociais cuja marca distintiva é a baixa escolaridade acompanhem pela TV ou mesmo pelos jornais o julgamento da ação nº 470, não creio que os votos a Haddad decorram de uma ‘absolvição popular’ dos mensaleiros.

As razões da vitória “lulista” são locais. Sem tirar o mérito de Lula na implantação de “postes” (que é inegável), acho que as raízes da derrota do PSDB em São Paulo se restringem a circunstâncias e escolhas locais. Lula escolheu um nome novo, uma figura jovem, não tisnada pela corrupção petista. Os adversários escolheram um candidato com a maior taxa de rejeição popular no país. Pior que Jader Barbalho, Paulo Malluf, Renan Calheiros e outros desse jaez.

O PSDB – único partido visível de oposição (?) – escolheu o velho, o desgastado, um homem que já havia abandonado a prefeitura sem tê-la ocupado, depois de eleito em primeiro turno.

Lula não ganhou. Quem perdeu foi a oposição (?). Quem perdeu fomos nós.

 

*Arthur Chagas Diniz é presidente do Instituto Liberal, parceiro do Opinião e Notícia

Fontes:
Instituto Liberal - A consagração do mensalão?

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

9 Opiniões

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    O mensalão tem influência em uma pequena porção do eleitorado. Mas nenhum escândalo impediu líderes comprometidos com a ética de serem eleitos em NOSSO SISTEMA ELEITORAL. Desde Hugo Borghi, no tempo de Getúlio, para não falar do próprio Getúlio (vitorioso em São Paulo depois de derrotar a sua mais importante rebelião), a Ademar de Barros e depois Paulo Maluf, todos sempre tiveram grande presença eleitoral a despeito de severas acusações de malversação de verbas públicas. De fato, a oposição apresentou o candidato que o PSD escolheu para apoiar, sob a promessa de angariar votos, que seriam destinados a Haddad se o candidato fosse outro que não Serra. Uma chantagem que não poderia ser aceita, se o PSDB, e os partidos como um todo, não estivesse rendido ao CACIQUISMO, em que as cúpulas decidem quem serão os candidatos e as bases aceitam sem pestanejar. Além do mais, a eleição de Haddad deve ser creditada ao apoio recebido de Russomanno, Chalita e Maluf, muito mais significativa numericamente do que os votos de Soninha e Paulinho da Força na coligação de Serra. A grande pergunta que fica no ar é: será que a oposição vai aprender com a derrota? Desde 2002 isso não parece ter acontecido. Se não temos nada de novo do ponto de vista político para oferecer, as análises convergem para uma mudança no quadro eleitoral somente a partir de uma crise econômica, que parece cada vez mais próxima….

  2. Nilo Penna Júnior disse:

    Em pais democrático as questões maiores são decididas por instituições. As infrações às leis sâo julgadas em última instancia pelo STF. Acima do STF, ou é revisão constitucional ou é plebiscito.
    Não sabia que existia uma lei que diz que eleições substituem o sistema legal democrático que estamos tentendo viver…
    Acho que tem coisa estranha nessa conversa…

  3. Áureo Ramos de Souza disse:

    Foi justamente por isso, Serra e seu partido estão desgastado e o que ele fez por São Paulo o povo não se esqueceu, taí a prova que o povo não é mais burro e nem de cabrecho, vamos mudar também para presidente, vocês irão ver.

  4. Antonio Manoel Garcia Gonçalves Rato disse:

    Concordo com Nilo Penna Junior e, em parte com o Carlos U. Pozzobon.
    A única estratégia que restava ao PT, Lula sacou, como espertíssimo politico que é : Escolheu um nome novo na política e dificilmente identificável, pessoalmente, com o mensalão, a não ser por ser membro do PT.
    Faltou ao Serra mostrar com clareza que a gestão Haddad, no Ministério da Educação, foi um fracasso : Má gestão do ENEM e queda do número de alunos de 14 a 17 anos matriculados na escola ( ! ), segundo dados do PNAD, só para ficar nesses 2 exemplos.
    Serra sacrificou-se pelo Partido ao deixar a Prefeitura para candidatar-se, depois de ter prometido o contrário.
    Porém, não esqueçamos dos 47% dos votos válidos dados a ele – quase a metade do total. É inegável cacife político que, se bem aproveitado, confere, ainda, boas perspectivas.
    Convenhamos que o PSDB saiu desta eleição, ainda, como o 2º Partido em número de Prefeituras em todo o país, só perdendo para o PMDB.
    Atenção para a derrota do PT no Norte e Nordeste que, em 2006 e 2010, foi aonde o PT teve mais votos !
    Por fim, vitória eleitoral não absolve ninguém condenado, nem desqualifica o STF.

  5. Armando disse:

    Em se tratando da maior capital brasileira, é até constrangedor fazer essa constatação, mas é fato: fica evidente que o eleitorado paulista, em sua maioria, é mesmo conservador. Ademar de Barros, Janio Quadros, Maluf, e outros do mesmo quilate, são fenômenos típicos de São Paulo. Celso Russomano quase emplacou, enquanto a Soninha, que pra mim era uma melhores candidatas no Brasil, fez uma votação pífia.

    Dois dados a serem confirmados por alguma pesquisa, apenas como mera especulação, não mencionado nas análises feitas, que provavelmente tiveram peso na escolha de Haddad e no seu sucesso nas urnas, pensados taticamente por Lula:

    – A conquista dos votos da comunidade árabe, através da aliança com Maluf, somando, no segundo turno, o apoio de Gabriel Chalita e Kassab.

    – A juventude e boa aparência do candidato, na busca do voto feminino; era corrente a notícia do frisson que este causava, durante a campanha, nesse segmento do eleitorado.

  6. Jayme disse:

    O PIOR DOS CEGOS É AQUELE QUE INSISTE EM NÃO ENXERGAR, PIOR AINDA, QUANDO TENTA COLOCAR VENDA PRETA NOS OLHOS DO POVO.

    Nos tempos idos quando vigorava o regime exceção, (estava) um ministro na agricultura. Todavia, por ele, ser uma eminente voz da economia nacional, não só naquela época, como ainda, hoje, permanece como importante fonte de informações e, por isso, ainda permanece, sendo consultado por mega- empresários nacionais, dada a sua indiscutível capacidade técnica.

    Mas todos sabem que essa “tal” composição política é pródiga em “arranjos” e, até no bom sentido, os desarranjos – que somente uns poucos conseguem entender, quais os interesses (obviamente) econômicos que norteiam aquele caminho que está sendo tracejado, por essa ou por aquela facção (política).

    Mas voltando ao Ministro, ele, mesmo estando (porque estava – mas não era) ministro da agricultura, o seu foco era diverso da pasta que ocupava, tendo em vista que o horizonte objetivado estava equidistante “ano-luz” duma atividade, no sentido figurada, essencialmente primária.

    Ainda naquele período, havia um “personagem humorístico” que inteligentemente, brincava com a aquela situação inusitada para alguns leigos.

    Portanto, de igual maneira, o candidato derrotado no segundo turno a prefeitura de São Paulo, mais uma vez, foi instado à candidatura da mais importante prefeitura da nação.

    Esta afirmação tem sentido, porque tantas e tantas outras vezes, lá do meio do caminho percorrido, procedeu de igual maneira e, alterando a sua trajetória, retornou no momento oportuno, ao horizonte vislumbrado por ele e a sua facção.

    E, tal terceira via (Celso), como um raio de luz teve o seu minuto de glória. Perdendo o fôlego, por falta de substância em seus projetos e, principalmente, ao se defrontar com a outra candidatura. Um nome novo, com fortíssimo apoio do Planalto e cujas propostas o povo preferiu acreditar.

    Pouco valeu nominar pejorativamente, candidato de “poste” e, ainda, nesse exato momento, quando não há mais concorrentes e sim, todos vencedores, injustificadamente, chamar um eminente político de ancião carcomido. E antes não era?

    Não se justifica, portanto, qualquer tratamento pejorativo contra quem quer que seja, principalmente, contra o candidato Serra parte integrante do quadro político brasileiro.

    Um retumbante equívoco foi tentar por todos os meios possíveis, através da grande mídia colar o imbróglio do mensalão, nas discussões das questões municipais, durante toda campanha.

    Outro fiasco foi colar (negativamente) a imagem do Paulo Maluf na campanha do eleito. Ignorando completamente a sabedoria popular que não se esqueceu das fotos do Maluf no palanque do cacique FHC quando ainda era vencedor.

    O grande vitorioso das eleições será sempre o povo e não adianta esbravejar. Ele, o povo é soberano. E, com independência ímpar renovou o staff da maior prefeitura brasileira, essa sim, infelizmente, mais que carcomida de antigos vícios, controlada por grupo há mais de vinte anos.

    Por isso o eleitor percebeu, que naquele momento a melhor opção para alternar o comando na prefeitura. Mesmo tratando-se de pessoa humilde, em sua maioria, o eleitor, não esquece jamais os seus benfeitores assim como identifica, as vezes tardiamente, os seus algozes.

    Alguns poucos percebem de maneira clara, as determinações emanadas pelo povo nas urnas e o recado é sempre bem eloquente. Mas não precisa ir muito longe é só lembrar os últimos dez anos.

    E, é por isso é que os tais caciques políticos (de qualquer facção) sem o devido apoio popular, passam muitos mais rápido do que se possa imaginar, independentemente, do estrago que tenha feito ou que venha a fazer, o povo é paciente, mas não esquece traição, as urnas sempre falam…

    É de bom alvitre, dar um basta, definitivamente, nessa ideia fixa de inflar terceiros, através da grande mídia, para praticar justiça com excesso de zelo.

    Afinal, existe uma imensa fila de outros “imbróglios” um dos quais, segundo dizem, seria de verdade, o irmão mais velho do mensalão e que ambos foram concebidos na mesma maternidade e, que o dito cujo, é na verdade um filho abandonado pelos seus próprios pais.

  7. helo disse:

    Jayme,
    Haddad sem dúvida foi uma escolha pela renovação, porém penso que enganosa. Mesmo não sendo parte do mensalão, o prefeito foi imposto por Lula. Apesar de jovem e bonito ficará amarrado e em débito com o velho grupo do PT ligado ao ex-presidente. Concordo com você que às vezes tardiamente o povo reconhece os seus equívocos. Foi o que aconteceu quando o Brasil estarrecido descobriu no mensalão o grande engodo sofrido. Haddad, sem luz própria, terá dificuldade de se desgrudar dos seus criadores. Boas intenções certamente não lhe faltam, mas terá que acomodar apoios recebidos de Maluf, Kassab, e petistas sem emprego. O governo da cidade exige independência, experiência e sabedoria. Se optar pela independência, resta a dúvida: sua estréia no Ministério da Educação foi incrivelmente equivocada. O caso Azeredo foi crime pontual cometido antes de uma eleição estadual e não se compara ao mensalão nacional, cometido durante o exercício do governo do país por mais de 2 anos até sua descoberta. E parece representar somente a ponta de outros inúmeros crimes já surgindo nas instâncias inferiores. Lula, ingrato às boas heranças que teve, já abandona Dirceu para se absolver e escapar desse imbróglio, o que parece a cada dia ser mais difícil.

  8. ranciaro disse:

    A escolha do PT foi acertada. Haddad é jovem, possui respeitabilidade junto ao meio universitário e sem sombra de dúvida é uma nova liderança limpa do PT. Quanto a Serra com 70 anos e uma vida conturbada politicamente, não tem mais cacife político. Esta desgastado. Seu destino é uma vara de pescar…no Tiete se não der mude-se para o Pantanal.

  9. Maria Barros disse:

    Haddad não é poste. poste é que não quer ver a realidade ou pretende que outros a vejam assim. Mas quero falar da vitoria de LULA e do Mensalão. Lula é um vitorioso porque, pela primeira vez, alguem, um politico, falou e agiu em benfício também do povo mais humilde. Ele mudou a realidade de milhoes e isso é que comanda o voto em especial o voto municipal. O mensalão é revoltante para todos os brasileiros, mas eles sabem que aquele show é mentira em termos de justiça. Sabem que nesse quesito, tristemente todos os partidos se igualam. E não só os partidos. A corrupção é endemica e foi assim plantada pelos que sempre dirigiram este país “locupletando-se”. Essa a razão de não ser fator determinante na intenção de voto. Na corrupção são todos iguais. No interesse do povo, não. E Lula se diferencia positivamente. Concretamente. Sugiro melhorarem os pesquisadores da oposição. Ou a honestidade de seus escritos. Sou favorável a oposição forte, pois a alternancia de poder é fundamental. Só que não temos oposição federal. Uma pena.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *