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Tormenta financeira

A decadência econômica do Brasil em gráficos

Uma série de gráficos da revista 'Economist' explica como a economia brasileira entrou em apuros no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff

A decadência econômica do Brasil em gráficos
Tudo o que Dilma pode fazer é esperar que o retorno do país à política econômica ortodoxa faça um milagre (Reprodução/Internet)

A revista Economist criou uma série de gráficos para explicar como o Brasil, antes um gigante econômico, entrou em uma tormenta financeira ao longo do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Confira abaixo.

A economia 

Durante o primeiro governo Dilma (2011-14), a economia brasileira cresceu, em média, 1,2% ao ano, percentual menor do que o registrado pela maioria dos vizinhos sul-americanos.

Ao mesmo tempo, os gastos públicos aumentaram e, em 2014, o Brasil não conseguiu cumprir sua meta fiscal pela primeira vez desde 1997. No mesmo ano em que Dilma conseguiu se reeleger, a dívida pública do país chegou a 63% do PIB. O percentual pode parecer pequeno se comparado aos 175% da Grécia ou aos 227% do Japão.

Porém, a alta taxa de juros do país, em torno de 12%, tornou mais cara a concessão de crédito. Para que o setor de negócios e os consumidores conseguissem crédito a juros menores, os bancos públicos passaram a subsidiar os empréstimos. Assim, o crédito era oferecido a taxas menos exorbitantes. Esse subsídio passou de 40% em 2010, para 55% em 2014.

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Dívida pública, taxa de juros e inflação

À medida que o governo foi afrouxando a política fiscal, o Banco Central (BC) reduziu sua taxa de juros, o que gerou um aumento da inflação. Em março de 2014, o BC tornou a elevar a taxa de juros, fixando-a em 12,75%, percentual maior do que o registrado antes da redução. Na mesma época, a intromissão do governo nos negócios prejudicou o setor privado. A soma desses fatores fez a confiança do investidor despencar.

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Empregos e salários

Burocracia, infraestrutura precária e o real valorizado acarretam a baixa produtividade das indústrias brasileiras. O baixo índice de desemprego gerou um aumento na média salarial. Somente nos últimos dez anos, a média salarial cresceu mais do que a do PIB. Com mais crédito, os consumidores passaram a gastar mais.

Porém, esse ciclo se interrompeu. Os salários pararam de subir, em parte por conta da baixa produtividade dos trabalhadores brasileiros. O desemprego também aumentou, ainda que timidamente, de 5% em 2014, para 5,4% em janeiro deste ano.

Para completar, o governo está cortando benefícios, como o seguro-desemprego, para aumentar sua receita, enquanto aumenta impostos sobre gastos básicos, como água, luz e gasolina.

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Dívida

A junção desses problemas afetou a receita do país, que atualmente está sendo usada quase por inteiro para quitar empréstimos feitos quando a economia estava forte. O governo não tem renda para estimular o investimento e é difícil dizer de onde virá o crescimento.

A política orçamentária de Dilma está em uma encruzilhada: a presidente não pode afrouxar a política fiscal, sem que isso acarrete a queda no grau de investimento do Brasil. O Banco Central também não pode flexibilizar sua política monetária, pois minaria ainda mais a sua credibilidade e, como consequência, enfraqueceria o real. Um moeda desvalorizada contribuiria para o aumento da inflação.

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No momento, é impossível para Dilma recuperar o antigo vigor da economia brasileira. Agora, tudo o que a presidente pode fazer é esperar que o retorno do país à política econômica ortodoxa faça um milagre. Mas pode ser que isso leve algum tempo.

Fontes:
The Economist-Brazilian waxing and waning

1 Opinião

  1. Markut disse:

    A clareza didática do Economist sugere, dentre os seus inúmeros gráficos indicativos , uma clara relação entre o avanço do tempo lulo-petista e o aumento da ousadia no assalto perpetrado na Petrobrás, quanto aos seus débitos corporativos:

    2006 – 2008 – assalto tímido.
    2009 – 2011 – assalto mais ousado.
    2012 – 2014 – assalto desavergonhado e escancarado.

    Elementar, meu caro Watson. O nivel de corrupção endêmica, rompeu a barreira de tolerância que um estado civilizado pode aguentar , sem que vá direto para o brejo, sem contar com o efeito contaminante na pirâmide social, de alto a baixo.

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