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A derrota dos professores de São Paulo

Este mês, professores de escolas públicas do estado de São Paulo anunciaram o fim de sua greve sem qualquer de suas demandas terem sido cumpridas

A derrota dos professores de São Paulo
Os professores também exigiam turmas menores, com no máximo 25 alunos (Foto: Wikimedia)

Em um artigo de opinião do New York Times, a jornalista Vanessa Barbara fala sobre a mais recente greve dos professores de São Paulo que durou três meses, a mais longa dos professores no estado. Os professores mantiveram até o fim sua demanda de paridade de remuneração com outros profissionais com nível superior, ou seja, um aumento salarial de 75%. Apesar de este ser um aumento acentuado nos salários públicos, o princípio de paridade faz parte do Plano Nacional de Educação, uma lei aprovada no ano passado com o apoio da presidente Dilma Rousseff. De acordo com esse plano, a paridade deverá ser alcançada até 2020.

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Os professores também exigiam turmas menores, com no máximo 25 alunos. A Secretaria de Educação estipula um máximo de 40 alunos nas aulas do ensino médio, mas em fevereiro passado, no início do ano letivo, houve relatos de classes com 85 ou 95 alunos matriculados. Os manifestantes também se queixavam de que o governo não segue uma lei que exige que um terço das horas de trabalho seja gasto em atividades fora da classe, tais como marcação de provas e planejamento de aulas.

Dos 251 mil professores em São Paulo, cerca de 57 mil (ou 23%) são empregados temporários. Depois do contrato inicial de um ano, um professor temporário deve ficar fora do trabalho por 40 dias; após o segundo ano, a retirada obrigatória aumenta para 200 dias – mais de seis meses de desemprego, por cada ano de trabalho. Esta abordagem tem sido utilizada desde 2009 para evitar a classificação dos empregados temporários como funcionários públicos permanentes com proteções trabalhistas regulares.

Mais de quatro milhões de estudantes frequentam uma das 5.300 escolas públicas administradas pelo estado de São Paulo. Eles são em sua maioria pobres, uma vez que as famílias mais ricas geralmente matriculam seus filhos em escolas particulares, onde os professores podem ganhar até R$ 50 por hora.

Reação do governo estadual

Confrontado com as demandas de centenas de milhares de professores, o governador do estado, Geraldo Alckmin, reagiu com desdém. “Todo ano é a mesma história”, disse em março. Mais tarde, ele chegou a negar a existência da greve. Sobre as reivindicações dos grevistas, o governador Alckmin disse que o governo já havia dado um aumento cumulativo de 45% nos últimos quatro anos. O sindicato, por outro lado, afirma que este número inclui os bônus que já foram pagos em uma base fixa, e que o aumento salarial nos últimos quatro anos seria, no máximo, de 29,9%. A taxa de inflação nesse período foi de 27,7%.

Após 13 semanas de greves e dezenas de comícios, o governador não fez nenhuma proposta para aumentar os salários dos professores. Ele apenas ofereceu estender os cuidados de saúde aos professores temporários (por meio de uma dedução de salário de 2%) e de diminuir a retirada anual obrigatória do trabalho. No final de maio, depois de lutar no Superior Tribunal de Justiça, o governador Alckmin conseguiu cortar os salários dos manifestantes, o que levou ao fim da greve. Poucos dias depois, um editorial em um jornal de grande circulação proclamou que os professores haviam sido desmoralizados em todas as frentes.

Segundo a autora, como se a derrota já não fosse o suficiente, dois dias depois de vencer os professores, o partido do governador Alckmin anunciou que ele é um provável candidato à presidência nas eleições de 2018.

 

Fontes:
The New York Times-Another Defeat for Brazil’s Kids

1 Opinião

  1. helo disse:

    Greve longa na educação é grave derrota para os alunos que perdem um tempo irrecuperável de suas vidas. Talvez o erro esteja na condução das demandas feitas pelos sindicatos, que deveriam esquecer um pouco a filiação partidária e focar as prioridades. Todas as reivindicações são justas, mas nem todas são possíveis em tempos de crise, inflação e desemprego.

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