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EXPORTAÇÕES EM ALTA

A economia é uma guerra: boas notícias do front externo

A economia é uma guerra, composta de muitas batalhas: desemprego, inflação, desequilíbrio fiscal, dívida pública, contas externas e a obrigação de atender minimamente a população

A economia é uma guerra: boas notícias do front externo
Também podemos discriminar esta guerra em dois fronts: o interno e o externo (Foto: EBC)

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Não há quem discorde que a economia é uma guerra, composta de muitas batalhas articuladas entre si: contra o desemprego, a inflação, o desequilíbrio fiscal, a dívida pública crescente, as contas externas e, é claro, dentro do tema de que a economia se ocupa, a obrigação de atender minimamente à população em saúde, educação, segurança e justiça.

Também podemos discriminar esta guerra em dois fronts: o interno e o externo. No externo, hoje é dia de dar boas notícias, já que acabam de ser divulgados os dados das transações com o setor externo pelo Banco Central.

As exportações acumuladas nos doze meses encerrados em junho/2017 resultaram em US$ 202,7 bilhões e as importações em US$ 142,4 bilhões, o que gerou um saldo positivo de US$ 60,3 bilhões, montante notável para uma estatística anual, representando um aumento de quase 50% frente ao saldo dos últimos doze meses findos em junho/2016.

O mês de junho/2017 registrou um superávit de US$ 1,3 bilhões no saldo das transações correntes (saldo da balança comercial, serviços, juros e lucros). Ainda que nos doze meses encerrados em junho/2017 as transações correntes  tenham resultado em um déficit de US$ 14,3 bilhões (0,76% do PIB), este valor corresponde a uma redução de, aproximadamente, 50% em comparação ao período anterior (déficit de US$ 29,5 bilhões) e é o menor déficit registrado desde maio/2008 (US$ 16,4 bilhões), devendo ser visto, portanto, como um indicador favorável.

Por outro lado, de forma mais do que compensatória, os ingressos líquidos de investimentos diretos no país somaram US$ 80,6 bilhões nos últimos doze meses findos em junho/17, ou 4,25% do PIB.

A evolução das reservas internacionais é outro aspecto que merece atenção, conforme o gráfico a seguir:

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O elevado nível de reservas (US$ 377 bilhões) tem se mantido neste patamar desde meados de 2011, o que confirma que o front externo da economia brasileira vai bem, não sendo diretamente um contribuinte para a crise fiscal e a recessão.

Como sabemos, nem sempre a perspectiva externa foi tão tranquila, especialmente quando o país dependia de divisas para as remessas de juros e compra de petróleo importado, o que afetava a credibilidade do sistema financeiro e o próprio abastecimento essencial de combustíveis. Como disse Mario Henrique Simonsen, a recessão esfola, a inflação aleija, mas a crise cambial mata. Em alguns anos antes da moratória brasileira do final de 1982,  o valor dos pagamentos de juros e petróleo chegaram a superar o valor das exportações.

As crises de balanço de pagamentos foram em parte contornadas no Brasil quando da adoção do sistema de câmbio flutuante, que fez com que as taxas de câmbio variassem de acordo com a oferta e demanda de divisas, procurando um equilíbrio: se, por exemplo, as exportações excedem em muito as importações, há grande entrada de recursos, que diminui o valor da taxa de câmbio, incentivando o aumento das importações.

Não obstante o ajuste natural do mercado, o Banco Central atua com intervenções pontuais, comprando e vendendo moedas externas com o objetivo de evitar oscilações bruscas da taxa de câmbio, sendo, pela dimensão das reservas, um parceiro imbatível.

É frequente a pergunta se o valor das reservas brasileiras não é exagerado. Para pensar numa resposta, apresentamos um quadro com os maiores valores das reservas internacionais por países em 2016 (fonte: Banco Mundial).

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Considerando o aspecto absoluto, o nível de reservas no Brasil é elevado, já que figura entre os dez países com o maior volume de reservas. As agências de avaliação de risco e investidores estrangeiros, em geral, observam as reservas como um parâmetro para dimensionar a capacidade de cumprir pontualmente compromissos de importações, do principal e juros da dívida externa de um país, sendo portanto, um indicador de segurança.

Além das considerações sobre a disponibilidade de reservas, a contrapartida é observar que a dívida externa bruta é de US$ 307,3 bilhões, sendo a maior parte (US$ 259,6 bilhões ou 84,4%) de longo prazo; nesta ótica, as reservas líquidas brasileiras, computando esta dívida, são de US$ 69,7 bilhões.

Outro aspecto relevante, que pesa sobre as despesas do Tesouro brasileiro, é o fato de que o Brasil recebe por seus depósitos das reservas, em diversos bancos internacionais privados e não somente no Banco Internacional de Compensações – BIS/Suíça, juros muito inferiores ao custo da dívida interna brasileira, cujo elevado patamar (73% do PIB, segundo os dados mais recentes) é um dos principais responsáveis pela atual crise brasileira, já que foi expandida pelo descontrole dos gastos dos últimos governos, gerando receio de inadimplência.

Conforme depoimentos do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, o excesso de reservas é uma garantia num momento de crise, e pode ser reduzido quando este movimento não estiver associado às demais tensões econômicas brasileiras, por enquanto pendentes das aprovações das reformas que controlam os gastos gerais e da previdência.

*Artigo originalmente publicado no site Profit

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