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Coluna Esplanada

A Entregadoria-Geral da União

Os advogados de todos os detidos na recente fase da Lava-Jato negociam a delação premiada de seus clientes

A Entregadoria-Geral da União
Presos na operação Lava-Jato (Fonte: Reprodução/Folhapress)

O País já tem instituições consolidadas como a Advocacia Geral da União, a Controladoria (CGU), a Procuradoria (PDR), entre outras, e com o trator da Justiça Federal e da PF na Operação Lava-Jato o Brasil ganhará a Entregadoria-Geral da União. Resume-se num cenário inédito: os advogados de todos os detidos na recente fase da Lava-Jato negociam a delação premiada de seus clientes. Com lobistas e empreiteiros na lista, será um salve-se quem puder no Congresso Nacional e Assembleias Legislativas: a lista atual de 70 parlamentares subirá para mais de 200.

Na fila

Advogados dos parlamentares que sabem de suas culpas já esperam que a oitava fase da Lava-Jato vai cercar os deputados, senadores e prefeitos a partir de fevereiro.

Túnel

Piada entre gabinetes: os empreiteiros presos já combinam a construção de um túnel para fugir da carceragem da PF. Não saiu ainda porque negociam o superfaturamento.

Vai bem

Paulo Henrique, filho do ex-presidente FHC, tornou-se empresário do setor imobiliário. Construiu condomínio de bangalôs de luxo na Praia do Espelho, em Trancoso (BA).

Sai da frente

Pareceu pegadinha, mas deu certo (para Renan Calheiros). Numa coletiva no salão Azul, perguntado sobre a possibilidade de cinco ministérios para o PMDB, o presidente do Congresso foi interrompido. Sem perceber, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) passou entre Renan e as câmeras. Constrangimento total, a resposta ficou para depois.

Drible

“A melhor do dia foi Aloysio atravessando na frente”, brincou o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Aloysio Nunes saiu-se afirmando que foi para salvar Renan do “embaraço” provocado pela questão ministerial.

Mas…

Dificilmente o PMDB aceitará cinco “novos“ ministérios do total de 39 pastas (atualmente), porque a presidente Dilma não quer cortar. A disputa velada por pastas polarizada entre PMDB e PT agora é do PMDB com o PP, PSD e PRB.

Quem diria

Antes tida como representante da elite, a juventude do PSDB apareceu no Congresso Nacional na segunda à noite a La PT gritando ‘Ih, F#@&*, o povo apareceu!’.

Quem te viu...

O presidente da Comissão de Orçamento, deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), desabafou em certo momento que estava de cabeça cheia e negou acesso de manifestantes ao plenário na Câmara, durante a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2015.

Vaia do Pipi

Relator do Orçamento, o senador Romero Jucá levou uma sonora vaia dos colegas parlamentares ao pedir para ir ao banheiro. Em tempo, Jucá, peemedebista aliado do vice-presidente Michel Temer, revelou que não votou na presidente Dilma na eleição.

Marketing

Como tradicional, o deputado Sandro Mabel (PR-GO) distribuiu suas rosquinhas (da fábrica que leva seu nome) aos colegas durante a longa e tumultuada sessão de votação na Congresso da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2015.

Ro$quinha$…

Em tempo, Mabel vendeu para uma multinacional há dois anos a fábrica de massas por R$ 800 milhões. Comprou um helicóptero para fazer a ponte Goiânia-Brasília. Mas procurava um jato com autonomia intercontinental.

Recado do ‘Índio’

O governador eleito do PIauí, senador Wellington Dias (PT), confessa que não sabe o cofre que o espera. Mas prevê tempos difíceis, “para governadores e prefeitos que estão mesmo barco”.

Tempos sombrios

Do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE): ‘Dilma faz absurdo em relação aos vetos presidenciais e faz o mesmo sobre a LDO’.

Ponto Final

‘Demonizaram o Armínio Fraga e canonizaram o Joaquim Levy’
Deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), durante sessão da votação da LDO, ao citar o ex-presidente do BC no governo FHC e o futuro ministro da Fazenda de Dilma.

1 Opinião

  1. Amílcar de França Bezerra disse:

    O problema é que todos esses acordos de “delação premiada” nos leva a crer que não passa de estratégia de defesa. Explico: quando a Polícia faz uma investigação bem feita, que está na fase conclusiva do levantamento das provas e que estas levarão aos “cabeças” das organizações criminosas, as operações são deflagradas sem a devida conclusão, por “pressões externas”. Uma vez na fase processual, os advogados dos chamados “peixes miúdos” se articulam, financiados pelos “tubarões”. São escolhidos alguns “pequenos” que, como “bodes expiatórios”, assumem todas as responsabilidades criminais, isentando os financiadores de suas defesas, que ficam impunes. Será que é isto o que vai acontecer na próxima “etapa” da Operação Lava Jato? Será que tantos acordos de delação premiada não têm o objetivo de evitar a punição dos verdadeiro articuladores e principais beneficiados do esquema de corrpução e de lavagem de dinheiro que se tenta investigar e punir? Se o dinheiro foi usado nas campanhas eleitorais e o verdadeiros beneficiados foram eleitos, como evitar que não sejam punidos, uma vez que gozam de todos os benefícios da justiça, que dizem ser cega, além de surda e muda?

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