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Jovens trabalhadores

A Geração Y e seus mitos

As empresas devem evitar as generalizações ambíguas em relação aos jovens funcionários

A Geração Y e seus mitos
A geração de jovens nascidos entre 1980 e 2000 é chamada de Geração Y (Foto: Wikipedia)

Uma das vantagens de envelhecer é a liberdade de falar tolices a respeito dos jovens. Platão, dizem, queixava-se que os jovens “desrespeitavam os mais velhos” e “ignoravam a lei”. Pedro, o Eremita dizia que os jovens “só pensavam em si mesmos” e “impacientavam-se diante de qualquer restrição”. Hoje, os especialistas em gestão empresarial grisalhos costumam misturar elogios com críticas em seus comentários sobre os jovens. Mas também abusam do privilégio da idade.

Esses sábios atuais recomendam aos empregadores de adaptarem seus estilos de administração para atenderem às expectativas da geração do milênio ou geração Y, jovens nascidos entre 1980 e 2000. Atualmente, esses jovens representam o maior número da força de trabalho nos Estados Unidos, com uma proporção de 37% do total, em comparação com 34% das pessoas nascidas até meados da década de 1960, que agora estão se aposentando em massa. Com frequência, ouvem-se comentários que a geração do milênio foi a primeira a ter crescido na era digital. Isso é verdade, mas qualquer outra observação referente a essa geração é mera conjectura.

Esses jovens têm uma tendência a serem colaboradores inatos. Tudo, desde a formação nos jardins de infância à participação nas redes sociais, influenciou-os a terem um espírito de equipe. Porém, ao mesmo tempo, rejeitam a dedicação excessiva à carreira e são alérgicos à autoridade. Tamara Erickson, uma consultora e autora de “Plugged In: The Generation Y Guide to Thriving at Work”, disse que a geração do milênio “quer aproveitar ao máximo o momento em que vivem e ter certeza de que estão fazendo algo significativo, interessante e desafiador”. Na opinião de Andrew Swinand, cofundador e sócio da Abundant Venture Partners, uma empresa de capital de risco, fazer negócios com responsabilidade é a “nova religião” da geração do milênio. A única maneira de atrair e manter esses jovens imediatistas, ávidos por desafios e que querem acumular experiências no menor prazo possível, é deixá-los trabalhar com liberdade e aumentar o orçamento da responsabilidade social da empresa (RSC).

Encontrar informações contrárias a essas opiniões não é difícil. A empresa de consultoria CEB faz pesquisas trimestrais com 90 mil funcionários americanos. Segundo os dados de suas pesquisas, a geração do milênio é extremamente competitiva: 59% dos entrevistados na última pesquisa disseram que a competição “os motivava a acordar de manhã”, em comparação com 50% das pessoas nascidas até meados da década de 1960. Cerca de 58% desses jovens disseram que comparam o desempenho deles com o dos colegas, enquanto só 48% das pessoas de outras gerações fazem esse tipo de comparação. Eles passam muito tempo enviando mensagens para outros jovens da mesma geração nos smartphones, mas não acreditam muito neles. Entre os entrevistados da geração do milênio 37% disseram que não confiam na produção de seus colegas no trabalho; em outras gerações o percentual foi em média de 26%. Portanto, é uma geração de individualistas e não de colaboradores. Quanto à ideia que rejeitam a preocupação em excesso com a carreira, as pesquisas da CEB revelaram que para 33% dos jovens da geração Y a “oportunidade futura de carreira” é uma das cinco principais razões de escolha de um emprego, em comparação com 21% de outras gerações. No que se refere à responsabilidade social da empresa só 35% dos jovens da geração do milênio dão uma importância maior à RSC, comparado com 41% da geração anterior.

Jennifer Deal do Centre for Creative Leadership, uma empresa de treinamento de executivos, e Alec Levenson da Universidade de Southern California pesquisaram 25 mil pessoas em 22 países e concluíram que a maioria das generalizações sobre o comportamento da geração do milênio como empregados é “na melhor das hipóteses inconsistentes e alguns casos destrutivas”.

Fontes:
The Economist - Myths about millennials

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