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ERRADICAÇÃO DE DOENÇAS

A guerra contra os mosquitos

Em vez de entrar em pânico, é preciso que os países afetados pelo vírus do zika se mobilizem para combatê-lo e, se possível, erradicá-lo

A guerra contra os mosquitos
Chegou o momento de lançar um novo contra-ataque aos mosquitos (Foto: Divulgação/Internet)

Há poucas coisas tão assustadoras como uma doença nova, perigosa e muitas vezes fatal, que se espalha rapidamente. O terror mais recente é o zika. Essa doença viral aguda, transmitida por mosquitos, como o Aedes aegypti, fez suas primeiras vítimas na África e no ano passado foi detectada no Brasil. Agora está se disseminando pela América Latina e Caribe, com casos registrados em mais de 20 países.

O zika é o principal suspeito pelo aumento acentuado do número de recém-nascidos com microcefalia no Brasil. Alguns cientistas suspeitam que em adultos infectados o vírus também pode causar sérios danos aos sistemas nervoso e imunológico.

O zika não tem cura e o prazo previsto para a descoberta de vacinas de combate ao vírus é de, no mínimo, dez anos. Porém, não é o caso de difundir o pânico, nem é motivo para que as autoridades governamentais assustem as mulheres em uma tentativa de dissuadi-las a terem filhos. Até o momento, existem dois fatos concretos. O primeiro é que a principal, talvez a única, fonte de transmissão seja a picada de mosquitos, que contraem o vírus de pessoas infectadas e o transmitem para as próximas vítimas. O segundo é como diminuir o número de mosquitos e, de preferência, erradicá-los.

O combate aos mosquitos tem uma longa história. No início da década de 1960, o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão não só do zika, como também da dengue, da chikungunya e da febre amarela, foi quase erradicado em grande parte da América do Sul, depois de uma longa campanha contra a dengue. As constantes fumigações praticamente eliminaram o mosquito. Mas alguns países suspenderam suas campanhas cedo demais. Após a redução do número de casos, os políticos não se preocuparam mais com a epidemia de dengue. E bilhões de mosquitos voltaram fazendo novas vítimas.

Essa campanha foi liderada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), o escritório regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) nas Américas. Agora, a instituição precisa reunir os governos da região para um novo combate ao mosquito. O Brasil está mobilizando as Forças Armadas para fazer uma campanha de conscientização nacional, com visitas às casas para instruir as pessoas a evitar o acúmulo de água parada, onde o Aedes se reproduz; outros países afetados pela epidemia deveriam fazer o mesmo.

Essas iniciativas são sempre dispendiosas. Porém resultarão no controle de não apenas uma, mas de diversas doenças graves. O Aedes aegypti não transmite a malária, mas os métodos usados em sua erradicação também poderão ser utilizados no combate ao seu agente transmissor, o Anopheles. Chegou o momento de lançar um novo contra-ataque aos mosquitos e, desta vez, é preciso ir até o fim.

Fontes:
The Economist-Let us spray

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