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DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

A origem do Dia da Consciência Negra

Data marca um momento de reflexão sobre o período de escravidão e a posição dos negros na sociedade atual

A origem do Dia da Consciência Negra
O dia foi escolhido em homenagem a Zumbi dos Palmares (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Dia da Consciência Negra é celebrado nesta terça-feira, 20. A data é celebrada em todo território nacional e marca um momento de reflexão sobre a época da escravidão, a posição dos negros na sociedade atual e a luta contra o preconceito racial.

O dia da celebração foi instituído pelo Projeto de Lei (PL) 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003, mas somente em 2011 a lei foi sancionada (Lei 12.519/2011) pela presidente Dilma Rousseff.

O dia foi escolhido em homenagem a Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, morto pelos portugueses em 20 de novembro de 1695. O quilombo ficava na Serra da Barriga, no Nordeste, onde hoje estão os estados de Pernambuco e Alagoas. Ele foi formado por negros que fugiam do trabalho escravo em engenhos de açúcar da região.

As invasões holandesas ocorridas no Nordeste, na década de 1620, desorganizaram engenhos produtores de açúcar na região e facilitaram a fuga de escravos para Palmares.

O quilombo se tornou uma comunidade autossuficiente e, em seu auge, estima-se ter reunido mais de 20 mil pessoas. Para muitos negros, o lugar se tornou uma espécie de terra prometida contra a opressão e a tirania da escravidão.

O quilombo se sustentava através da caça, pesca, agricultura e do artesanato. Comunidades próximas passaram a trocar alimentos por munição que os quilombolas utilizavam para a segurança local.

Após a expulsão dos holandeses, a falta de mão-de-obra em engenhos gerada pela fuga dos escravos, elevou o preço dos negros, o que fez aumentar as invasões portuguesas ao quilombo. Além disso, a prosperidade alcançada pelo Quilombo dos Palmares gerou para a Coroa Portuguesa a necessidade de eliminar a comunidade para reafirmar sua posição de domínio.

Na tentativa de encerrar os conflitos, o líder da capitania de Pernambuco, Fernão Carrilho, fez uma proposta aos quilombolas. A proposta oferecia liberdade aos negros fugidos que se submetessem à autoridade da Coroa Portuguesa. A proposta foi rejeitada pela maioria dos quilombolas, dando seguimento à resistência.

O novo líder do quilombo na época era Zumbi, um negro nascido livre no quilombo, em 1655, que foi capturado aos seis anos de idade e entregue a um missionário português – que o batizou de Francisco e o iniciou nos conhecimentos de latim e da religião católica. No entanto, aos quinze anos de idade, Zumbi fugiu e retornou ao quilombo, do qual, anos mais tarde, se tornou líder.

Em 1694, uma invasão comandada pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho destruiu Cerca do Macaco, a capital do quilombo. Ferido, Zumbi conseguiu fugir, mas foi capturado um ano depois, aos 40 anos de idade, aos ser delatado por um de seus capitães.

Em 20 de novembro de 1695, Zumbi teve a cabeça cortada e exposta em praça pública, como forma de dissipar o mito em torno de sua imortalidade.

 

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1 Opinião

  1. mario alberto benedetto disse:

    todos são iguais diante da lei ,então consciecia negra 21-11;dia do índio 19 de abril; tem que criar o dia da consciencia branca, dia da consciencia amarela

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