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Eleições 2014

A política econômica de olho no Ibope

Quando a política econômica é refém da campanha eleitoral, não surpreende que tenhamos resultados pífios

A política econômica de olho no Ibope
A inflação medida pelo IPCA acumulada em doze meses superou 6,5% em junho de 2014, com preços livres aumentando 7,3% (Foto:Reprodução/Internet)

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Quando a política econômica é refém da campanha eleitoral, não surpreende que tenhamos resultados pífios, configurados na piada repetida e sem graça, que compara a economia ao insucesso no futebol: os 7% de inflação, se tão pouco, conjugados com o 1% do crescimento econômico, se tanto.

O desejo de acelerar a atividade econômica com expansão do consumo e do crédito, de forma exagerada e sem sustentação com a produção e a oferta, não poderia promover nada diferente do que um índice de preços em ascensão e a tentativa de seu controle heterodoxo sem constrangimentos ou escrúpulos.

Se não, vejamos: a inflação medida pelo IPCA acumulada em doze meses superou 6,5% em junho de 2014, com preços livres aumentando 7,3%, e preços administrados, controlados pelo governo, variando somente 3,9%. Este controle vai das tarifas de transporte público, gasolina, energia elétrica e tudo o mais que depende da canetada de Brasília. É claro que os custos das empresas destes setores sobem pelo índice de preços livres, o que sufoca seu equilíbrio financeiro. Não é sem fundamento que as cotações das ações da Petrobras e Eletrobras na bolsa tenham despencado nos últimos três anos, respectivamente de US$ 33 para US$ 18 e de US$ 12 para US$ 3, numa perda combinada de mais de 50%.

Para falar de um setor ícone pela representatividade, no primeiro semestre de 2014 a produção de veículos foi de 1,5 milhão, 16,7%​​ menos do que​​ os ​1,8 milhão do mesmo período do ano anterior, um desempenho para esquecer. ​No lado social, não havendo investimentos suficientes em saúde, educação e segurança, o índice de desenvolvimento humano deixou “este país” na 79ª posição, pouco lisonjeira, abaixo da Venezuela, Azerbaijão e Jordânia.

Insistindo na mesma tecla, o Banco Central decidiu “estimular a economia” injetando R$ 30 bilhões para os bancos emprestarem para famílias e empresas. Além disso, a autoridade monetária mudou os critérios relativos à exigência mínima de capital para dar crédito em operações de compra no varejo, o que liberará na economia real mais de R$ 15 bilhões.

Dados oficiais do Ministério do Trabalho mostram a menor geração líquida de postos de trabalho formais desde 1992. Pressionada por crédito mais caro e inflação persistente, a parcela de famílias endividadas atualmente está em 63%. Ao mesmo tempo, a parcela da renda das famílias comprometida com dívidas subiu para 30,3% no período, sendo que era 29,2% em julho do ano passado.

A pesquisa apurou que o aumento no percentual de endividados foi notado tanto entre famílias de maior poder aquisitivo quanto às de menor orçamento. Entre as que ganham até dez salários mínimos, aumentou de 63,9% para 64,3% de junho para julho as que admitiram ter dívidas. Já entre aquelas com ganhos acima dessa faixa, subiu de 55,8% para 57% a parcela dos que declararam ter algum tipo de débito.

Isto tudo a 60 dias das eleições presidenciais: quem sabe se obtém também uma inflação na tendência de voto para o governo no IBOPE, se é que a opinião pública continua adormecida, desfazendo a impressão de que o gigante tinha acordado.

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