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Investimento em xeque

A queda no preço do petróleo pode de fato inviabilizar o pré-sal?

Com o preço do barril tão baixo, ainda é economicamente viável investir no pré-sal? Dois especialistas no setor falam ao ‘Opinião e Notícia’ sobre o futuro de um dos maiores projetos do atual governo

A queda no preço do petróleo pode de fato inviabilizar o pré-sal?
O valor do barril, que se mantinha em torno de US$ 110, caiu para US$ 45. Queda colocou em xeque os planos do Brasil (Reprodução/NoticiaJato)

A queda no preço do barril de petróleo levantou dúvidas sobre a viabilidade econômica do pré-sal, uma das bandeiras do atual governo. Referência para a cotação internacional, o preço do barril Brent despencou 60% desde junho do ano passado. O valor do barril, que se mantinha em torno de US$ 110, caiu para cerca de US$ 45.

Entre as causas da queda está o forte investimento dos EUA na produção de gás de xisto, estímulo que fará do país o maior produtor mundial de gás e petróleo. Para conter a concorrência, membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumentaram drasticamente a oferta de petróleo, fazendo o preço do barril despencar.

Essa mudança colocou em xeque os planos do Brasil. Com o preço do barril tão baixo, ainda é economicamente viável investir na exploração e produção do pré-sal?

Para Julio Hegedus Netto, economista-chefe da consultora Lopes Filho & Associados e especialista do Instituto Millenium, o preço está no limite e a Petrobras não tem condições de garantir os investimentos para que a exploração chegue ao ápice.

“Estimativas mostram que o custo médio da produção na Bacia de Santos é de US$ 22 por barril, e, para tornar o pré-sal rentável, US$ 45 o barril. Até chegar ao ápice da produção do pré-sal, muitos investimentos e novas técnicas serão necessários. Neste momento, a Petrobras não tem condições de captar recursos ou viabilizar esses projetos”.

Já Cássia Inez, analista sênior de petróleo e gás da Lopes Filho, a oscilação do preço do barril é algo que deve ser levado em conta. “O que está pesando é a incerteza sobre a cotação futura. Assim como ninguém previu uma queda de mais de 50% do barril, é difícil prever se continuará caindo ou por quanto tempo permanecerá na cotação atual”.

A analista também chama atenção para o modelo de partilha adotado para a exploração. “No caso da Petrobras há ainda questões polêmicas como a obrigação de conteúdo local e o fato de ser a operadora do pré-sal, com participação mínima de 30%. A primeira, para ser flexibilizada, precisaria de alguma mudança de rumo do estratégia do governo atual em relação ao setor e à estatal, o que não parece ser o caso. A segunda teria que passar também por mudança na lei, já que foi aprovada pelo Congresso no âmbito da aprovação do novo marco regulatório do pré-sal. Ou seja, esses pontos estão fora de pauta e até esse momento a Petrobras vem buscando atendê-los”.

Questionada sobre os planos iniciais da Petrobras, de produzir 4 bilhões de barris por dia até 2020, Cássia afirma que a própria estatal reconheceu que essa meta não será alcançada. “A direção da Petrobras já admite que a curva de produção será atenuada devido a um necessário redimensionamento do Plano de Negócios 2015-2019, que inclusive deve ter a divulgação atrasada, possivelmente para o final do primeiro semestre. Para 2015, a empresa planeja investir entre US$ 31 bilhões e US$ 33 bilhões (abaixo dos US$ 42 bilhões antes previstos) para evitar novas dívidas, o que também deve ser buscado em 2016”.

Corrupção na Petrobras afastou investidores

Netto acredita que os escândalos de corrupção também podem afetar os investimentos no pré-sal. “Há o clima de tensão causado pelo atraso da divulgação do balanço, o alto endividamento, a dificuldade de obter financiamento, o rebaixamento pelas agências de rating. Temos também os contratos com as empreiteiras parados, sem perspectiva de retomada, por conta da Operação Lava-Jato. Investir na empresa hoje em dia é algo temerário, uma aposta muito arriscada, um tiro no escuro”.

Tal ideia também é defendida por Cássia. “A Petrobras está mesmo no olho do furacão. Com uma dívida líquida elevadíssima de R$ 261 bilhões, sendo grande parte atrelada ao dólar, e correndo contra o tempo para apurar e apresentar de forma crível as perdas em seus balanços para obter a assinatura dos auditores e cumprir com os prazos legais da CVM e dos credores, de forma a não descumprir as obrigações”.

2 Opiniões

  1. Ney disse:

    Não faz diferença para nos consumidores, tanto faz o Brasil ser o mair produtor de petróleo do mundo ou o preço do petroleo no mundo ser a preço de água aqui no Brasil da Petrobras é sempre preço de ouro.

  2. Joma Bastos disse:

    A queda no preço do barril de petróleo tem viabilidade econômica na exploração do pré-sal, desde que esta seja feita sem CORRUPÇÃO!

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