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Mídia impressa

A renovação ou crise da imprensa?

A internet é um enorme desafio para os jornais

A renovação ou crise da imprensa?
Uma imprensa forte e independente é essencial para a democracia (Foto: Pixabay)

De todos os artigos que li no final de semana nos jornais o que mais me impressionou não foi nenhuma das matérias da área econômica. Na verdade, a cobertura dos jornais impressos na área econômica têm variado muito. Em alguns domingos a cobertura é excelente, mas em outros tem-se a impressão que não estamos no meio de um furação representado por baixa confiança dos empresários, aumento do desemprego, queda da renda real, dificuldade de o governo cumprir com a meta do primário etc.

Há uma lista de temas importantes que poderiam ser abordadas pelos jornais de forma mais profunda em matérias no domingo. Por exemplo, a aprovação do fim do fator previdenciário poderia ter sido a razão para várias matérias sobre a previdência pública e privada no Brasil, inclusive o crescimento projetado pelo governo para despesas do INSS de 2015 a 2018, que sinaliza um crescimento de 0,7 ponto do PIB, maior do que no primeiro governo Dilma. Por que não fizeram isso? Os jornais se concentraram apenas em reportar o fim do fator previdenciário como aprovado no Congresso, sem uma análise mais profunda do tema.

Já no caso do Fies, a cobertura dos jornais foi muito boa com várias matérias sobre o assunto, falhas do programa, críticas das universidades privadas, a defesa do governo para alterar o programa etc.

De qualquer forma, o que me chamou atenção no final de semana foi a matéria do ombudsman da Folha, Vera Guimarães Martins, sobe o enxugamento do jornal (clique aqui). A matéria diz que:

“……a reformulação juntou em três cadernos editorias antes separadas, eliminou seções e colunistas e cortou sem dó um espaço que já não era generoso. “Esporte”, reduzido a uma página às terças e sextas e a duas páginas às quartas e quintas, liderou as reclamações.

“Comida” voltou a ser seção na “Ilustrada”. Integrantes do time de 125 colunistas que o jornal acumulou nos últimos anos vão escrever só no site. Dos seis de “Mundo”, só Clóvis Rossi continua no impresso.”

Acho isso péssimo para o país. Uma imprensa forte e independente é essencial para a democracia e o conteúdo independente da internet para mim não substitui os cuidados do jornalismo profissional impresso (e o impresso publicado digitalmente). A Folha de S. Paulo não é o único jornal a passar por dificuldades. Nos últimos dois anos o Estado de S. Paulo reduziu o seu time e também a Revista Veja.

É verdade é que a internet é um enorme desafio para os jornais. Quem está disposto a pagar por informação de jornais se essas mesmas informações estão disponíveis de graça na internet? Em um país como o Brasil, que nem teve a chance ainda de massificar a leitura de jornais impressos, os jornais impressos (e revistas semanais) terem que passar por uma reestruturação radical é algo que me preocupa, que não gosto e não acho saudável para democracia.

*Mansueto Almeida é economista do Ipea e titular do blog do Mansueto

Fontes:
Blog do Mansueto - A renovação ou crise na imprensa?

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