Início » Brasil » Abertura de faculdades de medicina virou ‘balcão de negócios’
Conselho Federal de Medicina

Abertura de faculdades de medicina virou ‘balcão de negócios’

Levantamento mostra que número de faculdades disparou nos últimos anos; qualidade de ensino ficou em segundo plano

Abertura de faculdades de medicina virou ‘balcão de negócios’
Algumas faculdades não têm a menor estrutura para formar um médico (Fonte: Reprodução/Abril)

Uma reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, mostra a precariedade de novas faculdades de medicina no país, cujas mensalidades chegam a custar até R$ 11 mil.

De acordo com um levantamento inédito do Conselho Federal de Medicina, que fez uma radiografia do ensino médico no país, os novos cursos viraram um balcão de negócios, com a qualidade de ensino em segundo plano. O número de faculdades disparou nos últimos anos — a maioria delas particulares.

Algumas faculdades não têm a menor estrutura para formar um médico, segundo a reportagem. Além disso, alunos atendem sem a supervisão de professores.

Em entrevista ao programa, José Hiram Gallo, conselheiro do Conselho Federal de Medicina, afirmou que “lamentavelmente hoje virou um balcão de negócios a abertura de cursos médicos. Isso é triste. A medicina brasileira está em decadência”.

A reportagem cita o caso de uma nova faculdade de Mineiros, no interior de Goiás, cujas salas de aula e laboratórios estão prontos, mas não há espaço para formação prática. O MEC exige que para cada vaga do curso de medicina são necessários pelo menos cinco leitos do SUS, ou conveniados, para os últimos dois anos do curso dedicados ao internato.

O diretor da faculdade de Mineiros garante que fez convênios para ter todos os leitos necessários — mil, no caso. Mas a promessa inclui hospitais a mais de 400 km de distância da cidade. A Secretaria Estadual de Saúde de Goiás diz, no entanto, que o convênio não existe.

Diante destes problemas, o MEC não autorizou a abertura do curso. A faculdade, entretanto, conseguiu uma liminar para funcionar. A mensalidade do curso é de R$ 7 mil.

Foram abertas 81 escolas médicas no país apenas nos últimos cinco anos. O número representa quase metade do total de faculdades de medicina criadas em mais de 200 anos. A falta de médicos no país é apontada pelo governo federal como justificativa para a necessidade de novas faculdades.

O Brasil tem 1,8 médico por mil habitantes, ficando abaixo da média do continente americano, que é de 2,2, e do europeu, que é de 3,3.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina, nenhuma faculdade da área tirou a nota máxima na última avaliação do Inep. A nota de mais da metade delas foi menor ou igual a três (em uma escala que vai de um a cinco).

Nos últimos 20 anos, o número de denúncias de erros médicos no Conselho Regional de Medicina de São Paulo, por exemplo, aumentou de cinco para 18 por dia, o que tem sido atribuído à má qualidade do ensino nos cursos médicos.

Fontes:
Fantástico - Cursos de medicina sem estrutura crescem e chegam a custar R$ 7 mil

8 Opiniões

  1. José Ney Titericz disse:

    Palhaçada criminosa…

  2. helo disse:

    Construir, inaugurar inúmeras escolas inúteis e de fachada é hoje a prática eleitoreira. Sem planejamento mínimo e sério podem multiplicar canudos sem garantir emprego ou qualificação. Como mantê-las no futuro? Com bolsas no exterior? Quem precisar se tratar na saúde, apelar para a justiça, ver os filhos trabalhando se desespera. Pagamos tantos para se ocuparem do governo. Entretanto o estado cuida de si, de seus salários, indicações de cargos que aumentam apesar da redução anunciada dos ministérios. Crescem as mordomias, viagens, politicagens internas, reuniões com advogados, empreiteiros, marqueteiros, agenda cheia. Não sobra tempo para ouvir a queixa unânime da população em casa, na rua ou no trabalho. Quem cuida do país e do seu presente ou futuro? Só a lava-jato, excelente, não é suficiente, Punir é preciso, mas é preciso governar com trabalho responsável e sério.

  3. Almanakut Brasil disse:

    ” Doutor Rato e o Juramento de Hipócritas”

    youtube.com/watch?v=rA6gigB27VQ

  4. Almanakut Brasil disse:

    Antonio Palocci Filho é médico sanitarista formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

  5. Almanakut Brasil disse:

    Desemprego: Convênios perdem 193 mil usuários

    ANAHP – Associação Nacional de Hospitais Privados

    O mercado de planos de saúde perdeu 193,2 mil usuários no acumulado do primeiro semestre deste ano com o aumento na taxa de desemprego. Trata-se da primeira retração do setor na última década, período em que o número de pessoas com convênio médico aumentou 50% e atingiu 50,7 milhões no ano passado impulsionado pela chegada da classe média no mercado formal de trabalho.

    A queda nos seis primeiros meses de 2015 veio principalmente do segmento de planos de saúde corporativos que perdeu 130 mil usuários. Os números são Agência Nacional da Saúde Suplementar (ANS) que, além de divulgar os dados do segundo trimestre, revisou os dados de 2014 e do primeiro trimestre.

    anahp.com.br/noticias/noticias-do-mercado/desemprego-convenios-perdem-193-mil-usuarios

  6. Joma Bastos disse:

    Aqueles que realmente querem ser médicos, existem muitas boas universidades de excelente nível educacional na Europa e com valores acessíveis nas mensalidades . Há que saber falar e escrever fluentemente espanhol, inglês, francês ou alemão, dependendo do país que escolher, porque as universidades portuguesas estão lotadas.

  7. Isam disse:

    Pobre de nós que dependemos do SUS, vamos morrer por incompetência ou erro médico, com certeza, enquanto as escolas de medicina irão faturar fortunas sem serem responsabilizadas pelas mortes que irão causar.

  8. Joaquim Caldas disse:

    A industria do ensino está esborrando igualzinho ao petróleo nacional.As faculdades particulares de Direito só ensinam in-direitos..Começando pela política que desmoralizou e EDD – Estado Democrático de Direito,e,agora,vulgarizam os ensinos clínicos.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *