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Saúde da mulher

Aborto clandestino é problema de saúde pública, diz governo brasileiro à ONU

Evento da ONU discute igualdade de gênero e eliminação da discriminação contra mulheres no mundo

Aborto clandestino é problema de saúde pública, diz governo brasileiro à ONU
À esquerda, secretária-executiva da Rede Nacional Feminista de Saúde, Clair Castilhos (Alesc / Divulgação)

De acordo com o relatório, elaborado pela Secretaria de Política para Mulheres (SMP), para o evento “Pequim+20”, o aborto clandestino é a quinta causa de morte no país. O evento acontece na 59ª Comissão sobre o Estatuto da Mulher da Organização das Nações Unidas (ONU). O próprio governo brasileiro afirma, no documento, que a situação “configura um problema de saúde pública de significativo impacto”. O relatório também fala sobre a oposição contra o procedimento. “Ainda que a legalização do aborto seja uma reivindicação histórica do movimento feminista, o tema encontra forte oposição do crescente setor conservador e religioso da sociedade, de grande influência no Poder Legislativo”. A informação é do Globo.

O Brasil registra anualmente um milhão de abortos induzidos. Além disso, uma em cada cinco mulheres já adotou essa prática, segundo pesquisa do ano passado do Ministério da Saúde em parceria com organizações de mulheres. Fatores como a alta taxa de cesáreas, o excesso de intervenções desnecessárias, a falta de treinamento de equipes especializadas e a proibição do aborto são algumas barreiras apontadas para que o risco diminua mais no país.

Outra grande preocupação do governo brasileiro e da ONU é a mortalidade materna, tema do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Em 2013, 65 mil mulheres morreram no Brasil por complicações no parto, durante ou depois da gestação, ou causadas por sua interrupção. Atualmente, o Brasil tem 62 casos de morte a cada 100 mil nascimentos, de acordo com o Ministério da Saúde. A meta estabelecida até o fim deste ano pelo ODM, da ONU, era chegar a uma taxa de 35 mortes por 100 mil nascimentos.

A secretária-executiva da Rede Nacional Feminista de Saúde, Clair Castilhos, afirma que, mesmo com a diminuição da mortalidade materna, o índice atual ainda é inaceitável. “O ideal é que seja de 10 mortes a cada 100 mil nascimentos. Nós já atingimos 113. Mas não vamos conseguir melhorar enquanto não houver um pré-natal adequado, atendimento de UTI neonatal, um plano de atenção integral que contemple ações preventivas e curativas, com os três níveis da integralidade que o SUS preconiza: promoção, proteção e recuperação”, afirma Clair.

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), que foi criada em 2004 após recomendações da ONU, não tem funcionado na prática nos últimos anos, segundo a secretária-executiva. “Nós nunca conseguimos fazer que um programa de assistência integral à saúde da mulher fosse totalmente implantado e um dos motivos são as questões religiosas, porque, na saúde integral, está embutido a questão do aborto e dos anticonceptivos. Com esse Congresso é impossível discutir aborto, por exemplo, mas nada disso vai impedir que continuemos lutando pela legalização, não vamos nos intimidar com esse (presidente da Câmara) Eduardo Cunha (PMDB). Além disso, estamos alinhados com as propostas de globalização neoliberal que não aceitam políticas de universalização como a do SUS. É preciso fazer um resgate desse sistema”, completa.

O evento Pequim+20 faz parte de um acordo mundial para trabalhar pela igualdade de gênero e para eliminar a discriminação contra mulheres e meninas em todo o mundo. O Dia Internacional da Mulher 2015 foi dedicado ao Pequim+20. Uma reunião de alto nível está prevista para setembro de 2015, segundo o Centro Regional de Informações das Nações Unidas.

 

Fontes:
O Globo-Governo afirma à ONU que aborto clandestino no país é problema de saúde pública
Unric-ONU Mulheres lança campanha de um ano para construir um mundo onde a igualdade de gênero é uma realidade

1 Opinião

  1. maria tereza disse:

    A ONU ao invés de está preocupadíssima e estudando uma forma de sanar o problema da violência dos “Xiitas mulçumanos” no mundo, não; está ativando a insensatez do PT em levar avante essa imoralidade sem precedente: igualdade de gênero e a lei para matar inocentes. Nosso País está repleto de problemas sérios e gravíssimos para se pensar nestes devaneios de uma minoria sem Amor e sem Deus

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