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Academia Brasileira de Letras renova sua confraria

Imortais escolhem o diplomata João Almino para a vaga de Ivo Pitanguy. Amanhã, votarão no sucessor de Ferreira Gullar

Academia Brasileira de Letras renova sua confraria
Almino é diplomata de carreira e ocupará a cadeira 22, do falecido Ivo Pitanguy (Foto: Divulgação)

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O embaixador João Almino foi eleito por unanimidade para a Academia Brasileira de Letras nesta quarta-feira, 9. Ele assume a cadeira  22, do falecido médico Ivo Pitanguy, morto em agosto no ano passado.

Diplomata de carreira, Almino é mais um imortal para quem a literatura é uma atividade secundária. Serviu em Madri, Washington, São Francisco, Miami e Chicago e chegou a dirigir o Instituto Rio Branco. É bacharel em direito pela UERJ e mestre em sociologia pela UNB. Defendeu tese de doutorado em História Comparada das Civilizações Contemporâneas em 1980 pela Ecole dês Hautes Etudes em Sciences Sociales, de Paris.

Publicou ensaios literários, de história e filosofia política, e é autor de seis romances aclamados pela crítica – Ideias para onde passar o fim do mundo; Samba-enredo; As cinco estações do amor; O livro das emoções; Cidade livre e Enigmas da primavera.  Alguns desses livros foram traduzidos para o inglês, francês, espanhol, italiano e outras línguas.

Esta foi a segunda votação para eleger o sucessor de Pitanguy. Em novembro do ano passado houve uma votação, em que os favoritos eram o cientista político Francisco Weffort e o poeta Antonio Cicero, mas nenhum deles obteve a maioria simples necessária para ser escolhido.

Nesta quinta-feira, 9, os imortais também escolherão o sucessor de Ferreira Gullar. Entre os favoritos estão o presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Arno Wehling, e novamente o poeta Antonio Cicero.

Sem querer discutir a qualidade das obras de Almino, sua eleição reacende o debate sobre se a ABL representa, como deveria, o pensamento do conjunto de escritores brasileiros ou se a escolha de seus integrantes é algo puramente político. Por que, por exemplo, escritores e poetas renomados, como Carlos Drummond de Andrade, Monteiro Lobato, Graciliano Ramos, Gilberto Freyre, Érico Veríssimo, Sérgio Buarque de Holanda, Vinícius de Morais, entre outros, nunca fizeram parte da Academia?

Em “A Academia do Fardão e da Confusão: a Academia Brasileira de Letras e os seus ‘Imortais’ mortais, o jornalista Fernando Jorge critica a eleição de “personalidades” para a ABL, isto é, pessoas consideradas influentes na sociedade mas cuja principal ocupação não é a literatura e que, muitas vezes, produziram obras sem valor literário apenas para serem eleitos.

Além disso, estranhamente, o estatuto da ABL ainda decreta que o centro literário do Brasil é o Rio de Janeiro (capital federal no ano da sua fundação) e exige que pelo menos 25 dos 40 imortais tenham nascido ou residam permanentemente no Rio. Para eleições, em primeira assembleia, a ABL exige a maioria absoluta desses membros residentes no Rio.

 

Fontes:
ABL - ABL elege, por unanimidade, o embaixador e escritor João Almino para a cadeira 22, na sucessão do Acadêmico Ivo Pitanguy

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