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AUMENTO DE MORTES

Acidentes fatais envolvendo mineradoras aumentaram em 2015

Enquanto mineradoras promovem cortes de custos para se adequar à queda no preço do minério, número de mortos em minas sobe

Acidentes fatais envolvendo mineradoras aumentaram em 2015
Segurança implementada nos últimos anos pode estar com os dias contados (Foto: ABr)

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Ainda é cedo para calcular a exata extensão dos danos causados pelo acidente que inundou de lama distritos de Minas Gerais. O rompimento das barragens foi por um vazamento, mas serve para engrossar uma sombria realidade apontada no último domingo, 8, em uma reportagem do jornal Wall Street Journal.

Dados levantados pelo jornal mostram que mineradoras de vários países registraram um aumento no número de acidentes fatais em 2015, ano em que muitas delas estão promovendo severos cortes de custos para permanecerem rentáveis numa época em que o preço das commodities, como o minério de ferro, sofre uma brusca queda.

O texto cita como exemplo a BHP Billiton, maior mineradora do mundo que, junto com a Vale, controla a Samarco. Segundo o jornal, a mineradora anglo-australiana é conhecida pela obsessão pela segurança em suas minas. Mesmo assim, de junho de 2014 a junho deste ano, ocorreram um total de cinco acidentes fatais em minas que a BHP opera na Austrália, Chile e África do Sul. De junho de 2013 a junho de 2014, nenhum acidente foi registrado.

Outra mineradora anglo-australiana, a Rio Tinto, registrou três mortes em suas minas nos primeiros oito meses deste ano. No primeiro semestre deste ano, o conglomerado de mineração anglo-americano PLC já registrou quatro mortes em minas que opera. Durante todo o ano de 2014, foram seis mortes registradas.

O aumento de acidentes fatais ocorre em pleno momento que as mineradoras afirmam tomar medidas para reduzir o número de funcionários mortos. Na semana passada, Andrew Harding, chefe do departamento de minério de ferro da Rio Tinto, afirmou que a segurança nas minas aumentou nas últimas décadas. “Há vinte anos, segurança não era a prioridade da Rio Tinto”, disse Harding, ressaltando que o assunto agora é tema de abertura de toda as reuniões da empresa.

No entanto, David Cliff, professor de Saúde e Segurança em minas da Universidade de Queensland, Austrália, alertou em um artigo recente que o sucesso alcançado nos últimos anos pode estar com os dias contados. Segundo Cliff, a pressão das mineradoras para aumentar a produtividade e cortar custos pode levar a um retrocesso na melhoria da segurança. “Há um perigo real de que o desempenho na saúde e segurança em países desenvolvidos vai piorar em vez de melhorar.

Fontes:
The Wall Street Journal-Brazil Dam Breach Casts Spotlight on Mine Safety

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