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Acordo libera Fiocruz a publicar estudo sobre drogas censurado pelo governo

Pesquisa nacional investigou o consumo de substâncias lícitas e ilícitas por brasileiros, mas estava engavetada pelo governo federal

Acordo libera Fiocruz a publicar estudo sobre drogas censurado pelo governo
O Opinião & Notícia buscou alguns capítulos e itens interessantes da pesquisa (Foto: EBC)

Graças a um acordo entre a Advocacia Geral da União (AGU), o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), finalmente foi liberado para publicação o 3º Levantamento Nacional Domiciliar sobre o Uso de Drogas. A pesquisa nacional investigou o consumo de substâncias lícitas e ilícitas por brasileiros, mas estava engavetada pelo governo brasileiro na Secretaria Nacional de Política de Drogas (Senad) – órgão do Ministério da Justiça – apesar de ter sido liberada pelo ministro Sergio Moro.

O estudo custou R$ 7 milhões e considerou 16.273 questionários em 351 municípios brasileiros espalhados em todos os 138 estratos em que está dividido o território brasileiro. Curiosamente, somente o site The Intercept Brasil havia publicado a pesquisa. A despeito dos propalados “problemas metodológicos”, o resumo da ópera é o seguinte: o Brasil está longe de experimentar uma epidemia de usuários de crack – uma vez que o levantamento mostra que somente 0,9% da população experimentou a droga alguma vez na vida.

A despeito disso, o atual ministro da Cidadania, Osmar Terra, diz não confiar no estudo: “A Fiocruz tem viés de defender a liberação das drogas”, afirmou. E mais: o governo exige que a Fiocruz devolva os R$ 7 milhões gastos na pesquisa, alegando que a instituição não cumpriu o edital – o que está sendo avaliado pela Advocacia Geral da União.

Mas afinal, do que trata o levantamento?

Por enquanto, a imprensa ainda se dedica a discutir somente o imbróglio político e institucional provocado pelo estudo do que revelar detalhes das 519 páginas da publicação. Como não existe um sumário, oOpinião & Notícia buscou alguns capítulos e itens mais relevantes do que as meras fórmulas e metodologias da pesquisa.

Um dos capítulos, por exemplo, trata das percepções de adolescentes (menores de 18 anos) em relação à obtenção de drogas. “Proporções estatisticamente significativas” consideraram muito fácil obter cocaína, crack, anabolizantes, estimulantes anfetamínicos, medicamentos tarja preta e solventes – quando comparados a maiores de 18 anos. O mesmo se aplica à maconha, LSD e ecstasy – também de fácil acesso aos maiores de idade.

O estudo observou a “inserção” dos indivíduos em diferentes redes sociais e a utilização da internet na propagação e comercialização de produtos de uso ilícito, “de acesso a sites que veiculam e disponibilizam produtos fora do mercado regular”.

Sobre o risco do uso de drogas ilícitas, a pesquisa destacou que “as mulheres (77,4% delas) e pessoas de 45 a 54 anos (78,3% delas) e de 55 a 65 anos (78,8% delas) são as que mais consideram como um ‘risco grave’ o consumo de cocaína uma de vez ao mês”.

Leia mais: Governo veta divulgação de pesquisa da Fiocruz sobre drogas

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