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Acidente aéreo

Aeronáutica aponta falhas humanas no acidente que matou Eduardo Campos

Investigação indica falta de treinamento do piloto como uma das causas do acidente

Aeronáutica aponta falhas humanas no acidente que matou Eduardo Campos
Homenagens ao candidato, morto em acidente aéreo, no cemitério de Santo Amaro, em Recife (PE) (Reprodução/ Marlon Costa/Futura Press/Folhapress)

De acordo com informações divulgadas pelo Estado de S. Paulo sobre  as investigações da Aeronáutica, o acidente que matou o candidato à presidência Eduardo Campos, do PSB, em agosto de 2014, foi resultado de uma sequência de falhas do piloto Marcos Martins. O jornal  informou que houve desde falta de treinamento do piloto para aquele avião até o uso de um “atalho” para acelerar o procedimento de descida.

Segundo o veículo, o piloto teve que abortar o pouso e arremeter bruscamente, operando os aparelhos em desacordo com as recomendações do fabricante do avião. Com isso, ele acabou por sofrer o que é tecnicamente descrito como “desorientação espacial”, ou seja, quando o piloto perde a referência do avião em relação ao solo. Ele não sabe se está voando para cima, para baixo, em posição normal, de lado ou ponta cabeça. Essa conclusão foi baseada em informações sobre os últimos segundos do voo, no momento em que o avião embicou num ângulo de 70 graus e em potência máxima, como se o piloto acelerasse pensando que estava em movimento de subida, quando na verdade estava voando para baixo, rumo ao solo.

De acordo com o Globo, o irmão de Eduardo Campos, o advogado Antônio Campos, desconfia dessa possível conclusão. Em nota, ele afirma que os laudos do Centro de Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa) tratam de possibilidades em relação ao acidente, e não de conclusões.

“É estranho que se tenha acesso às investigações da Aeronáutica e se divulgue conclusões antes da divulgação pelo órgão competente. (…) O Cenipa não está fazendo todas as perícias do caso e não pode ter uma visão global do acidente”, escreveu.

Falhas e condições

Segundo dados divulgados pelo Estado de S. Paulo, além de levantar o perfil psicológico, pessoal e profissional dos dois pilotos nesses últimos cinco meses de investigação, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, órgão da Aeronáutica (Cenipa), listou uma sequência de falhas de Marcos Martins antes e durante o voo.

Nenhum indício de falha técnica ou de operação do sistema aeronáutico foi encontrado. As duas turbinas foram detalhadamente analisadas e estavam em perfeitas condições de uso. No entanto, a caixa-preta de voz não foi útil para as conclusões, já que estava desligada, não gravando as conversas durante o voo.

Segundo os investigadores, Martins não estava treinado para a aeronave nova e sofisticada, Cesna 560 XL, concluída em 2010. O piloto nunca tinha passado pelo simulador.

Além disso, há registros de que a relação entre os dois pilotos não era boa. Eles já tinham um histórico de atritos e o copiloto teria, inclusive, pedido para não mais voar com Martins, que, em redes sociais, se disse “cansadaço” dias antes do acidente.

Essas falhas foram agravadas pelo tempo fechado, com muita chuva, e pela pista da Base de Santos, curta e entre picos, que é considerada difícil mesmo para pilotos experientes e em boas condições de tempo.

Segundo os investigadores da Aeronáutica, Martins cometeu o erro que deflagrou todo o desfecho trágico, já que ele desdenhou da rota determinada pelos manuais para o pouso na Base de Santos e não fez a manobra exigida para aquela pista. Ele tentou pousar direto, de primeira.

Depois que percebeu que não conseguiria pousar, ele foi obrigado a arremeter bruscamente. A manobra é considerada a prova de desorientação do piloto.

Acidente

O acidente ocorreu na manhã de 13 de agosto de 2014, quando o Cessna 560 XL saiu do aeroporto Santos Dumont, no Rio, rumo à Base Aérea de Santos, no Guarujá, em São Paulo. Por volta de 10h, a aeronave caiu em Santos, no bairro Boqueirão. Além de Eduardo Campos, morreram quatro assessores dele, o piloto e o copiloto Geraldo Magela Barbosa.

O desastre aéreo chocou o país ao matar o candidato, mudando o rumo da campanha eleitoral. Aos 49 anos, o pernambucano estava em ascensão na carreira política.

Fontes:
Estado de S. Paulo-Acidente que matou Campos foi sucessão de falhas humanas, conclui Aeronáutica
Folha de S. Paulo-Aeronáutica aponta falha do piloto em acidente que matou Campos, diz jornal
O Globo- Irmão de Eduardo Campos questiona informação de que acidente foi causado por falha humana

2 Opiniões

  1. Henrique de Almeida Lara disse:

    É muito fácil acusar quem está morto, pois ele já está presente para se defender!

  2. Carlos U Pozzobon disse:

    Esta conclusão é totalmente estapafúrdia.

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