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Água é um bem finito, estratégico e de segurança nacional

Discussão sobre o Paraíba do Sul deveria ter um olhar federal e responsável

Água é um bem finito, estratégico e de segurança nacional
A transposição das águas do Rio Paraíba do Sul não é assunto banal (Reprodução/Internet)

Nos últimos meses, o país experimentou a pior estiagem desde 1943. O episódio serviu para mostrar que, apesar de sermos o país com o maior volume de reservas de água doce do planeta, abundância tem limites. A despeito disso, a distribuição não é equânime: 80% dessas reservas ficam na região amazônica, atendendo a somente 5% da população brasileira. Simples matemática: os outros 95% ficam com os 20% de água restantes.

Estudo divulgado pela Comissão Pastoral da Terra revela que, em 2013, o país teve um conflito a cada quatro dias motivado por escassez de água. Foram 93 em dezenove diferentes estados da Federação.

O ano de 2014 deverá registrar muito mais do que isso haja vista o embate entre os governos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro pela água do Rio Paraíba do Sul – que promete se transformar em longa batalha política e judicial.

Desmatamentos e estiagem têm consequências dramáticas e, somente este ano, podem ter dizimado – o país não tem um levantamento sobre isso – milhares de nascentes ao longo de nosso território. Além disso, segundo a ONG SOS Mata Atlântica, cerca de 40% de 96 rios, córregos e lagos das regiões Sul e Sudeste têm qualidade ruim ou péssima – imprópria para o consumo.

Água é um bem finito, estratégico e de segurança nacional. Difícil entender porque nossas mais importantes fontes de água mineral foram entregues – de mão beijada – à administração da multinacional Nestlé.

De toda a água existente no planeta, somente 2,5% não são salgadas. Como 70% deste pequeno estoque está nas geleiras, os seres vivos contam com menos de 1% de água própria para o consumo. É com isto que a humanidade sobrevive.

Juntas, a China e a Índia têm um terço da população mundial e menos de 10% de toda a água existente no planeta. Isso ocorre porque a água é um bem local. Seu transporte é impraticável, uma vez que um metro cúbico – mil litros – pesa uma tonelada. Ao longo da História, povos lutaram por água e pela ocupação das margens dos rios.

Além de sua reserva hídrica aparente e flagrante, o Brasil ainda tem dois tesouros enterrados: o Alter do Chão e o Aquífero Guarani. Prepare-se para os números: o primeiro tem aproximadamente 85 mil km³ de água enquanto o segundo – e mais conhecido – tem 45 mil km³.

Jornalista aprende na faculdade a não chamar água de “precioso líquido”. A transposição das águas do Rio Paraíba do Sul não é assunto banal. E, assim como o controle das nossas águas federais – minerais, fluviais ou subterrâneas – deveria ser tratado por um olhar federal e responsável.

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