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Operação Lava-Jato

Alberto Youssef pode ser solto antes de 2017

Colaboração com a PF rendeu ao principal delator da Lava-Jato a pena mínima estipulada em seu acordo, diz 'New York Times'

Alberto Youssef pode ser solto antes de 2017
O doleiro Alberto Youssef é o principal delator do esquema de corrupção na Petrobras (Foto: Agência Senado)

O jornal New York Times publicou uma matéria extensa sobre o escândalo da Petrobras na última sexta-feira, 07, resumindo os trabalhos da Operação Lava-Jato, os estragos ao país e incluindo uma informação pouco divulgada até agora aqui no Brasil. Graças ao acordo de delação premiada, a reportagem diz que, até o início de 2017, o principal delator do esquema, Alberto Youssef, estará em liberdade.

“Uma pessoa que estará comemorando em pouco tempo é Alberto Youssef. O estresse e a prisão o transformaram em um homem de cabelos grisalhos, 18 quilos mais magro, que sofreu um ataque cardíaco no ano passado. Sua esposa o divorciou e dizem que ele está pobre. Seus dias como movimentador de dinheiro e presentes ficaram para trás. Mas o juiz Moro determinou que sua colaboração tem sido tão útil que ele recebeu a sentença mínima permitida em seu acordo de delação. Com o tempo de prisão que ele já cumpriu, até o início de 2017 ele estará livre”, diz o New York Times.

Balanço do escândalo

A reportagem resume os feitos da Operação Lava-Jato até o momento. Ela é responsável por 117 indiciamentos, cinco políticos presos e processos criminais instaurados contra 13 empresas. Funcionários da Petrobras estimam o valor total pago em propina em quase US $ 3 bilhões, uma cifra que faz o escândalo na Fifa parecer o trabalho de amadores.

O petróleo é fundamental para a economia do Brasil, e a Petrobras sempre teve um papel de liderança. Na época em que era a sexta maior empresa do mundo em termos de capitalização de mercado, a estatal representava cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. A título de comparação, a Apple, que tem duas vezes o valor de mercado de pico da Petrobras, representa 0,5% do produto interno bruto dos Estados Unidos.

No ano passado, a Petrobras perdeu mais de metade de seu valor de mercado, ou cerca de US$ 70 bilhões. Parte disso se deve à queda mundial dos preços do petróleo, mas nenhum dos rivais da empresa foi punido tão severamente.

O mergulho da Petrobras é tão cataclísmico, de acordo com analistas, que ele é uma das principais razões que a economia deverá se contrair em mais de um ponto percentual este ano. O desemprego está alto, e a Standard & Poors cortou o rating da dívida de longo prazo do país.

Tudo isso provocou algo que transcende a indignação. Os brasileiros estão no meio de uma crise de identidade.

A corrupção generalizada coloca o país em 69º lugar em uma lista da ONG Transparência Internacional incluindo 175 países classificados por quão corrupto seus setores públicos parecem ser.

O problema provoca repulsa generalizada, mas as pesquisas também mostram que 70% dos brasileiros aceitariam benefícios ilegais se estivessem em um emprego público e tivessem a chance, diz o jornal.

Fontes:
The New York Times - Petrobras Oil Scandal Leaves Brazilians Lamenting a Lost Dream

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