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Algo de podre no reino do petróleo

Por que a Astra Oil Co. embolsou da Petrobras US$ 1,180 bilhão por uma refinaria que em 2005 lhe custara US$ 42,5 milhões?

Algo de podre no reino do petróleo
Petrobras amargou prejuízo bilionário com a compra da refinaria americana (Reprodução/Petrobras)

No início de 2005 a refinaria Pasadena Refining System, de Pasadena, no Texas, foi adquirida pela empresa belga Astra Oil Company, pela quantia de US$ 42,5 milhões; em setembro de 2006 a Astra alienou à Petrobras 50% da refinaria mediante o pagamento de US$ 360 milhões, ou seja, vendeu metade da refinaria por mais de oito vezes o que pagara pela refinaria inteira, um ano e meio antes. Não seria de estranhar, por conseguinte, que a Astra Oil Co. pretendesse vender os 50% que permaneciam no seu patrimônio. Ocorre que, por desentendimentos cuja natureza ignoro, a Astra ajuizou ação contra a Petrobras e nela a Petrobras teria sido condenada e, mercê de acordo extrajudicial, pagou à Astra US$ 820 milhões, pondo fim ao litígio.

Somadas as duas parcelas, US$ 360 milhões em setembro de 2006 e US$ 820 milhões em junho de 2009, a Astra Oil Co. embolsou da Petrobras US$ 1,180 bilhão por uma refinaria que em 2005 lhe custara US$ 42,5 milhões.

Este o resumo do caso, do começo ao fim, havido entre a Astra Oil Co. e a Petrobras. Inépcia? Leviandade? Gestão temerária? Prevaricação? Outras causas? Não sei, o que sei é que o insólito fenômeno rompe todos os critérios atinentes a qualquer negócio e particularmente em relação a uma empresa que, embora de natureza privada pertence à nação, sua maior acionista.

Ora, não é de supor-se que o representante de uma das maiores empresas do país, afeita a lidar com milhões e bilhões, pudesse ser um parvo, um bonifrate, um pateta. No entanto, os números são constrangedores. De uma refinaria adquirida por US$ 42,5 milhões, em 2005, 50% dela no ano seguinte foi alienada por US$ 360 milhões e os outros 50% também transferida à Petrobras mediante o pagamento de US$ 820 milhões; somados os dois pagamentos, vale a repetição, atingem a US$ 1,180 bilhão. Dir-se-á que para zerar todos os litígios, teria entrado o “valor estratégico”… capaz de assegurar a duplicação da capacidade da refinaria, e revelar os segredos do fundo do mar no Golfo do México, mas sabe a chacota. Não surpreende que quando se conheceram os números do negócio, estes como o valor “estratégico” passavam a ser contestados.

Este o caso até onde sei e o que sei é o que tem sido divulgado. Com efeito, ele vem sendo abordado pelos meios de comunicação e até agora não se sabe de nenhuma providência que tivesse sido tomada. O assunto não é agradável, mas nem por isso pode ser mantido sob o comodismo do silêncio. Repito a sentença do Padre Vieira, “a omissão é um pecado que se faz não fazendo”. É evidente que a senhora presidente da República tem todas as condições para o cabal esclarecimento da singular operação. Entre nós quando se fala em comissão esta terá de ser de “alto nível” e quando se trata de inquérito ele há de ser “rigoroso”. Ora, quando o substantivo precisa da bengala do adjetivo o remédio é outro. Sempre entendi que os inquéritos não podem nem devem ser “rigorosos”, nem flácidos; respeitadas as garantias de defesa, a diligência, a isenção, a tempestividade e a obediência aos prazos legais, substituem com vantagem o rigor. Nada de rigorismo ou lassidão, bastam legalidade e pontualidade; em uma palavra: a exação.

 

Fontes:
Instituto Millenium - Algo de podre no reino do petróleo

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9 Opiniões

  1. Marluizo Pires Cruz disse:

    Existe diferença entre vender barato e comprar caro a formação do patrimônio do país. No Brasil a diferença depende de quem está no Poder. Por isso estamos a 513 anos em desenvolvimento sem ser desenvolvido.

  2. Rafael Sarnelli disse:

    Conclusão: VOTOU PT, VOTOU LADRÃO!!!

  3. helo disse:

    Raymundo,
    O governo brasileiro fez o negócio. Se há maracutaia a investigar, deveria começar por aqui.

  4. RAYMUNDO AUGUSTO D'ALMEIDA disse:

    Como é que a Petrobras entra nessa?
    Será que uma empresa de petróleo não sabe das maracutaias existentes pelos países?
    Não dá para acreditar que uma empresa conhecida internacionalmente adquire uma outra com valor puramente triplicado?
    Onde está o departamento jurídico para acionar contra a ASTRA?

  5. Tucson disse:

    ESSAS NOTÍCIAS PROVOCA A INDIGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS PELAS SACANAGENS BILIONÁRIAS, por isso é necessario o MARCO REGULATÓRIO DA IMPRENSA que os petralhas tipo lulla, dirceu, top top garcia, falcão sonham para calar a imprensa e esses bandidos continuarem a roubar a vontade e sem punição.
    É impressionante as oportunidades que o Brasil está perdendo desde que esses larápios tomaram o poder e a economia mundial ficou surfando em ondas positivas por tantos anos. Não perdemos uma década, estamos perdendo o bonde da história que foi iniciada pelo PLANO REAL, o qual devagar está sendo jogado no lixo.

  6. renato vasconcellos disse:

    AINDA TEM A REFINARIA COM O COMPANHEIRO CHAVEZ QUE GEROU TAMBÉM GRANDE PREJUIZO PARA “A NOSSA” PETROBRAS E O TIME É O MESMO TENDO OLULA COMO TECNICO

  7. Miguel Meira disse:

    Não existe nada de estranho porque esta é a explicação do porquê o povo brasileiro tem que pagar o petróleo brasileiro a preço internacional (pergunta se na Venezuela o povo venezuelano paga o seu petróleo a preço internacional ?) mesmo não recebendo a sua hora trabalhada a preço internacional.
    É este o motivo (mais as participações no Japão, Argentina, Bolívia, África, todas à venda hoje mas ninguém quer pagar por elas o que a BR pagou quando as comprou) porque o Brasil ainda não é auto suficiente em petróleo. O dinheiro que deveria ser aplicado aqui, é desviado para fazer maracutaias lá fora. Portanto não há nada de estranho: os trâmites normas estão sendo seguidos há anos. A BR é sim um poço de alta corrupção, desde a fundação de qualquer obra até ao último andar ocupado, talvez, pela grande diretoria. Acho que atualmente, pouquíssima gente deva estar isenta.
    Neste caso, acho que nem o STF daria jeito em tanta sacanagem. Seriam necessários séculos para passa a BR a limpo.

  8. helo disse:

    Realmente há algo de podre: a Astra pagou pela refinaria 42 milhões, a Petrobrás pagou a Astra hum bilhão e a refinaria não produz. Essa diferença diria que é mais que constrangedora e merecia um inquérito. Já que Gabrielli, o gestor, Dirceu o negociador, Dilma então no Conselho da Petrobrás nada explicaram, um inquérito poderá revelar bem mais que inépcia, gestão temerária ou prevaricação como sugere o artigo.

  9. Adão Luiz Souza disse:

    A resposta é muito simples. Fazer caixa para a campanha de 2014.

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