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Tiro no pé?

Aliança com Marina pode prejudicar Eduardo Campos?

A paradoxal aliança pode trazer mais problemas do que benefícios para governador de Pernambuco

Aliança com Marina pode prejudicar Eduardo Campos?
Após declarações de Marina, Eduardo Campos perdeu o apoio político da bancada ruralista (Reprodução/Internet)

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A paradoxal aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos continua dando o que falar até no exterior. Uma matéria publicada pela revista Economist nesta quinta-feira, 10, questiona o futuro político da parceria e lista algumas possíveis fontes de discórdia.

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Segundo a revista, a popularidade de Marina vem caindo desde o auge alcançado durante os protestos de junho. Além disso, não há nenhuma garantia de que os votos da ex-senadora serão transferidos para Campos, já que muitos simpatizantes do Rede Sustentabilidade se decepcionaram com a escolha da ex-senadora. Há também a questão do Rede não ter conseguido registro dentro do prazo para participar das eleições, o que impede que a entrada de Marina no PSB se traduza em mais tempo de televisão para a campanha do partido, algo que no Brasil tem grande impacto no resultado das eleições.

A principal dúvida levantada pela revista é como a aliança vai conciliar o ambientalismo de Marina com o perfil voltado ao desenvolvimento econômico e industrial de Campos. Durante sua gestão como governador, Campos já foi acusado inúmeras vezes de negligenciar a política ambiental. No mês passado, o Porto de Suape, um dos principais empreendimentos de Campos em Pernambuco, foi multado em R$ 2,5 milhões por usar explosivos para destruir uma barreira de arrecifes que impedia a passagem de navios.

A Economist lembra ainda que Dilma Rousseff está recuperando a popularidade perdida durante os protestos de rua e diz que talvez a aliança Marina-Campos seja uma ameaça mais forte para Aécio Neves do que para a presidente.

Campos começa a perder apoio político

Criada sob o argumento de oferecer uma terceira opção ao eleitor, a aliança entre Marina e Campos já começou a trazer problemas na base do governador de Pernambuco.

Na última terça-feira, 8, a ex-ministra disse que na aliança “não haverá lugar para inimigos históricos dos trabalhadores rurais”. A declaração era uma referência ao deputado Ronaldo Caiado (DEM). Um dos principais nomes da bancada ruralista. Caiado declarou apoio a Campos e ensaiava uma aliança com o PSB, mas a manutenção do apoio a Campos de dois arqui-inimigos tornou-se inviável, e o candidato optou por Marina.

O deputado se irritou quando Campos declarou que a aliança com ele, que é um dos principais nomes da bancada ruralista no Congresso, não estava selada e precisaria ser revista.  “Não entendo como alguém quer chegar à presidência excluindo ou fechando as portas ao setor rural”, desabafou Caiado. A bancada ruralista classificou a declaração de Marina como preconceituosa e a de Campos como uma esnobada e resolveu dar por encerrada as negociações de apoio à candidatura do governador.

Em artigo para o “Instituto Liberal”, o diretor da casa Bernardo Santoro lamenta a decisão de Campos, argumentando que é um erro virar as costas para o agronegócio, e muito pior, atacá-lo.

“O agronegócio é o futuro do país, pois temos vantagem absolutas e comparativas em relação a outros países, seja pela extensão de terra, pelo clima ou pelo pessoal e empresas especializados. O que impede a plena realização dessa prosperidade é a falta de infraestrutura, a burocracia, a legislação ambiental, a indústria da reforma agrária e o protecionismo bilateral. Marina Silva é a personificação de vários desses obstáculos”, diz Santoro.

 

Fontes:
The Economist-Power couple
Instituto Liberal - A escolha de Eduardo Campos

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2 Opiniões

  1. Mauricio Fernandez disse:

    Especula-se. Nada mais. O que é verdade no PT se traveste em mil suposições, todas no intento de confundir o eleitor. Enquanto isso, insistem em uma roupagem de realidade para as especulações em torno de Marina e Campos. A oposição – se é que a temos, faz seu papel, o PT é quem não encontrou o caminho ainda e alardeia vencer no primeiro turno ou admite um segundo turno mas com ampla vantagem. Não sabemos sobre que bases o PT faz tais projeções. Se for apoiado no bolsa família terá uma grande desilusão. Lula o qual respeitamos muito, continua achando que inventou a pólvora. A capacidade dos EUA de executar políticas é tão grande que se prepararam até para a possibilidade de um negro chegar a presidência, (o inimaginável). Lula que consegue elaborar alguns prodígios não encontra relação entre os fatos, algo o incapacita de traduzir o que ocorre embaixo do seu nariz.

  2. Beraldo Dabés Filho disse:

    Eduardo Campos trai a memória de Miguel Arraes, Dilma idem com o Lula e Aécio Neves idem com Tancredo Neves. Com este trio “Iscariotes”, o PT fatura no primeiro turno em 2014, com qualquer candidato. Os dois cheiram mal e ela não fede nem cheira.
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