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Avanço dos evangélicos

América Latina está perdendo sua identidade católica

Estudo mostra o avanço generalizado dos evangélicos em uma região historicamente católica

América Latina está perdendo sua identidade católica
O que está impulsionando o avanço do protestantismo evangélico na América Latina? (Ilustração/Pew)

A América Latina está passando por uma mudança religiosa significativa. Desde a década de 1970 o continente mais católico do mundo vem se tornando cada vez menos católico. Essa tendência não mostra sinais de se reverter, de acordo com um novo estudo do Centro de Pesquisas Pew, um centro de pesquisas em Washington.

O estudo revela que apenas 69% dos adultos latino-americanos se autodenominam católicos, abaixo dos 92% em 1970. Os evangélicos  protestantes hoje representam 19%, muito acima dos 4% registrados em 1970. Nestes últimos 45 anos, a proporção de pessoas sem filiação religiosa também aumentou de 1% para 8% — embora a maioria ainda diz acreditar em Deus.

O estudo encontrou variações acentuadas. Em quatro países da América Centra — El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua, quase metade da população ainda é católica. No Brasil, 61% dos entrevistados disseram ser católicos, e 26% evangélicos. Em muitos outros países ainda há uma ampla maioria católica. Seja qual for a denominação, a maioria dos latino-americanos permanece profundamente religiosa. O Uruguai é a única exceção.

Duas coisas distinguem o evangelismo latino-americano. Em primeiro lugar, ele é principalmente resultado da conversão. Em segundo lugar, dois terços dos evangélicos da região se definem como pentecostais. Muito mais frequentemente do que os católicos eles relatam ter experiências diretas do Espírito Santo através de exorcismos ou falando em línguas.

O que está por trás da mudança?

O que está causando essa mudança para o evangelismo? Acadêmicos tem várias hipóteses. Alguns sustentam que o pentecostalismo ressoa com crenças ameríndias e afro-latino-americanas no mundo espiritual. Mas o Pew descobriu que muitos católicos na América Latina também mantêm tais crenças.

Uma segunda teoria sublinha o apelo do evangelismo para migrantes urbanos. David Stoll, antropólogo da Middlebury College, em Vermont, EUA, observa que tais pessoas geralmente se afastaram de suas famílias, atenuando suas redes de apoio. As igrejas evangélicas tendem a operar em “princípios familiares semelhantes”, diz ele.

De acordo com o Pew, aqueles que se converteram evangélicos tendem a dar como as principais razões a busca por uma conexão mais pessoal com Deus e uma igreja que ajuda mais os seus membros.

Fontes:
The Economist - A Southern Reformation

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