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GRITA BRASIL

Ao Boechat, com carinho!

Boechat se tornou meu mestre, sem mesmo ter sido avisado. Serei eternamente grato

Ao Boechat, com carinho!
A coluna Grita Brasil é publicada às quintas

Nunca me imaginei escrevendo ou dedicando uma coluna a um ídolo. Quando pensamos em ídolos todos pensam em um ator, uma atriz, um jogador de futebol ou um atleta. Mas quem iria imaginar que um repórter seria um ídolo? Como assim, né?

Esse Careca era – e peço licença para chamá-lo de Careca. Mas ele era algo a mais em forma de repórter. Ele era humano, fora da curva. Único. Inigualável. Um combatente. Um lutador buscando o bem, a justiça. Cobrando. Gritando. Exigindo.

Não importava quem. Do empresário ao porteiro, do gari ao mestre de obras. Raça, credo, idade, profissão, nada importava. Nem era detalhe. Se Boechat podia ajudar, ele ajudava. Da forma dele, da maneira dele. Era sua essência. Ajudar.

Sua capacidade de pensamento fora do comum, como ouvi em vários depoimentos, era uma de suas marcas registradas.

Não o conheci pessoalmente – literalmente falando. Mas o conhecia pessoalmente. Algo cósmico. Sei lá.

Eu até tentei. Quando sabia que ele vinha para o Rio, ia para o Aeroporto Santos Dumont, na loteria de ele chamar um Uber. Mas ele optava pelo concorrente amarelinho. Mas vai que…

Nossa convivência diária nesses últimos 3 anos, tempo em que acabei virando um motorista da Uber por contingências da vida e do mercado, era talvez uma espécie de presencial em alguma outra dimensão. Mas o sentia tão perto que tinha a impressão de tê-lo ao meu lado no banco do carona.

Essa convivência diária me fez admirá-lo e respeitá-lo. Ouvia atentamente seus ensinamentos, como um aluno ouve seu mestre. Em algumas ocasiões discordava dele e escrevia para ele, mas suas palavras sempre eram importantes. Aprendia de qualquer jeito.

Boechat se tornou meu mestre, sem mesmo ter sido avisado. Não tive a oportunidade de aprender presencialmente com ele. E quando digo presencialmente, é literal. Como as pessoas que conviveram nas redações e no rádio puderam e tiveram esse privilégio.

Mas aprendia a cada dia mais um pouco. Via ondas de rádio. Como um curso online.

Muitas vezes, quando perdia sua aula, corria à noite e buscava no site da rádio. Não conseguia não ouvir Boechat.

Quantas vez não acordava às quartas-feiras, dia em que escrevo minha coluna, com a esperança de ouvir Boechat e ter inspiração para manchar a página em branco? Se bem que essa inspiração acabava acontecendo todos os dias.

Foi curioso como encontrei Ricardo Boechat. Foi um passageiro que num dos meus primeiros dias de Uber – eu ouvia sempre a CBN – me pediu para colocar na Band News FM que ele queira ouvir o Boechat e o José Simão.

Foi um soco no estômago. Foi paixão à primeira sílaba. Desde então, Boechat e sua equipe maravilhosa passaram a fazer parte do meu dia.

Mas e agora? Estou perdido, meio que sem chão. Às vezes me imagino num sonho, e que assim que acordar, vou ligar a Band e Boechat já estará entrando – atrasado nos estúdios da Band – e tudo vai seguir seu rumo. O barco continuará seu curso com o timoneiro Boechat.

É estranho, algumas pessoas talvez não entendam, mas não consigo ainda aceitar, acreditar que o Careca se foi. Já chorei muito. No dia, ontem ao acompanhar o programa e hoje. Senti muito essa morte. Não sei explicar, mas é uma sensação de um imenso vazio.

Vazio esse que nunca será preenchido. Esse lugar é do Boechat. O tempo irá amainar a dor e a transformará em saudade, que não é menos dolorida, mas é diferente. É mais fácil de se lidar.

Boechat era dos meus. Não gostava de nenhum político – assim como eu não gosto. Minha coluna Grita Brasil, que escrevo há 15 anos, é apenas um sopro diante da ventania, do vendaval, do tufão, do tornado que a voz de Boechat conseguia alcançar.

Mas vou seguir lutando, gritando, apontando o dedo dentro da minha humilde coluna, tentando, assim, de alguma forma, tocar o meu barquinho e fazer valer todos os ensinamentos que o mestre Boechat me passou.

Serei eternamente grato.

Muita saudade de você. Obrigado de todo o meu coração.

E Boechat, quer saber, eu te amo!

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão.

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3 Opiniões

  1. carlos alberto martins disse:

    o meu café de todas as manhãs,eram compartilhados com o genio do jornalismo.o meu guia BOECHAT.com o tempo a dor da perda,irá se tornar uma suave lembrança que guardarei com muito carinho.a minha esperança é que talvez,devido a idade tambem em breve estarei para ser ser reciclado(não gosto de falar morto)e espero encontra-lo,provavelmente ele deverá dando bronca em satanaz ,mandando ele colocar ar condicionado para os apenados.

  2. Rogério de Carvalho disse:

    Estava com a TV ligada, quando foi dada a notícia do acidente fatídico. Fiquei em choque e literalmente chorei. Chorei porque BOECHAT foi um dos mais brilhantes jornalistas que o Brasil já conheceu. Todos nós perdemos um grande profissional e um exemplo de ética e moral.

  3. Ana Paula Chavantes disse:

    Cláudio,sua admiração ao Boechat é muito parecida com a minha. Ainda acho que a qq momento ele irá aparecer atrasado no Studio da Band e irá mudar meu dia, como sempre fez.

    Só tenho a agradecer essa linda homenagem feita ao nosso Querido Mestre por você!

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