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CRIMES POLÍTICOS

Ao menos 96 pessoas foram vítimas de crimes políticos em 2016

Onda de ataques violentos neste ano vitimaram 96 políticos, militantes e pessoas próximas e provoca temor em eleições municipais

Ao menos 96 pessoas foram vítimas de crimes políticos em 2016
O candidato a prefeito José Gomes da Rocha foi assassinado na quarta-feira, 28 (Foto: Y. Maeda/AL-GO)

Uma onda de assassinatos de candidatos vem tornando o período eleitoral um dos mais violentos dos últimos anos. Segundo um levantamento do jornal Estado de S. Paulo, ao menos 96 pessoas, entre prefeitos, secretários municipais, candidatos e militantes, foram executados por motivações políticas neste ano. É o período mais sangrento na política desde a Lei de Anistia, em 1979.

De acordo com o site de notícias G1, ao menos 12 estados registraram crimes contra candidatos às eleições municipais nos últimos nove meses, e a polícia investiga a suspeita de motivação política em todos os casos. Com a violência crescente, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, prometeu impulsionar a “investigação dos possíveis atentados políticos contra candidatos” e anunciou que ao menos 266 municípios em 11 estados brasileiros terão reforço na segurança durante as eleições do próximo domingo, 2.

Os mais recentes ataques que ganharam destaque nos noticiários dessa semana foram os assassinatos do candidato a prefeito de Itumbiara, em Goiás, José Gomes da Rocha (PTB), e do candidato a vereador no Rio de Janeiro e presidente da escola de samba Portela, Marcos Vieira de Souza, o Falcon (PP)

O caso do atentado a José Gomes da Rocha, ocorrido nesta quarta-feira, 28, e não contabilizado no levantamento do Estado de S. Paulo, ainda segue incerto sobre o que teria motivado o funcionário da prefeitura de Itumbiara, Gilberto Ferreira do Amaral, a matar o candidato a prefeito pelo PTB. Além da morte de Gomes, o ataque feriu gravemente o vice-governador do estado José Éliton (PSDB). O atirador morreu em uma troca de tiros com o policial Vanilson João Pereira, que também foi morto.

A morte de Marcos Falcon foi apenas a mais recente das 13 execuções registradas no estado do Rio de Janeiro somente neste ano. Ele foi assassinado a tiros na última sexta-feira, 26, por dois homens que invadiram o seu comitê de campanha, em Madureira.

Muitas das mortes ocorridas neste ano têm como principal motivador o controle do dinheiro dos municípios. É o caso da morte do prefeito da cidade Maraã, no Amazonas, Cícero Lopes (PROS). Ele foi morto em janeiro com um tiro de espingarda nas costas, em uma emboscada, pelos comerciantes Lázaro e Anderson Moraes, primos do vice-prefeito Magno Moraes (PT), por conta de uma dívida a receber da prefeitura. A família de Cícero chegou a acusar o vice-prefeito da morte, afirmando que ele tinha divergências políticas com o prefeito da cidade.

Os dados oficiais divulgados pelo TSE, entretanto, divergem do levantamento do Estado de S. Paulo. Segundo o tribunal, ocorreram 20 assassinatos políticos neste ano. Apesar do número mais baixo, o dado oficial é considerado um avanço nas divulgação da Justiça, já que desde a redemocratização que entidades de direitos humanos cobram números oficiais, enquanto o próprio TSE apresentava versões genéricas e números ainda mais baixos.

Fontes:
Estado de S, Paulo-Crimes políticos vitimaram 96 neste ano
G1-Candidatos são alvos de crimes e ataques em ao menos 12 estados
Estado de Minas-Assassinatos e atentados contra políticos ofuscam as eleições municipais no Brasil

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