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Apenas 1,8% da população do Brasil doa sangue

O índice considerado ideal pela ONU é de 3% a 5%

Apenas 1,8% da população do Brasil doa sangue
O estudo revela que seis em cada dez doadores no Brasil (59,52%) são voluntários (aqueles que doam com frequência sem se importar com quem vai receber o sangue) (Foto: Pixabay)

O brasileiro é mundialmente conhecido pela sua simpatia e solidariedade, mas não quando o assunto é doação de sangue. Segundo dados da ONU, apesar de o Brasil coletar o maior volume em termos absolutos na América Latina, o país doa proporcionalmente menos do que outros países da região, como Argentina, Uruguai e Cuba.

Os números são referentes ao período entre 2012 e 2013. A informação é de um estudo ainda não publicado pela Organização Pan-Americana de Saúde, braço da Organização Mundial de Saúde nas Américas, mas divulgado pela BBC Brasil.

O estudo revela que seis em cada dez doadores no Brasil (59,52%) são voluntários (aqueles que doam com frequência sem se importar com quem vai receber o sangue), proporção inferior à de Cuba (100% são voluntários), Nicarágua (100%), Colômbia (84,38%) e Costa Rica (65,74%). O restante (40,48%) é formado por doadores de reposição (aqueles que doam por razões pessoais, quando um amigo ou parente precisa de sangue, por exemplo). Especialistas da área dizem preferir os doadores voluntários aos de reposição, já que conseguem ter maior controle sobre a procedência e a qualidade do sangue.

Em termos gerais, apenas 1,8% da população brasileira entre 16 e 69 anos doa sangue, enquanto o índice considerado “ideal” pela ONU é de 3% a 5%. “Não há notícia de que está faltando sangue ou de que cirurgias estão sendo suspensas por causa disso”, diz Dimas Tadeu Covas, diretor-presidente da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto. “Mas sem dúvida alguma as doações poderiam aumentar, especialmente em períodos do ano em que o ritmo delas se reduz significativamente.”

Por que a taxa de doação não é maior?

Especialistas apontam alguns motivos para que a taxa de doação de sangue no Brasil não seja maior, como a falta de conscientização da população, os mitos, a herança cultural, a deficiência estrutural e as normas e proibições das doações.

Segundo Naura Faria, chefe de atendimento ao doador do HemoRio, a doação de sangue no Brasil ainda é cercada de “mitos”. “Há pessoas que acreditam que se doarem uma vez, vão ter de doar sempre. Outras acham que doar sangue engorda. Existem ainda aquelas que temem contrair alguma doença infecciosa durante a coleta”, conta.

Quanto à herança cultural, Júnia Guimarães Mourão, presidente da Fundação Hemominas, hemocentro coordenador do estado de Minas Gerais, diz que o volume de sangue doado está relacionado “à cultura dos países”. “Diferentemente de países desenvolvidos, como o Japão ou os Estados Unidos, o Brasil não se envolveu em grandes guerras ou passou por grandes catástrofes naturais, que, acredito, podem ter criado em suas sociedades a compreensão da importância da doação de sangue.”

Segundo especialistas, não basta apenas elevar o volume de doações, sem aumentar a “eficiência do produto”. Aí entra a questão da deficiência estrutural. “Precisamos minimizar a possibilidade de um descarte eventual do sangue, já que se trata de um material difícil de ser acondicionado”, explica Yêda.

Muitas das normas e proibições são polêmicas. Uma dessas regras, por exemplo, impede pessoas que tenham permanecido mais de três meses, de forma cumulativa, no Reino Unido ou na Irlanda, entre 1980 e 1996, por conta da “doença da vaca louca”. Entretanto, a proibição não vigora na Inglaterra e no País de Gales, segundo confirmou o NHS, o SUS britânico. Outro veto polêmico envolve homens que se relacionaram sexualmente com outros homens no período de 12 meses anteriores à coleta. Para ativistas de direitos LGBT, a norma é “discriminatória”. Países da América Latina, como México, Chile e Uruguai já permitem a doação de sangue por “homens que se relacionaram com homens”.

Fontes:
BBC Brasil-O que falta para o Brasil doar mais sangue?

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