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CHINA E FORO PRIVILEGIADO

Apoiadores e eleitores cobram respostas do PSL

Viagem à China e uso do argumento do foro privilegiado para suspender investigação do caso Queiroz geram racha entre bolsonaristas

Apoiadores e eleitores cobram respostas do PSL
A principal crítica partiu de Olavo de Carvalho, guru do partido (Foto: Reprodução/Facebook)

Uma crise interna, provocada por dois episódios ocorridos nesta semana, abriu um racha entre bolsonaristas.

A ida de uma comitiva de integrantes do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, à China deixou em polvorosa eleitores e integrantes da própria legenda que fizeram do combate ao comunismo – um dos pilares da campanha de Bolsonaro – um de seus principais compromissos. Os integrantes afirmaram terem ido ao país para conhecer um sistema de reconhecimento facial usado em território chinês. A viagem foi organizada por um assessor do deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL-SP).

A principal crítica à viagem partiu de Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro e responsável pela indicação dos ministros Ricardo Vélez (Educação) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Em um inflamado vídeo postado em suas redes sociais, o astrólogo teceu duras críticas à comitiva.

Olavo chamou os integrantes da comitiva de “semianalfabetos” e afirmou que adotar o sistema de reconhecimento facial chinês seria entregar à China toda a informação sobre quem chega ao Brasil. Visivelmente irritado, o astrólogo declarou: “Não sou guru dessa porcaria!”.

Ele também mencionou a deputada Carla Zambelli (PSL-SP). “Nunca vou te perdoar por isso aí. Já te ajudei muito e já apoiei muito. Se você não sair desse negócio, eu não falo mais com você”, disse Olavo de Carvalho.

Eleitores do PSL também questionaram a deputada em sua conta no Twitter, em uma postagem na qual ela reafirma que “jamais fará um acordo com a Huawei” – empresa de tecnologia acusada de espionagem que desenvolveu a tecnologia de reconhecimento facial buscada pelo partido.

“Então foi fazer o que aí na China?”, questionou uma internauta. “Carla, alguém com formação em tecnologia acompanhou vocês nessa visitação? Algum destes parlamentares que estavam na lista, ou de fora dela?”, questionou outro internauta.

Da China, a deputada respondeu ao astrólogo e aos questionamentos, por meio das redes sociais. Carla afirmou que continua “fã de Olavo” e que entende suas preocupações. Em seguida, a deputada afirmou: “Mas eu preciso despreocupar vocês: não existe qualquer possibilidade de os parlamentares fecharem um acordo com empresas de reconhecimento facial, não existe qualquer possibilidade de nós incentivarmos um BBB no Brasil”.

Outro integrante da comitiva que rebateu as críticas à comitiva foi Daniel Silveira (PSL-RJ), deputado que ganhou fama após participar da quebra de uma placa em homenagem à deputada executada Marielle Franco (Psol-RJ).

“Sabemos do regime que governa o país [China] desde 1940, mas a questão aqui não é ideológica, e sim para trazer melhorias ao Brasil”, disse o deputado em um vídeo postado em sua conta no Facebook, destacando que o regime da China é um comunismo “mais light” que o de Cuba e Venezuela.

A declaração, no entanto, não apaziguou os ânimos dos seguidores do deputado. “Cara, vc relativizou o comunismo e socialismo. Foi pífia sua gravação, mostrou que o Olavo tem razão mais uma vez”, escreveu um seguidor. “Essa é a mesma China que persegue cristãos e monitora igrejas. No mundo de hoje é impossível não ter relações com os chineses, mas isso deve ser feito pela chancelaria brasileira, que tem todo o aparato para fazer a vontade soberana do Brasil prevalecer. Não uma comitiva capenga (outros do PSL sabiamente recusaram o convite) e deslumbrada com qualquer propaganda do Partido Comunista Chinês. Sem falar que pesam graves acusações de espionagem e especulação financeira dos chineses contra o Brasil e boa parte do mundo ocidental. Não tinha necessidade de dar esse mole”, disse outro.

Posteriormente, o deputado postou um novo vídeo em sua conta no Facebook, no qual discutiu com eleitores que o criticavam, usando palavras de baixo calão e tornando a afirmar que a China é um comunismo diferente.

Flávio e o foro privilegiado

Em outro front, bolsonaristas enfrentam críticas de apoiadores após o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) recorrer à prerrogativa do foro privilegiado para suspender a investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) referente ao caso Queiroz.

Na última quarta-feira, 16, o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Luis Fux acatou, em caráter liminar, o pedido de Flávio para suspender a investigação. Em seu pedido, o deputado argumentou que, em fevereiro, tomará posse como senador, passando a ter foro privilegiado, o que garante o direito de ser julgado apenas em tribunais superiores – deputados estaduais não têm direito ao foro privilegiado.

Com a decisão de Fux, as investigações permanecerão suspensas até que o ministro Marco Aurélio Mello, sorteado como relator, decida em qual foro o caso deve seguir.

A manobra de Flávio gerou indignação entre eleitores, uma vez que durante a campanha o deputado era uma voz ativa contra o uso do foro privilegiado. Flávio, que se afastou do Twitter desde que o caso Queiroz veio à tona, teve a conta no Instagram lotada de questionamentos. “Quanto mais fogem pior fica! Vc é o calcanhar de Aquiles do teu pai! Um governo que tem tanta coisa a provar, que precisa de credibilidade e apoio, não pode aceitar ficar vulnerável com coisas mal explicadas! A responsabilidade é sua! Assuma!”, disse uma internauta. “Sempre se comunicou de forma aberta e direta com os eleitores, sempre adorou uma live, agora tá se escondendo atrás de assessoria de imprensa….Não foi ao MP pq? Se não tem nada a esconder, comparece”, disse outra seguidora do deputado.

A controvérsia em torno do caso Queiroz pode se agravar ainda mais. Um ministro do STF, em condição de anonimato, confidenciou à coluna da jornalista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, que o pedido de Flávio Bolsonaro para suspender a investigação foi recebido como uma “confissão de culpa”. Segundo o magistrado, a atitude aponta que o real envolvido nas movimentações atípicas detectadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é Flávio, não o ex-assessor Fabrício Queiroz.

Além disso, segundo o ministro, nos bastidores do tribunal há magistrados que acreditam que, se o caso for julgado pelo STF, o presidente Jair Bolsonaro também será investigado, uma vez que as movimentações atípicas incluem um depósito de R$ 24 mil para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

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3 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    1º- Não somos apoiadores do PSL, mas como eleitores não estamos cobrando algo sobre o caso Queiroz, porque entre os R$ 1,2 milhão que ele movimentou e os mais de R$ 40 milhões que o petralha da mesma Alerj movimentou, a imprensa de esquerda não foca na sua corja.

    2º – Que o que vem da Faliu de S.Paulo e da jornalista do canal vermelho BandNews, é algo para ir privada abaixo.

    3º – A China é comunista, não meteu o bico quando foi para expulsar a petralhada do governo do Brasil, ninguém fica livre de negócios com ela, só que as regras agora são outras.

    4º – O que tiver que vir contra esse Queiroz virá e se atingir o Flávio Bolsonaro, ficará ao nível deles, só que, tem coisas mais graves a serem punidas, além de outras que virão.

    5º – Milhões votaram no Bolsonaro por causa do General Mourão, e se ele assumir, será melhor ainda.

  2. Luís Inocêncio disse:

    “Mas e o Lula?”
    Argumenta o pato ao molho de laranja que nunca vai se arrepender de ter apontado aonde o caçador deixou a sua carabina.

  3. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Como eleitor não estou ainda preocupado, até agora tenho a certeza que votei no candidato certo, afinal Bolsonaro não é responsável pelos atos do filho (o mesmo já é maior de idade e emancipado), em segundo lugar a viagem do PSL a China foi paga pelos Chineses, porque eles foram convidado para mim não interessa, não é o povo brasileiro que esta pagando, o resto é só oposição.

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