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POLÍTICA

Após atentado, parlamentares debatem desarmamento

Alguns parlamentares criticaram o Estatuto do Desarmamento e fizeram lobby pelas armas, enquanto outros defenderam um reforço na política de Segurança Pública

Após atentado, parlamentares debatem desarmamento
Ataque a tiros em Suzano deixou dez mortos (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Poucas horas depois da tragédia de Suzano (SP), na qual dois jovens entraram em uma escola e atiraram contra os alunos, o assunto ganhou o Congresso Nacional e dividiu os parlamentares. Enquanto alguns faziam lobby pelas armas, criticando o Estatuto do Desarmamento e, até mesmo, sugerindo armar professores, ouros lamentaram a tragédia e defenderam o Estatuto.

A declaração mais forte, que ganhou as redes sociais, foi feita pelo senador Major Olimpio (PSL-SP). Além de fazer duras críticas ao Estatuto do Desarmamento, o qual categoriza como uma “farsa”, o parlamentar afirmou que a tragédia poderia ser evitada se os professores estivessem armados.

“Se houvesse um cidadão com uma arma regular dentro da escola, um professor, um servente ou policial aposentado que trabalha lá, ele poderia ter minimizado o tamanho da tragédia”, defendeu Olimpio.

A declaração não repercutiu bem dentro do Congresso Federal. O debate deste tema ganhou força nos Estados Unidos, em 2018, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, também defendeu que os professores norte-americanos andassem armados. A declaração de Trump ocorreu poucos dias depois que um tiroteio em uma escola na Flórida deixou 17 mortos. Porém, o debate foi freado por democratas e manifestações públicas.

Um dos primeiros parlamentares a rebater a afirmação de Olimpio foi o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Em resposta ao colega, Randolfe destacou que mais armas na escola poderiam resultar em um desastre ainda maior. “Esperava o que? Um bang bang entre alunos e professores? Estamos falando de vidas, Major!”, criticou o senador da Rede.

Outro a rebater a declaração de Major Olimpio foi o deputado federal Paulão (PT-AL). Em plenário, o parlamentar classificou a declaração do senador como insana, afirmando que ela estimula o discurso de ódio.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em entrevista a jornalistas, lamentou a tragédia de Suzano e reforçou que o dever de prover segurança pública é do Estado. Ademais, em resposta à proposta do Major Olimpio, Maia foi firme em descartar o debate.

“Agora, já não basta o debate sobre posse; agora, um pedido desse [porte de armas para professores] não é mais posse, é discussão sobre porte em área urbana. Eu acho que aí nós passamos por uma proposta de barbárie no nosso Brasil que não deve avançar”, explicou Maia.

A ex-senadora e atual deputada federal Gleisi Hoffman (PT-PR) usou as redes sociais para se solidarizar com as famílias das vítimas do ataque a tiros em Suzano. Ademais, destacou que o Brasil “precisa de paz”, afirmando que o “incentivo à violência e à liberação do uso de armas” resulta em tragédias como essa.

Também deputado federal do PT, Nilto Tatto questionou os parlamentares que defendem o porte de armas como solução para a violência. Para o deputado, o ataque à escola de Suzano está diretamente relacionado à liberação indiscriminada de armas no país. Assim como Tatto, Macron (PT-RS) também questionou os “defensores das armas”.

“Até quando nós vamos ver esse ódio sendo espalhado pelo Brasil? Eu gostaria de ver o que os defensores das armas diriam hoje dessa tragédia a que o Brasil e o mundo estão assistindo”, destacou.

Contra o desarmamento

Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) foi outro senador, além de Olimpio, a se posicionar contra o Estatuto do Desarmamento. O parlamentar usou as redes sociais para lamentar a tragédia em Suzano, lembrar que o ataque a tiros foi protagonizado por um jovem de 17 anos e fazer novas críticas ao Estatuto.

“Meus sentimentos a todos os familiares das vítimas covardemente assassinadas no colégio em Suzano. Mais uma tragédia protagonizada por menor de idade e que atesta o fracasso do malfadado estatuto do desarmamento, ainda em vigor”, escreveu.

Além de ter sugerido que pessoas armadas dentro da escola poderiam ter evitado a tragédia, o senador Major Olimpio usou as redes sociais para fazer mais críticas ao Estatuto do Desarmamento. Ademais, também reforçou seu posicionamento pela redução da maioridade penal.

“Enquanto as armas forem ilegais, apenas os ilegais terão armas! Fracasso e safadeza da ‘farsa da política desarmamentista’ que armou criminosos e impediu a legítima defesa. Mais uma triste tragédia que mostra a necessidade da redução da maioridade penal. […] Bandido não tem idade, e essa tragédia apenas reafirma que precisamos reduzir a maioridade penal já!”, escreveu o senador.

Já o deputado federal Capitão Augusto (PR-SP), eleito presidente da Comissão de Segurança Pública e um dos líderes da conhecida bancada da bala, afirmou que a tragédia de Suzano não vai modificar a agenda no que diz respeito à flexibilização do Estatuto do Desarmamento.

“É óbvio que grupos desarmamentistas vão tentar usar essa tragédia para tentar demonizar as armas. Não há legislação no mundo capaz de evitar uma tragédia como essa. Se alguém na escola tivesse uma arma, a história poderia ser outra”, afirmou, segundo noticiou a Folha Vitória.

O senador Mecias de Jesus (PRB-PB) foi mais um parlamentar a criticar o desarmamento da população. Para o parlamentar, o Estatuto do Desarmamento “tirou a arma do pai de família”, tendo desarmado o “cidadão de bem”.

Solidariedade

Outros parlamentares, como o deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP), não se posicionaram sobre a política armamentista, mas defenderam que a política de Segurança Pública seja repensada. Já o deputado federal Capitão Wagner (Pros-CE) chamou a atenção para a responsabilidade que é ter uma “arma na cintura”.

“Nós temos que ter pré-requisitos estabelecidos e rigorosos para as pessoas poderem portar arma de fogo. Não dá para fazer populismo com um tema tão importante. A gente sabe que grande parte da população brasileira quer ter uma arma na cintura, mas a responsabilidade para ter uma arma na cintura é muito grande”, apontou.

Já a deputada federal Kátia Sastre (PR-SP) revelou, pelas redes sociais, que estudou na Escola Raul Brasil, em Suzano. A parlamentar, que ficou conhecida nacionalmente após reagir a um assalto e matar o suspeito na porta de uma escola, prometeu que vai lutar pelo agravamento de penas de casos como esse.

“Isso é inadmissível! Homens armados entraram com máscaras de caveira dentro da escola e mataram de forma covarde pessoas inocentes! Até crianças, meu Deus! Há um ano, eu vivi essa cena que somente não terminou assim pela proteção de Deus e o meu preparo profissional dado pela Polícia Militar. Que tragédia! Que Deus cuide dessas famílias e dessas crianças! Que o governo adote medidas imediatas para proteger nossas crianças. Eu, aqui no Congresso, vou agravar a pena para esses criminosos!”, prometeu.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), por sua vez, também lamentou a tragédia na escola e saiu em defesa dos videogames. Isso porque, o vice-presidente, General Hamilton Mourão, relacionou o ataque a tiros em Suzano aos “videogames violentos”.

“Meu filho joga videogames e é um anjo. Culpar os videogames pela monstruosidade cometida em Suzano é uma afronta ao bom senso. Gamers [como são chamados os jogadores de videogame], estamos juntos!”, escreveu Zambelli.

 

Leia também: Tiroteio em escola foi planejado, aponta polícia

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4 Opiniões

  1. Selma Carvalho disse:

    É muita imbecilidade querer voltar ao assunto do desarmamento. O que aconteceu é simplesmente imprevisível. As motivações que levaram eles a isso é que precisa ser descoberto e estudado. Talvez assim se consiga evitar novas tragédias.
    Talvez se o acompanhamento pedagógico fosse mais intenso. Procurar antes saber porque o aluno esta deixando aquela escola, como é o dia-a-dia dessa criança/adolescente, como é a família dessa criança….
    Se sofre ou pratica o bullying. Timidez, sexualidade…… isso em todos os níveis escolares e em todas as escolas.
    Com a tecnologia de hoje podemos observar várias crianças num momento do recreio e analisar seus comportamentos, mas, demanda tempo e pessoal especializado.
    Enfim, essas pessoas decidiram caminhar pelo vale das sombras. Porque???? Precisamos investigar a fim de prevenir.

  2. Almanakut Brasil disse:

    Vão desarmar os BANDIDOS?

    E mesmo desarmando os PEÇONHENTOS, eles usarão facas, carros, combustíveis, pedras, paus e o que tiverem para atacar as pessoas.

    Com polícia eficiente e quadrilhas desarmadas, os cidadãos comuns não precisarão de armas e nem em a polícia, em certos locais.

    Se videogames influenciassem alguma coisa, todos os desempregados de matadouros sairiam esquartejando as pessoas para não perder o costume.

    Seguindo nessa mesma lógica, não são todos os que transam as redes de esgoto que pegam Aids.

  3. Almanakut Brasil disse:

    Os “jecas tatus” emergentes de legislativos, junto com as raposas velhas precisam prestar atenção nisso:

    Facebook agora permite pesquisas de imagens pelo conteúdo exibido na foto – (Tecmundo – 06/02/2017)

    A empresa não é pioneira em oferecer o entendimento do computador para interpretação de imagens – o Google já possui o recurso mencionado na sua plataforma Google Fotos –, mas o tempo de desenvolvimento e a popularidade das curtidas permitiram um aprendizado sistemático mais profundo, trazendo dados assombrosos de como a máquina acerta os resultados.

    https://www.tecmundo.com.br/facebook/114000-facebook-permite-pesquisas-imagens-conteudo-exibido-foto.htm

    Enquanto essa rede social pilantra e mais alguns membros de inteligências, órgãos públicos e ratos da internet ficam prestando atenção em conteúdos ideológicos e em causa própria, as pessoas que postam fotos portando armas, drogas e crimes em redes sociais deveriam ser imediatamente identificadas, com alerta instantâneo para a polícia.

  4. ED OLIVEIRA disse:

    Realmente tem que liberar o porte de armas para quem tem a necessidade de eventualmente usa-las,, desde que siga os trâmites legais para o uso e posse. Não liberar o porte de armas para qualquer pessoa,, mas a posse em residências e ou local de trabalho possa ser facilitada para aquelas pessoas idôneas que necessitar. Pois se tivesse um vigilante armado e preparado no local, poderia ter evitado parte da tragédia. A DECLARAÇÃO DE UM SENADOR AÍ QUE DIZ SE OS PROFESSORES ESTIVESSEM ARMADOS PODERIA ACONTECER UMA DISPUTA ENTRE ALUNOS E PROFESSORES, MAS NO CASO AÍ,, SÓ TINHA PROFESSORES, VISTO QUE OS AGRESSORES ERAM DOIS DELINQUENTES E NÃO ALUNOS.

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