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PIADA CONTROVERSA

Após polêmica, Weintraub se defende: ‘sou bem humorado’

Ministro se tornou alvo de críticas de nomes da direita e da esquerda por fazer piada relacionando Lula e Dilma ao militar preso com cocaína na Espanha

Após polêmica, Weintraub se defende: ‘sou bem humorado’
Weintraub tem sido alvo de críticas desde que assumiu o Ministério da Educação (Foto: Gabriel Jabur/MEC)

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Após ser alvo de críticas – tanto de nomes da direita quanto da esquerda – por ter relacionado os ex-presidentes Dilma e Lula ao militar preso na Espanha após ser flagrado transportando cocaína em um avião da FAB, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, usou as redes sociais para se defender.

Weintraub explicou que é um homem “bem humorado” e fez a piada em seu perfil pessoal, pois tem “vida fora do trabalho”. “Esse é meu Twitter, caso queiram informação institucional, sigam o do MEC [Ministério da Educação]; ninguém é obrigado a me seguir ou ver o que escrevo”, afirmou o ministro na manhã desta sexta-feira, 28.

A explicação, no entanto, não encerrou a polêmica e usuários questionaram a resposta do ministro. Um internauta destacou que o governo Bolsonaro apontou as redes sociais como um importante canal de comunicação com a população. Por isso, “muita gente é obrigado a te seguir sim”, disse o internauta.

Já a roteirista Bic Müller lembrou Weintraub que ele “representa seu cargo aqui [nas redes sociais] ou em qualquer lugar”, e classificou o ministro como “irresponsável”. Em seguida, ele pediu a Weintraub que passe a se portar como ministro, e “não como uma criancinha mimada”.

Weintraub também foi criticado por supostos bloqueios a perfis nas redes sociais. O ministro estaria bloqueando os usuários do Twitter que o criticam pelo seu posicionamento. Diante das críticas, Weintraub escreveu. “Esse é meu Twitter e ao contrário do Congresso (local do debate), aqui não quero gente chata e de esquerda (sim, há exceções)”, escreveu o ministro.

Os bloqueios foram citados por dezenas de usuários do Twitter, inclusive pela antropóloga Rosana Pinheiro-Machado. Pelas redes sociais, Pinheiro-Machado revelou que “o ministro da Educação está bloqueando todos os educadores que o criticam”. Em seguida, classificou Weintraub como “nanico, frágil e autoritário”, citando ainda que o bloqueio é uma forma de censura.

Entenda o caso

Na última quinta-feira, 27, Abraham Weintraub se envolveu em polêmica ao sair em defesa do governo Bolsonaro no caso envolvendo o militar preso. “No passado o avião presidencial já transportou drogas em maior quantidade. Alguém sabe o peso do Lula ou da Dilma?”, questionou o ministro em sua conta no Twitter.

A postagem foi vista como em desacordo com a postura de um ministro e gerou críticas de diferentes setores, principalmente no meio político. Weintraub foi criticado, inclusive, por integrantes do partido Novo, que tem se posicionado mais próximo ao partido governista, o PSL, nas pautas do Congresso.

“Ministro, não tenha compromisso com o erro, peça desculpas. Vamos trabalhar pela educação e pelos brasileiros, com a postura que se espera de um ministro de Estado”, escreveu o empresário João Amoêdo, um dos fundadores do partido Novo.

Assim como Amoêdo, o deputado estadual Daniel José (Novo-SP) também se posicionou contra a postagem. O parlamentar citou o desempenho do Brasil em rankings educacionais para destacar que “não é este o posicionamento que a gente espera” de um ministro da Educação.

Além de Amoêdo, outros ex-candidatos à presidência nas eleições de 2018 se manifestaram em relação ao episódio. Guilherme Boulos, que foi candidato pelo Psol, afirmou que é difícil “conceber alguém mais inadequado para o cargo [de ministro da Educação]”. Já Marina Silva, que se candidatou pela Rede, destacou que o episódio do militar com cocaína “já prejudicou a imagem do país no exterior” e pediu o fim da “falta de educação”.

Diretórios nacionais e representantes de diferentes partidos também se posicionaram sobre o comentário. O PCdoB compartilhou um vídeo da deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC), em plenário, relembrando nomes de ex-ministros da Educação, como Darcy Ribeiro e Jarbas Passarinho, para fazer uma comparação com o comportamento de Weintraub no MEC.

“Todos eles souberam honrar a cadeira de ministro da Educação. Se comportaram com civilidade. Agora, quando eu abro o Twitter hoje, e vejo a declaração do ministro da Educação do Brasil, eu tenho vergonha. Porque ele se comporta como se comportam os canalhas. O ministro da Educação do Brasil não honra a cadeira de ministro da Educação. Deveria pedir para sair”, afirmou a parlamentar.

O diretório do Psol adotou uma posição similar à do PCdoB. Pelas redes sociais, o partido relembrou nomes de diferentes educadores brasileiros, citando Paulo Freire e Anísio Teixeira, para pedir a Weintraub respeito ao cargo de ministro da Educação. “Você é minúsculo para os desafios da educação e do país”, destacou o Psol.

Já o Partido dos Trabalhadores (PT) foi mais incisivo. Partido dos ex-presidentes Dilma e Lula, o PT, através de seus representantes no Congresso, protocolou, na quinta-feira, uma representação contra Weintraub na Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

Para o partido, o ministro da Educação violou “os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade e moralidade (presentes no Art. 37 da Constituição Federal)”. O Artigo 37, citado pelo PT, diz respeito aos poderes da República, e determina que todos devem obedecer os princípios citados.

Fora do meio político, diferentes personalidades também se manifestaram contra o comentário do ministro. O colunista Rodrigo Constantino, conhecido por ser um ferrenho crítico do PT e autor de inúmeros textos críticos ao governo Dilma, classificou a afirmação do ministro da Educação como “inacreditável”, e disse que “há que se prezar um mínimo de liturgia do cargo”.

Já o empresário Flávio Augusto, fundador do curso de idiomas WiseUp e proprietário do clube de futebol Orlando City SC, dos Estados Unidos, explicou que o comentário de Weintraub “apequena o governo, uma vez que Bolsonaro é presidente de todos, inclusive da esquerda, gostem ou não os dois lados”.

Leia também: O cerceamento à Educação no Brasil

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2 Opiniões

  1. Rogerio de Oliveira Faria disse:

    Bem humorado e bem idiota…

  2. Roberto Henry Ebelt disse:

    Impossível perder a piada. Excelente comparação. 39 quilos de cocaína deixam centenas de pessoas fora do ar, mas 170 quilos (oi seriam mais?) de petê, com uma caneta descontrolada, destroem uma economia, uma nação e milhões de vidas.

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