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Greve dos professores

Aprovado, plano de cargos acirra embate entre professores e prefeitura do Rio

Categoria argumenta que o plano aprovado pela Câmara não levou em conta as propostas da classe e beneficia menos de 10% dos profissionais

Aprovado, plano de cargos acirra embate entre professores e prefeitura do Rio
Bancada da oposição tentará anular a votação da última terça-feira, 1 (Reprodução/Internet)

A Câmara dos Vereadores aprovou na noite da última terça-feira, 1, o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração do magistério do Rio de Janeiro. A aprovação, por 36 votos a favor e três contra, acirrou ainda mais o embate entre a prefeitura e o Sindicato Estadual dos Professores (Sepe).

Segundo os magistrados, o plano aprovado pela Câmara beneficia apenas os professores que trabalham em regime de 40 horas semanais, que representam menos de 10% da categoria. Eles afirmam que o novo plano não contou com a participação de membros do sindicato nem atende às demandas da categoria.

Atualmente a rede municipal tem 42.903 professores. Deste total, 53% (22.813) trabalham em regime de 22 horas; 40% (17.037) em regime de 16 horas; e 6% (2.400) em regime de 40 horas.

O prefeito Eduardo Paes diz que pretende estimular a migração dos professores para o regime de 40 horas semanais, preferencialmente na mesma escola. O objetivo é aumentar o tempo de permanência dos alunos em sala de aula. Porém, os professores argumentam que as escolas não têm estrutura para receber alunos o dia inteiro.

Outro ponto de discórdia entre o Sepe a prefeitura é a emenda que estabelece a equiparação entre as três classes de professores (ensino infantil, 1° ao 5° ano e 6° ao 9° ano). De acordo com o Sepe, a equiparação criará um professor polivalente, que dará aulas para todas as matérias. A classe é contra professores darem aulas de disciplinas que não sejam de sua formação.

O Sepe também reclama do prazo de cinco anos determinado pelo plano para estabelecer a paridade salarial entre professores que têm a mesma formação. Segundo o sindicato, o prazo é longo e vai além da gestão de Paes.

Os professores estão em greve desde o dia oito de agosto, quando a prefeitura apresentou a proposta que não agradou a classe. A greve chegou a ser suspensa por um curto período, mas foi retomada no dia 17 de setembro, quando Paes enviou a proposta para a Câmara para ser votada em regime de urgência.

Os professores querem a anulação da votação e mais prazo para debater as propostas. A bancada da oposição, que se recusou a participar da votação, afirmou que tentará anular a sessão da última terça-feira.

O prefeito disse que “há um conjunto de inverdades” sobre a greve dos professores e que nenhum profissional será obrigado a migrar para o regime de 40 horas. “O professor que trabalhar menos horas vai ter o seu salário equiparado. O que a prefeitura quer é fazer concursos para professores que trabalhem 40 horas, porque a gente tem um plano de ensino integral. Há muita inverdade nesse processo”, Em nota, o prefeito pediu que os professores voltem ao trabalho “o mais breve possível para que os alunos não sejam prejudicados”.

Fontes:
Sepe-Vergonha: Câmara aprovou plano de carrreira de Paes contra a educação municipal
Terra-Rio: votação de plano de cargos dos professores é incerta; entenda polêmica

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4 Opiniões

  1. helo disse:

    Nessa crise as grandes vítimas são os alunos. Esse tempo perdido ficará para sempre irrecuperável.

  2. Afonso Schroeder disse:

    Leio com tristeza esta classe (professores), ter que fazer movimentos para a busca de um salário digno, que por sinal é vergonhoso em todo Brasil, pois quando se trata de aumentar o ganho que já é excessivo de políticos é aprovado a toque de caixa, esta na hora dos eleitores brasileiros saber escolher melhor seus representantes principalmente no legislativo, caso contrário este País jamais vai ter as mudanças que precisam ser feitas e com maior urgência possível, mas com toda certeza estes eleitos e corporativistas, que legislam em causa para sua classe, que por coincidência são os empresários.

  3. Edu Silva disse:

    Eu não sei o que é pior para esses professores, se é apanhar como eles apanharam da polícia, ou se é ouvir as mentiras desses políticos. Se a classe mais nobre ( pelo menos deveria ser ) de trabalhadores desse país passa por tamanha humilhação, imagine nós o povo, isso ainda vai virar o samba do criolo doido, se é que já não virou, e vou além, isso aqui está pior de que briga de foice no escuro, do que cego em tiroteio. Entre mortos e feridos espero que sobre pelo menos um pra contar a história.

  4. Áureo Ramos de Souza disse:

    JÁ FUI MOÇO, JÁ GOZEI A MOCIDADE E NÃO ME LEMBRO DE GREVE QUANDO FAZIA EU O PRIMÁRIO, GINÁSIO E CIENTIFICO COMO ERA CHAMADO ATÉ 1967. HAVIA O TROTE ESTUDANTIL PARA NÓS QUE PASSAVA NO VESTIBULAR E TUDO ERA ORDEIRO E ÉRAMOS CONTRA AS COISAS DOS GOVERNOS. HOJE SE GANHA MAL E AINDA APANHAM

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