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Dia do Meio Ambiente

Aquecimento global estimula a migração de peixes tropicais para o Ártico

No Dia Mundial do Meio Ambiente, pesquisadores dizem que é preciso refletir sobre os efeitos do excesso de calor nos oceanos, que atrapalham a produção de oxigênio necessário para a vida

Um estudo publicado esta semana na revista Science mostra que o aquecimento global, provocado pela ação humana, está impulsionando a migração de espécies marinhas dos oceanos tropicais para o Ártico. O imenso mar deserto em regiões como a costa brasileira compromete a existência da indústria da pesca, vital para o setor econômico e para a dieta da população.

Hoje, no Dia Mundial do Meio Ambiente, pesquisadores dizem que é preciso refletir sobre os efeitos do excesso de calor nos oceanos, que atrapalham a produção de oxigênio necessário para a vida.

Hans-Otto Pörtner, principal autor do estudo, avalia que as espécies tropicais recém-chegadas no Ártico podem abalar o equilíbrio do ecossistema. As espécies mais vulneráveis, inclusive, sofreriam com a ameaça de extinção. “A água no Ártico é extremamente fria, mas também muito rica em oxigênio. Com a evolução, os animais que vivem ali se adaptaram a estas condições e terão menos chance de sobreviver quando esta região for mais atingida pelo aquecimento global. As espécies que migram de regiões quentes, e que precisam de menos oxigênio, vão atingir fortemente as nativas”.

Quanto mais quente é a água, menor é a quantidade de oxigênio disponível. Isso explica por que a pesca nos trópicos é menos produtiva do que em regiões frias. O estudo mostra como o bacalhau, uma espécie de caranguejo e duas de peixes, todas importantes economicamente para uma série de países, estão precisando ir para outras regiões, ou viver em áreas mais profundas, para conseguir manter o metabolismo”, explica Cláudio Gonçalves Tiago, pesquisador do Centro de Biologia Marinha da USP, em entrevista ao Globo.

Pörtner também é coautor do último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, divulgado no ano passado. Ele ressalta que muitas espécies marinhas só terão chance de sobreviver se migrarem para regiões onde o aumento da temperatura global não ultrapasse a marca de 1,5 grau Celsius, sendo que a meta discutida pela comunidade internacional, e por muitos considerada utópica, já prevê um aumento de 2 graus Celsius.

 

Fontes:
O Globo-Peixes tropicais procuram o Ártico para fugir do aquecimento global

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