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Tão longe, tão perto

As incríveis semelhanças entre Brasil e Polônia

Em sua visita ao país, um correspondente polonês da revista 'Economist' revela as semelhanças entre Brasil e Polônia

As incríveis semelhanças entre Brasil e Polônia
Apesar de distantes, Brasil e Polônia têm muitas semelhanças históricas, culturais e econômicas (Reprodução/Bloomberg)

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“Um país comunista, com dinheiro capitalista”. Assim Lech Walesa descreveu o Brasil em sua visita ao país como presidente da Polônia, no início da década de 1990. Talvez ele não soubesse, mas a própria capital onde foi recebido foi obra de Oscar Niemeyer, um comunista de longa data que morreu em 2012.

Em sua visita ao país, um correspondente polonês da revista Economist constatou outras semelhanças entre Brasília e a capital polonesa Varsóvia, tão distantes e, ao mesmo tempo, tão próximas. As impressões do correspondente foram narradas na edição atual da publicação.

A primeira semelhança entre as capitais é a predominância monótona de edifícios de escritórios, dispostos em blocos, todos com fachadas desbotadas e gramas que crescem invadindo os pavimentos irregulares.

Também existem algumas diferenças. A arquitetura de Brasília tem um ar de grandiosidade. O modernismo de Niemeyer é mais refinado e a grama tropical da capital brasileira é mais verde. Enquanto a paisagem de Varsóvia mudou duas vezes nas duas últimas décadas, a de Brasília permanece a mesma. Mas apesar dessas diferenças, as semelhanças são evidentes.

Brasil e Polônia têm semelhanças históricas. Ambos passaram por um período de regime ditatorial: no Brasil, comandado por militares; na Polônia, por comunistas. Contudo, tais regimes foram menos rígidos do que os implantados em seus países vizinhos.

Posteriormente, os dois países passaram por uma transição pacífica para a democracia. Essa transição foi seguida do combate à inflação, luta que durou alguns meses na Polônia, e uma década no Brasil. Os dois países experimentaram um milagre econômico realizado por ministros da Fazenda: Leszek Balcerowicz, na Polônia; Fernando Henrique Cardoso, no Brasil. Mais tarde, ambos elegeram líderes sindicais para presidente. No Brasil, Lula; na Polônia, Walesa. Eleitos, ambos provaram ser mais pragmáticos e responsáveis no cargo do que se temia.

Tanto o Brasil como a Polônia consideram-se líderes regionais, apesar da influência brasileira no mundo ser muito maior que a polonesa. Por outro lado, os dois países se sentem inseguros nessa posição. Eles aceitam elogios internacionais, mas rejeitam as críticas, não importa se elas vêm da Economist, do Financial Times ou do New York Times.

Ambos os países sofrem com a desconfiança da população. A honestidade eleitoral é baixa nos dois países. A burocracia é vasta e serve para proteger da falta de honestidade. Qualquer contrato firmado requer idas ao cartório.

A cultura do “jeitinho”, para driblar a burocracia, está presente nos dois países. Preceitos religiosos na política também. O aborto, por exemplo, é ilegal em ambos os países.

Claro que os dois países também têm suas diferenças. Na Polônia, apesar do baixo PIB, a população tem um alto padrão de vida. O poder aquisitivo polonês é mais alto e o custo de vida mais baixo do que no Brasil. A desigualdade de renda é mais profunda no Brasil, assim como a diversidade de sua população.

Por fim, o Brasil nunca enfrentou ameaças externas ou foi dividido por vizinhos expansionistas, mas tem uma taxa de homicídios de 22 assassinatos a cada 100 mil habitantes, número 20 vezes superior ao da Polônia.

Fontes:
The Economist-Not poles apart

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1 Opinião

  1. Joaquim Caldas disse:

    Dez(10) bilhões para os coronéis,comandantes, das Forças Armadas expulsarem os ladrões,mais uma vez,do poder! Se o PT está comprando tudo com o nosso dinheiro,suor do povo que pagam impostos,devemos ser o objeto direto das negociações.Vamos deixar de pagar impostos e comprar os comandantes,é constitucionalíssimo o ato de combater traidores e ladrões da nossa pátria!!! Se nos estamos pagando pra ladrões, então vamos pagar para evitar o roubo e a transição ideológica do nosso país,temos dinheiro de sobras.Militares? Movimentem-se Já!!!!!

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