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A SAÚDE PÚBLICA NA UTI

As propriedades medicinais da goiaba: a saúde no Brasil para além do ‘polêmico’ Mais Médicos

No país onde 1 milhão de pessoas vêm saindo dos planos de saúde a cada ano, os gastos com saúde pública estão ‘congelados’ e podem ser ‘desindexados’

As propriedades medicinais da goiaba: a saúde no Brasil para além do ‘polêmico’ Mais Médicos
Ao que tudo indica, quem não tem plano nem acesso ao SUS terá de recorrer às propriedades medicinais da goiaba (Foto: iPED)

“O Ministério da Saúde fica prorrogando para tentar resolver”, disse a repórter Marina Franceschini, da GloboNews, na primeira hora desta segunda-feira, 17, informando sobre o vaivém dos prazos, em particular, e sobre a burocracia infinita, em geral, criada pelo governo federal para correr atrás do prejuízo à Saúde no Brasil causado pela “polêmica” criada por Jair Bolsonaro (PSL) com o programa Mais Médicos. Para médicos brasileiros formados no exterior é necessário apresentar nada menos que 17 documentos, para início de conversa.

O prejuízo tem número, ainda que não seja cifra: até agora foram preenchidas algo em torno de 5.900 vagas das 8.517 que ficaram em aberto quando médicos cubanos de atendimento básico de saúde desapareceram dos seus postos de trabalho no Brasil da noite para o dia.

Há pouco mais de um mês, Cuba deu cabo oficialmente do programa Mais Médicos, após Bolsonaro tê-lo inviabilizado na prática, enquanto consequência da estratégia bolsonarista de ressuscitar o mais rasteiro anticomunismo, entre outros delírios, para desviar o foco dos problemas imensos e bem reais com que seu governo, que está prestes, irá se deparar. E a situação da saúde pública no Brasil, para lá de dramática, é precisamente um deles.

Para início de conversa, é um problema de cifra, ou seja, orçamentário. Um problema histórico que, sob o governo Bolsonaro, tudo indica que irá se agravar, após já ter se agravado substancialmente sob o governo Michel Temer. A PEC do “teto dos gastos”, aprovada e promulgada no fim de 2016, “congela” os gastos com saúde do governo federal em 15% da receita da União em 2017, mais o adicional da inflação do ano anterior. Bolsonaro, por sua vez, quer ir além: com sua pretendida “desindexação das despesas”, pode cair por terra a exigência de um gasto mínimo com saúde no Brasil.

Em 2015, os gastos com saúde pública no Brasil foram o equivalente a 3,8% do PIB. A média dos países desenvolvidos é de 6,5%. No relatório Aspectos Fiscais da Saúde no Brasil, divulgado recentemente, o Banco Mundial aponta um aumento no país de 25,9% da demanda por despesas primárias em saúde nos próximos 10 anos, prazo de vigência da PEC dos gastos, e de 37%, no mesmo período, com expansão e ampliação de serviços médicos. Em cenário de investimentos “congelados”, já seria, como diz o Banco Mundial, “um desafio”. Em cenário de investimentos “desindexados”, procura-se uma palavra melhor.

‘O pulso ainda pulsa’

Em abril deste ano, publicamos neste Opinião e Notícia matéria informando como os reajustes abusivos, autorizados pela ANS, vêm afastando, em média, 1 milhão de brasileiros por ano dos planos de saúde. A matéria foi intitulada: “Planos contam com ANS. Saúde pública dará conta das consequências?”. Há poucas semanas, a imprensa brasileira noticiou que Jair Bolsonaro escolheu seu futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, por indicação da “bancada da Saúde”. A bancada, na verdade, é dos “planos de saúde”.

Junte-se ao cenário de uma população com baixa cobertura de seguro-saúde, o cenário de uma população com baixa cobertura vacinal, e o país dos investimentos em saúde “congelados” e possivelmente “desindexados” terá agravado um terceiro, um terceiro cenário: o dos surtos e epidemias. A Fiocruz acaba de alertar que o Rio de Janeiro pode enfrentar um epidemia de chikungunya em 2019. A sífilis voltou a ser epidêmica no Brasil. Várias cidades do país estão, agora mesmo, sob risco iminente de epidemias de dengue. O verão que se avizinha pode trazer consigo um novo surto de febre amarela, no esteio de um novo vácuo de campanhas massivas de prevenção. “E o pulso ainda pulsa”, dizia Arnaldo Antunes.

Mas a imprensa brasileira, os brasileiros, estamos entretidos, há semanas, com a “polêmica” do Mais Médicos. Da mesma forma que estamos entretidos com a visão de Jesus na goiabeira, relatada pela futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, enquanto Damares Alves intenta, por exemplo, atirar o Brasil na contramão das políticas públicas sobre aborto e, futura responsável pela Funai, é fundadora de uma Ong acusada de incitar o ódio à população indígena.

Em tempo, para quem não tem plano de saúde nem poderá contar com o SUS: a goiaba é um bom antisséptico natural, é rica em vitamina C, e os índios Ticuna, da Amazônia, costumam comer folhas de goiabeira para tratar diarreia e disenteria.

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4 Opiniões

  1. wilson schmeiske disse:

    Este idiota iliterato, só faz Kgada em cima de Kgada junto com seus filhos idiotas.

  2. Jan foster disse:

    Tem gente que acredita nos médicos cubanos
    Até tem gente que acredita em duende.
    Cuba forma algo como 300 médicos por ano. Como podem dispor de 9mil médicos para o programa? Simples. São 9mil auxiliares médicos, por isso o PT não deixou aplicar os testes, mas os crédulos fanáticos acreditam

  3. Ester H. Schulz disse:

    Impressionante como há pessoas que nem desenhando entendem a realidade dos fatos. Optam por seguir em fantasia delirante! Não é necessário o Revalida em caso de missões humanitárias. Uma exigência dessas para uma questão urgente, como a da saúde em áreas remotas, não seria somente estapafúrdia. Seria desumana. Em segundo lugar, os cubanos não passaram pelo Revalida, mas tiveram, sim, de comprovar a formação e passar por testes de forma a provar seus conhecimentos na profissão. Para finalizar, Cuba é referência em saúde no mundo todo! Uma rápida pesquisa no Google comprova isso, sem tomar muito tempo…

    Me impressiona a loucura que tomou o país, de tal forma que as pessoas se tornaram incapazes de ver o óbvio: estão sendo enganadas por um populista da pior estirpe! Nos meus quase 60 anos, nunca vi um caso tão grave de alucinação coletiva!

  4. Áureo Ramos de Souza disse:

    Mesmo antes de ser empossado tudo agora é por causa do futuro presidente Jair Messias Bolsonaro. Só porque ele discordou dos médicos que não médicos cubanos tudo é culpa dele. Porque um médico ou sei lá o que deve permanecer no país com um ordenado de R$ 11.700,00 e só ganhava R$ 4.000,00 e o resto ia para Cuba. Ai eu pergunto isto estava certo, correto ou são cegos quem escreve como jornalista. Deixa o homem ser empoçado, da-se uns meses e veremos ou faremos nossa primeira avaliação dele o Bolsonaro e seu ministério.

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