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VIOLÊNCIA

Assassinatos causam mais da metade das mortes de jovens no país

O país vive constante estado de extermínio e terrorismo sem se dar conta disso

Assassinatos causam mais da metade das mortes de jovens no país
Hoje, 53,8% das mortes de jovens entre 15 e 19 anos são assassinatos (Foto: Wikimedia)

Menos de uma semana depois de a Polícia Civil do Rio de Janeiro promover a maior apreensão de armas já feita no país, interceptando o desembarque de 60 fuzis no terminal de cargas do Aeroporto Internacional, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública – acaba de divulgar importante e preocupante estudo sobre a violência no Brasil.

O relatório Atlas da Violência 2017 aponta que os assassinatos respondem hoje por 53,8% das causas de morte de jovens entre 15 e 19 anos. Os números dão a dimensão de que o país vive constante estado de extermínio e terrorismo sem se dar conta disso. O tráfico de drogas – destino prioritário de armamentos como fuzis e granadas – responde por grande parte destes homicídios.

O estudo – baseado no Sistema de Informação sobre Mortalidade (e sua inconveniente sigla SIM) do Ministério da Saúde – mostra que a taxa de homicídios por 100 mil pessoas entre 15 e 29 anos (com taxa de mortalidade por assassinato de 47,8%) cresceu 17,2% entre 2005 e 2015 após ter começado a apresentar sinais de estagnação na década passada.

Ainda segundo o levantamento divulgado esta semana, ocorreram, somente em 2015, 31.264 homicídios de jovens no Brasil. Entre as outras causas estão os acidentes de trânsito e doenças em geral. O estudo revela que havia uma tendência de arrefecimento entre os anos 2000 e 2010. Os pesquisadores, no entanto, admitem que a curva que apontava para o vale (queda) se voltou novamente em direção ao pico (subida). A vulnerabilidade social – premissa e resultado das deficiências na educação básica – ajuda a entender o cenário.

Números da violência comprometem futuro do país

O pesquisador do Ipea Daniel Cerqueira, o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança, Renato Sérgio de Lima, e a diretora executiva do Fórum, Samira Bueno, foram categóricos: “O que se observou nos dados é o futuro da nação comprometido. Entre 2005 e 2015, nada menos do que 318 mil jovens foram assassinados”, escreveram no relatório.

Por estado, o quadro é ainda mais anárquico: São Paulo reduziu 49,4% dos homicídios de jovens entre 2005 e 2015. Já no Rio Grande do Norte, a alta foi de 292,3%. Altamira, no Pará, é considerado o município mais violento do país com 105,2 homicídios por 100 mil habitantes. Pelo mesmo parâmetro, Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, é a cidade menos violenta, com 3,1 homicídios por 100 mil habitantes.

Dizem ainda os pesquisadores: “Enquanto isso, a sociedade, que segue marcada pelo temor e pela ânsia de vingança, parece clamar cada vez mais pela diminuição da idade de imputabilidade penal, pela truculência policial e pelo encarceramento em massa – que apenas dinamizam a criminalidade violenta, a um alto custo orçamentário, econômico e social”.

Em números globais, ocorreram no Brasil, em 2015, 59.080 homicídios – dois mil a mais na comparação com 2013. Em outras palavras: se mata no país em três semanas mais do que todos os ataques terroristas somados no mundo nos primeiros cinco meses de 2017, que deixaram 3.349 vítimas – descartando o ataque mais recente em Londres. O relatório conclui: “Tal índice revela, além da naturalização do fenômeno, um descompromisso por parte de autoridades nos níveis federal, estadual e municipal com a complexa agenda da segurança pública”.

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4 Opiniões

  1. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Antes do desarmamento não era assim, porque será que a criminalidade aumentou em todo país, não resta dúvida que cidadão honesto e desarmado tem uma possibilidade maior de morrer, será que “autoridades” não sabem que um brasileiro que porta uma arma, tem um treinamento, uma avaliação psicológica profissional vai ajudar mais o país em todos os sentidos, é um exercito civil que quando for necessário é um contingente de soldados.

  2. Carlos Valoir Simões disse:

    Algumas considerações:
    Extermínio talvez, terrorismo não. Terrorismo são ações com objetivo político.
    E a foto com uma pistola é tendenciosa: se os homicídios estão relacionados a droga e acidentes de carro, em sua maioria, tem que colocar um automóvel e uns “baseados” na foto.

  3. laercio disse:

    A guerra urbana interessa para uns poucos aumentarem suas riquezas e, manter o povo oprimido é sempre interessante porque ele para de pensar!
    Está mais que claro que tudo está errado! Se mantém o atual estado de coisas propositalmente!

    Não dá para falar de solução genericamente mas há nítidas possibilidades de mudança, se houver interesse.

    Mudanças de cunho convencional não trarão resultado porque está vinculada ao benefício de uns poucos que lucram com tudo de errado que ocorre no país.

    As mudanças não ocorrem porque é a base de muitas economias: ONGs, direitos humanos, etc

  4. Beta disse:

    É preciso tratar do planejamento familiar e do controle de natalidade, diretamente relacionados à situação de pobreza, ao risco social e à violência.

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