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RIO 2016

Atleta teme ser morto na Etiópia por protesto na Rio 2016

Maratonista Feyisa Lilesa pensa em ficar no Brasil por temer ser morto pelo governo etíope após ter feito um gesto de apoio à etnia Oromo ao cruzar a linha de chegada

Atleta teme ser morto na Etiópia por protesto na Rio 2016
‘Eles vão me matar. Eu não tenho outro visto. Talvez fique aqui’ , disse Lilesa (Foto: Twitter/Miss Marianne)

O atleta etíope Feyisa Lilesa, medalha de prata na maratona masculina da Rio 2016, teme ser morto ao voltar ao seu país por ter cruzado a linha de chegada de punhos cerrados e com os braços erguidos em um “X”, um gesto de apoio à etnia Oromo, alvo de perseguição e repressão na Etiópia, governada pela minoria étnica Amhara.

“É uma situação muito perigosa para os oromos na Etiópia. Em nove meses mais de mil pessoas morreram em protestos”, disse Lilesa, ressaltando que alguns de seus parentes estão presos. O atleta disse temer o retorno ao seu país. “Eles vão me matar. Eu não tenho outro visto. Talvez fique aqui. Se eu conseguir visto poderei ir para os Estados Unidos”, disse o atleta, de 26 anos.

A Etiópia é um dos mais pobres países do mundo, mas vem experimentando nas últimas décadas um rápido processo de industrialização. Diante disso, o governo adotou em novembro do ano passado um plano de reurbanização que prevê mudanças e realocações em várias regiões no entorno da capital Addis Ababa.

Os mais afetados pelo projeto de realocação são os oromos, um povo de tradição agrícola que representa a maior etnia da Etiópia. Indignados, eles iniciaram protestos contra o governo da minoria Amhara, no comando do país desde a década de 1970.

O governo acabou abandonando o projeto em janeiro deste ano. No entanto, os protestos continuaram e a repressão violenta do governo deu início às manifestações mais intensas já vistas em uma década na Etiópia.

Lilesa pediu o apoio da imprensa para denunciar a situação dos oromos. “Na Etiópia há 15 milhões de oromos e o governo nos obriga a deixar nossas terras, nos prende, nos mata. Eu peço que vocês, os jornalistas, que falem da democracia que não existe no meu país, dos interesses econômicos que apoiam a repressão aos oromos”.

O protesto do atleta repercutiu quase imediatamente nas mídias sociais. Uma rede de financiamento coletivo criada para ajudá-lo a encontrar um lar fora da Etiópia conseguiu levantar em poucas horas quase US$ 40 mil em doações.

O governo etíope negou planos de retaliação e afirmou que Lilesa não sofrerá qualquer represália se retornar ao país. Em um comunicado veiculado na rádio estatal Fana, o porta-voz do governo, Getachew Reda, disse que o posicionamento político de Lilesa não trará qualquer problema. “Apesar de ter expressado o seu ponto de vista político nos Jogos Olímpicos, o atleta será acolhido quando voltar para casa, assim como os restantes membros da equipa olímpica etíope”, disse Reda.

Fontes:
The Guardian-Ethiopian Olympic medallist seeks asylum after marathon protest

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