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SAÚDE

Baixa cobertura de vacinação pode causar volta de doenças antigas

Entre os fatores para a baixa imunização estão o desabastecimento de vacinas essenciais e pais que se recusam a vacinar seus filhos

Baixa cobertura de vacinação pode causar volta de doenças antigas
Algumas pessoas se recusam a vacinar seus filhos por julgá-los saudáveis (Foto: Pixabay)

Em 1973 foi criado o Programa Nacional de Imunização (PNI) no Brasil. Na época, havia quatro tipos de vacina disponíveis gratuitamente para a população. Hoje em dia, este número subiu para 27. No entanto, desde 2013, a imunização contra doenças como caxumba, sarampo e rubéola vem caindo no país. Isso ocorre por conta do desabastecimento das vacinas essenciais e por conta de pais que se recusam a vacinar seus filhos.

Segundo levantamento da BBC, o governo sofre cada vez mais para bater a meta na hora de vacinar a população. “Ainda é muito precoce para dizer se há oscilação real, mas estamos preocupados, sim. O sinal amarelo acendeu”, afirma Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunização.

Com menos pessoas vacinadas, existe uma possibilidade maior de criar um bolsão de pessoas suscetíveis a doenças antigas. Em um grupo de pessoas sem vacinas, a presença de apenas uma pessoa infectada poderia criar um surto de grandes proporções. Em 2013, houve uma queda na imunização contra o sarampo em Pernambuco e no Ceará. Pouco tempo depois, um surto da doença atingiu os dois estados. “Quando há queda nas taxas de imunização você vai criando um grupo de pessoas suscetíveis. Esse grupo vai crescendo ao longo do tempo, até chegar ao ponto em que a importação de um único caso gera uma epidemia”, explica Expedito Luna, médico e professor de epidemiologia do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP).

Além disso, como estas doenças antigas não costumam estar presentes no cotidiano das pessoas, elas não temem tanto a enfermidade. A poliomielite, por exemplo, doença responsável pela paralisia infantil, está erradicada desde 1990. Em 2016, 84% da população se vacinou contra a doença, sendo que a taxa recomendada pela Organização Mundial de Saúde é de 95% (os dados são parciais até outubro, mas foram coletados depois da campanha de vacinação). “A minha filha não viu amigos com poliomielite. Mas, na minha época, a primeira fileira na sala de aula era deixada para alunos com pólio. A minha geração tinha pânico de ser contaminada, já hoje as pessoas não veem a doença e ficam mais relaxadas. Mas as crianças hoje são saudáveis porque seus avós e pais foram vacinados no passado”, afirma Carla Domingues.

O aumento dos tipos de vacinas disponíveis também fez com que algumas famílias optassem por aplicar em seus filhos apenas aquelas que elas julgam importantes. Outras pessoas também evitam a vacinação porque acreditam que seus filhos são saudáveis. Questões religiosas e medo de reações adversas também estão entre os motivos daqueles que não vacinam seus filhos. Isso não é de hoje, grupos antivacina existem desde quando os programas de vacinação foram iniciados no século XIX.

Na Europa e nos Estados Unidos, estes grupos são mais numerosos. Apenas neste ano, 14 mil pessoas foram infectadas num surto de sarampo na Europa. O baixo número de vacinação é um problema real, e na Europa, não é por falta de recursos. O Brasil, por sua vez, registra, desde 2015, o desabastecimento de diversas vacinas, piorando ainda mais a situação.

Fontes:
BBC-Vacinação em queda no Brasil preocupa autoridades por risco de surtos e epidemias de doenças fatais

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