Início » Brasil » Barco que afundou no Pará estava irregular
TRANSPORTE CLANDESTINO

Barco que afundou no Pará estava irregular

Pelo menos dez pessoas morreram e outras 40 estão desaparecidas

Barco que afundou no Pará estava irregular
Barco afundou em um trecho conhecido por fortes correntezas (Fonte: Reprodução/AFP)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

O barco com 70 pessoas que naufragou nesta quarta-feira, 23, no Rio Xingu, no Pará, fazia transporte de passageiros de forma clandestina.

A embarcação “Comandante Ribeiro” não estava legalizada junto à Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon-PA).

Em nota, a agência ressaltou que “a diretoria de Arcon-PA aproveita o momento para reforçar o alerta aos usuários do transporte hidroviário no estado do Pará que não utilizem dos serviços de transporte clandestino”.

Pelo menos dez pessoas morreram, sendo seis mulheres, dois homens e duas crianças, e outras 40 continuam desaparecidas.

O barco naufragou em uma região conhecida como Ponte Grande do Xingu, entre as cidades de Porto de Moz e Senador José Porfírio. O trecho onde ocorreu o acidente é conhecido por fortes correntezas. As causas do naufrágio estão sendo investigadas pela Polícia Civil.

A Marinha do Brasil informou em nota que “um inquérito administrativo foi instaurado para apurar causas, circunstâncias e responsabilidades do acidente”.

A empresa Almeida e Ribeiro Navegação Ltda, proprietária do barco “Comandante Ribeiro”, foi notificada pela fiscalização da Arcon-PA no dia 5 de junho, mas não providenciou a regularização junto ao órgão.

Tempestade e poucos coletes

Um dos sobreviventes do naufrágio, o DJ Bruno Costa, relatou que o barco foi atingido por uma tempestade antes do acidente ocorrer. Segundo ele, a embarcação começou a estalar durante a forte chuva e foi se quebrando.

“Tive momentos terríveis nesta madrugada. Era uma tempestade e o barco começou a quebrar e foi todo mundo para o fundo. A lona que amarra o barco impediu muita gente de sair. Eu estava de colete e consegui tirar uma criança, que também estava de colete. Antes de sair do barco, esbarrei na lona, mas consegui sair por baixo mesmo com o menino no colo. Acredito que muita gente não conseguiu sair do barco por conta da lona”, relatou o DJ.

Segundo o delegado Elcio de Deus, de Porto de Moz, outros sobreviventes disseram que o barco foi atingido por uma tromba d’água – fenômeno similar a um tornado. “A tripulação disse ter visto, no horizonte, algo com o formato de um funil, acompanhado de muita chuva e vento forte, e que teria pego o barco pela popa e o afundado. De acordo com os relatos, a embarcação girou e afundou em seguida”.

Bruno Costa ainda contou que muitos passageiros estavam em desespero por não saberem nadar e que muitos se agarravam aos outro, já que não havia coletes suficientes para todos na embarcação.

Buscas retomadas

O Corpo de Bombeiros do município de Porto de Moz informou que retomou na manhã desta quinta-feira, 24, as buscas aos desaparecidos no naufrágio. Até o momento, os bombeiros contabilizam pelo menos 37 passageiros desaparecidos e 23 sobreviventes.

Fontes:
EBC - Barco que naufragou no Pará fazia transporte clandestino de passageiros
G1-Bombeiros retomam buscas a desaparecidos em naufrágio no Pará
UOL-Sobrevivente de naufrágio no Xingu revela tempestade e diz que não havia coletes para todos

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

2 Opiniões

  1. olbe disse:

    Por estar irregular ele navegava a noite e com excesso de peso..Onde estava a fiscalização? TUDO NO BRASIL ACONTECE PORQUE NAO HA FISCALIZACÃO E QUANDO HA…SÃO COMPRADOS!!!! Até quando? Todos os escândalos de roubos foram agora descobertos passo a passo depois de anos..porque não foi feito antes? Nosso imposto de renda é fiscalizado e não deixam escapar um centavo mas os grandes fazem o que querem durante anos. Agora são presos mas já desfrutaram de uma vida tão rica que nenhum de nós poderia sonhar a custa de morte de inocentes…

  2. laercio disse:

    Faltou fiscalização! Certamente milhões de veículos diversos estão trafegando pela vias desse país sem qualquer fiscalização! Alegam falta de dinheiro, de pessoal, etc., Entretanto há soluções simples que podem ser adotadas! Imaginemos o exército implantando serviço militar obrigatório, por um ano, para homens e mulheres nas faixas etárias de 16 a 22 anos… Pronto, está disponível um gigantesco meio fiscalizador…
    Vão alegar que falta dinheiro! Sabemos que não falta… Assim como sabemos que não existe crise no Brasil! Os problema é as conveniências que poucos não querem abrir mão.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *