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GRITA BRASIL

Black o quê?

O movimento e as vendas superaram as do ano passado na Black Friday. Posso estar falando besteira, mas esses índices não me fazem crer em crescimento econômico

Black o quê?
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A tal da Black Friday foi um sucesso. O comércio no Brasil inteiro comemorou. O movimento e as vendas superaram as do ano passado. Lojas físicas e as lojas online venderam. E muito.

Porém, posso estar falando besteira, mas esses índices não me animam e não me fazem crer em crescimento econômico, nem recuperação da situação pela qual o país está passando.

Pessimista eu? Sei não. Realista? Quem sabe?

Muitas pessoas começam o ano, acredito eu, já planejando o que elas vão comprar na próxima Black Friday. Ou seja, passa-se o ano segurando as pontas, para quando novembro chegar, poder fazer a festa. E às vezes a festa é completa. Barba, cabelo e bigode, ou seja, tv, celular, máquina de lavar, fogão, ar-condicionado e, às vezes, de quebra, até um liquidificador.

Então, será que é certo se pautar em apenas um dia para estabelecer a temperatura da economia?

Acho que não.

Tanto que o Brasil com seu PIB no terceiro trimestre ocupa o 43º lugar dentro do ranking com 54 países elaborado pela Austing Rating. Ficamos à frente da Suíça, da Alemanha, de Cingapura, da Itália, mas ao mesmo tempo ficamos atrás da Eslováquia.

Eu costumo – posso estar errado – medir se as coisas estão bem ou não nas minhas idas ao supermercado. E venho percebendo que cada vez mais os itens diminuíram no carinho, mas o valor a ser pago, não.

Isso assusta e faz crer que o dinheiro está valendo nada e eu estou ganhado pouco. Não são questões excludentes. E não é uma questão Tostines. Lembram da propaganda? Tostines vende mais porque é fresquinho? Ou é fresquinho porque vende mais?

As duas coisas estão acontecendo. Pode-se não perceber assim de cara, mas, dependendo da situação, essa questão é gritante.

Aí você começa a analisar as coisas. Restaurantes cheios seriam sinônimos de economia aquecida? Acho que não. Pois o que acontece é que as pessoas diminuíram suas idas aos restaurantes. Estão muito caros. Eu mesmo escuto meus passageiros comentando os valores da conta e já aconteceu de passageiro falar somente o valor da conta em inglês na certeza que o “idiota” do motorista não fala inglês. Eles reclamam, e às vezes chamam até o Uber X para economizar. Mas vejo também restaurantes fechando. Lojas também. Ainda.

Eu sinceramente só vou crer numa retomada da economia quando for ao Guanabara – fora do aniversário – e voltar com troco podendo comer uma coxinha na promoção do Ragazzo – cadeia de fast food que venda coxinhas a R$1,00.

Aí você se pergunta: “Como pode dar certo?”. Vi semana passada uma mega loja, gigantesca na Barra da Tijuca – bairro da Zona Oeste aqui no Rio de Janeiro – e fiquei me perguntando: “quanta coxinhas tem que se vender para manter uma mega loja daquelas?”.

Ou as pessoas começaram a adorar coxinha, ou sei não.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão.  

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