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EM DISCURSO

Bolsonaro acena à imprensa

Em discurso em São Paulo, presidente diz que a imprensa é essencial ‘para que a chama da democracia não se apague’

Bolsonaro acena à imprensa
Gesto do presidente pode indicar uma mudança em sua retórica de ataques à mídia (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro disse na última quinta-feira, 18, que a imprensa é essencial “para que a chama da democracia não se apague”.

A declaração foi dada durante um discurso feito na cerimônia de comemoração do Dia do Exército, na sede do Comando Militar do Sudeste, em São Paulo.

“Prezados integrantes da mídia, em que pese alguns percalços entre nós, precisamos de vocês para que a chama da democracia não se apague. Precisamos de vocês cada vez mais, palavras, letras e imagens, que estejam perfeitamente irmanadas com a verdade. Nós, juntos, trabalhando com esse objetivo, faremos um Brasil maior, grande, e reconhecido em todo o cenário mundial. É isso que nós queremos. Que as pequenas diferenças fiquem para trás, o Brasil é maior do que todos nós juntos”, disse o presidente.

O aceno de paz à imprensa foi recebido com surpresa, uma vez que contrasta com o histórico de ataques à mídia, perpetrados por Bolsonaro. Desde que assumiu o Planalto, Bolsonaro, bem como seus filhos, adotou uma retórica de ataques quase diários à mídia e a jornalistas. Tal postura inflamou diretamente seus apoiadores, que fizeram de profissionais da mídia seus alvos prediletos, prejudicando a liberdade de imprensa no país, conforme constatou um relatório da organização Repórteres sem Fronteiras, divulgado na quinta-feira.

Ao reconhecer a importância do trabalho da imprensa, Bolsonaro dá um importante passo em direção ao arrefecimento da polarização e à conciliação. Porém, conforme apontou um editorial do jornal Estado de S. Paulo, é preciso que o presidente mantenha o que disse em discurso, em especial nas redes sociais.

“Com esse gesto, é de esperar que a atuação do presidente, especialmente nas redes sociais, ganhe novos contornos. Não faz nenhum sentido que o presidente da República reconheça a importância do trabalho de uma imprensa livre para a democracia e depois, nas redes sociais, transforme essa mesma imprensa no seu grande inimigo. Como disse o presidente Bolsonaro, as palavras devem estar ‘perfeitamente irmanadas com a verdade’”, diz o editorial, (confira aqui o editorial na íntegra).

Alguns, no entanto, permanecem céticos quanto à mudança de postura do presidente, como o senador Randof Rodrigues (Rede-AP). “É o cúmulo do cinismo: sempre atacou jornalistas e veículos quando se recusaram a cumprir qualquer função panfletária de seus desmandos, apontando suas contradições. Não é só parte do STF que curte a censura!”, escreveu o senador, na quinta-feira, em sua conta oficial no Twitter.

A declaração de Bolsonaro vem na esteira do imbróglio envolvendo a determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli, que proibiu a revista CrusoÉ, do site O Antagonista, de veicular um artigo intitulado “O amigo de meu pai”. O artigo citava um trecho da delação de Marcelo Odebrecht, na qual o empresário, preso na Operação Lava Jato, identificava Toffoli como o “amigo do amigo do meu pai” em e-mails da empreiteira.

A ordem de retirada foi dada no âmbito de um inquérito que corre em sigilo, aberto para apurar a veiculação de notícias falsas envolvendo o STF, bem como ataques ao tribunal e a seus integrantes. A ordem para que o artigo fosse retirado do ar foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, que atendeu a determinação de Toffoli.

Porém, a determinação foi alvo de críticas de parlamentares, entidades representantes da imprensa e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A medida também gerou desgaste dentro do próprio STF, uma vez que outros integrantes do tribunal, os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio, apontaram censura na iniciativa.

Na quinta-feira, Alexandre de Moraes revogou a determinação, permitindo a veiculação da reportagem.

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3 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    Só que, se a imprensa ficar com pilantragem pela volta da orgia com o dinheiro público em causa própria, acena com aquele sinal de arma.

  2. Áureo Ramos de Souza disse:

    Se não fosse a imprensa e Sergio Moro esses ladrões não estariam presos.E no Brasil a imprensa ou o estilo de se propagar ou escrever é livre. Ou eu estou errado?

  3. Analdo Bernardo disse:

    Sem dúvida a imprensa e fundamental no cotidiano do povo brasileiro, tem mesmo que chacoalhar à vida desses congressistas assim como meia duzia de ministro do supremo, desonestos, trabalhando com lobista vendendo alvará de soltura de politivos corruptos, empresários como o dono de empresa de ônibus, que bem sabes quem é (Gilmar Mendes)e mais alguns da corte que se acha acima da Lei, diante dessa quadrilha só mesmo uma intervenção militar.

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