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SOBRETAXAS AO AÇO

Bolsonaro acredita que Trump vai entender posição do Brasil sobre o aço

‘Nossa economia basicamente vem das commodities. Espero que tenha o entendimento dele, que não nos penalize no tocante a isso’, disse o presidente

Bolsonaro acredita que Trump vai entender posição do Brasil sobre o aço
'Tenho quase certeza de que ele vai nos atender', disse Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

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O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em entrevista a Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, que espera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entenda a posição do Brasil em relação ao aço. Na última segunda-feira, 2, Trump anunciou que vai retomar as sobretaxas ao aço e alumínio brasileiro.

Tanto a jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, quanto em entrevista à rádio, Bolsonaro reafirmou o bom relacionamento e o canal direto que mantém com o homólogo americano. No entanto, antes de entrar em contato com Trump, o presidente brasileiro reforçou a necessidade de conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

“A alegação dele, no Twitter dele, é a questão das commodities, a nossa economia basicamente vem das commodities, é o que nós temos. Espero que tenha o entendimento dele, que não nos penalize no tocante a isso, e tenho quase certeza de que ele vai nos atender”, afirmou Bolsonaro durante a entrevista.

Porém, em paralelo, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, disse que ainda não é o momento para os presidentes conversarem sobre o assunto. Segundo o porta-voz, “seria intempestivo”, tendo em vista que ainda há um “desconhecimento profundo” do governo brasileiro sobre as tarifas retomadas.

“É claro que o presidente Bolsonaro entende isso como uma medida unilateral do governo dos EUA, mas ele tem a afinidade e a capacidade de estabelecer o diálogo direto com o próprio presidente Trump. No momento, não é esta a decisão do nosso presidente. Ele está, por meio do Ministério da Economia, fazendo com que as nossas ideias, as nossas posições sejam aclaradas e sejam discutidas entre os dois países”, destacou Rêgo Barros.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, seguiu uma linha de posicionamento similar a do porta-voz da Presidência. Para o chanceler, como o governo dos EUA ainda não formalizou a retomada das sobretaxas, ainda é um momento para entender a proposta e como isso afetará o Brasil.

“É um setor que, desde o ano passado, já preocupava os americanos, então vamos, como eu digo, tentar entender e depois ver como é que a gente vai conversar com os Estados Unidos. Com muita calma, vamos chegar a um entendimento sobre isso. […] Nós estamos no nível técnico, nesse nível de entender as medidas. […] Essa medida não nos preocupa e não nos tira desse trilho rumo a uma relação mais profunda”, apontou Araújo.

Na última segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou as redes sociais para anunciar a retomada das sobretaxas ao aço e alumínio do Brasil e da Argentina. Segundo o presidente americano, os países estão desvalorizando maciçamente as suas moedas, o que prejudica os agricultores de seu país.

“Portanto, com vigência imediata, restabelecerei as tarifas de todo aço e alumínio exportado por esses países para os Estados Unidos. O Federal Reserve deveria agir da mesma forma, para que países, que são muitos, não se aproveitem mais do nosso dólar forte, desvalorizando ainda mais suas moedas. Isso torna muito difícil para nossos fabricantes e agricultores exportarem seus produtos de maneira justa”, escreveu Trump.

Tarifas à França

Brasil e Argentina, porém, não são os únicos países na mira de Trump. O representante do Comércio dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, anunciou, na tarde da última segunda-feira, que o governo pode aplicar tarifas adicionais de 100%, no valor de US$ 2,4 bilhões, em produtos franceses de 63 categorias.

A medida seria uma retaliação a um imposto sobre serviços digitais aplicados na França contra algumas empresas americanas, como Google, Facebook e Amazon.

“A decisão do USTR [Escritório do Representante de Comércio dos EUA] hoje envia um sinal claro de que os Estados Unidos tomarão medidas contra os regimes fiscais digitais que discriminam ou impõem encargos indevidos às empresas norte-americanas. […] De fato, o USTR está explorando se deve abrir investigações da Seção 301 sobre os impostos sobre serviços digitais da Áustria, Itália e Turquia. O USTR está focado em combater o crescente protecionismo dos Estados-membros da UE [União Europeia], que atinge injustamente as empresas norte-americanas, seja através de impostos sobre serviços digitais ou outros esforços direcionados às principais empresas de serviços digitais dos EUA”, afirmou Lighthizer através de um comunicado.

A possível aplicação das novas sobretaxas vem num momento de deterioração da relação entre Trump e o presidente da França, Emmanuel Macron. Isso porque, nos últimos dias, o chefe de Estado francês afirmou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estava em “morte cerebral”.

Trump, por sua vez, rebateu, classificando a afirmação de Macron como “muito, muito desagradável”, além de enxergar um teor “ofensivo” ao órgão. Os Estados Unidos são um dos principais financiadores da Otan, enquanto Trump pede com frequência que os países europeus aumentem os repasses para a organização.

“A Otan serve a um grande propósito. Eu acho isso muito ofensivo. […] Ninguém precisa mais da Otan que a França. É uma afirmação muito perigosa para eles fazerem. […] Acho que eles têm uma taxa de desemprego muito alta na França. A França não está indo bem economicamente. […] É uma afirmação muito difícil de se fazer quando se tem tanta dificuldade na França, quando se olha o que está acontecendo com os coletes amarelos”, disse Trump.

Leia também: Como seria um mundo sem a Otan?

Fontes:
AFP-Bolsonaro espera que Trump entenda posição do Brasil sobre aço
The Guardian-Trump blasts Macron over ‘brain dead’ Nato remarks

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1 Opinião

  1. Rafael de Barros Faria disse:

    Esse é o “patriotismo” desta trupe que assumiu o governo deste país. Um bando de entreguistas e subservientes aos interesses dos EUA.

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