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ALTA COMISSÁRIA DA ONU

Bolsonaro ataca Michelle Bachelet

Bolsonaro acusou Bachelet de atentar contra a soberania brasileira e relembrou a morte de seu pai, Alberto Bachelet, durante a ditadura de Pinochet

Bolsonaro ataca Michelle Bachelet
Ataque ocorre às vésperas da visita do ministro das Relações Exteriores chileno ao Brasil (Foto: UN Photo/Jean-Marc Ferre)

O presidente Jair Bolsonaro atacou, na manhã desta quinta-feira, 4, a Alta Comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile.

Bolsonaro relembrou a morte do pai de Michelle Bachelet, Alberto Bachelet, que foi assassinado pela ditadura chilena, comandada por Augusto Pinochet.

Pelas redes sociais, Bolsonaro compartilhou uma imagem de Michelle Bachelet ao lado das ex-presidentes Dilma Rousseff, do Brasil, e Cristina Kirchner, da Argentina. No texto, ele afirmou que a Alta Comissária da ONU segue “a linha de [Emmanuel] Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira”. Em seguida, voltou a associar os direitos humanos a “bandidos”.

“Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época”, escreveu o presidente. Na época do golpe militar, Alberto Bachelet era general de brigada da Força Aérea. Ele foi preso, torturado e morto pela ditadura de Pinochet em 1974, aos 50 anos.

Foto: Reprodução/Facebook

O ataque de Bolsonaro foi em resposta a um pronunciamento de Michelle Bachelet, em Genebra, no qual a Alta Comissária alertou que o Brasil enfrenta uma “redução do espaço cívico e democrático”.

Bachelet denunciou o aumento no número de mortes em ações policiais, associando-o a um “discurso público que legitima as execuções sumárias”. Em seguida, afirmou que oito defensores dos direitos humanos foram mortos no Brasil, entre janeiro e junho deste ano.

“Nos últimos meses, observamos [no Brasil] uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrições impostas ao trabalho da sociedade civil. […] Em relação à Amazônia, 33% dos incêndios ocorrem em terras indígenas ou em áreas protegidas. […] Dissemos ao governo que ele deveria proteger os defensores dos direitos humanos, os defensores do meio ambiente, mas também investigar o que poderia desencadear violência contra eles”, afirmou a Alta Comissária.

O ataque de Bolsonaro à Bachelet ocorre às vésperas da visita do ministro das Relações Exteriores do Chile, Teodoro Ribera, ao Brasil. Na próxima quinta-feira, 5, o chanceler chileno vai se reunir com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araujo, para tratar da agenda bilateral.

O Chile é o segundo maior parceiro comercial do Brasil na América do Sul. Em 2018, o intercâmbio comercial entre os países movimentou US$ 9,8 bilhões. Ademais, o Brasil ainda concentra o maior investimento do Chile no exterior, ultrapassando a cifra de US$ 35 bilhões.

Esta não foi a primeira vez que Bolsonaro fez menção à ditadura chilena. Em 2015, então deputado federal, ele afirmou que Pinochet fez o que tinha de ser feito.

A admiração de Bolsonaro a Pinochet voltou aos noticiários em março deste ano. Na época, Bolsonaro foi rebatido pelo presidente do Chile, Sebastián Piñera, que classificou como “infelizes” as declarações de Bolsonaro sobre a ditadura de Pinochet. “Não compartilho muito do que Bolsonaro diz sobre o tema”, afirmou Piñera.

A ditadura militar chilena, comandada por Augusto Pinochet, perdurou de 1973 até 1990. Segundo estimativas, o período militar no Chile ceifou a vida de pelo menos 3 mil pessoas executadas pela repressão do governo. Outras 40 mil pessoas teriam sido torturadas.

Em defesa de Bolsonaro

Logo após a publicação de Bolsonaro, autoridades mais próximas do presidente brasileiro saíram em sua defesa. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) destacou a redução da pobreza no Chile nos anos 1980 e disse que “se os simpáticos a Bachelet tivessem ganho essa batalha no passado o Chile hoje seria uma Cuba”.

Já Arthur Weintraub, irmão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, e assessor especial da Presidência, reforçou o discurso do presidente Bolsonaro, apontando que as afirmações de Bachelet “mexem com nossa soberania”.  O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), por sua vez, afirmou que a Alta Comissária da ONU “gosta muito de defender ‘direitos de bandidos’”.

Repúdio à declaração

Os ataques de Bolsonaro à Michelle Bachelet rapidamente tomaram o debate público, tanto no Brasil, quanto no Chile. O ex-chanceler e ex-embaixador do Chile Juan Gabriel Valdes, que foi ministro chileno no governo de Ruiz-Tagle, ironizou o argumento de Bolsonaro sobre “ameaça à soberania nacional”. Para Valdes, o argumento é utilizado por autocratas diante de críticas.

Já a deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ) relembrou que essa não é a primeira vez que Bolsonaro trata “de forma canalha a perda de um familiar assassinado pela ditadura”. “Não há condições de um entusiasta de ditaduras seguir no comando do nosso país”, escreveu a parlamentar.

Defesa de ditaduras

O ataque de Bolsonaro contra Michelle Bachelet rememora o episódio envolvendo o presidente brasileiro e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. Em julho, Bolsonaro afirmou que poderia contar a Felipe Santa Cruz como seu pai foi morto durante a ditadura militar.

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade”, disse Bolsonaro.

O presidente da OAB é filho de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, que foi preso pelo regime militar brasileiro. Fernando Santa Cruz integrava o Ação Popular (AP), grupo contrário ao governo militar. O ex-delegado do Dops Cláudio Guerra afirmou, em 2012, que Fernando foi incinerado.

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Fontes:
Folha de São Paulo-Bolsonaro ataca pai de Bachelet, morto sob Pinochet, e defende golpe no Chile
Correio Braziliense-ONU alerta para redução de espaço democrático no Brasil; Bolsonaro rebate

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3 Opiniões

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    ESTE É O MEU PRESIDENTE. Fora bachelet comunista que ainda defende aquele comunista do salvador. FORA COMUNISTAS. RESPEITEM A NOSSA SOBERANIA.

  2. Rogerio Faria disse:

    Os bolsominions adoram estas demonstrações das irracionalidades do bozo.
    Por isso, esse fascista foi eleito. Tem público anencéfalo, é tudo que estas figurinhas que se assenhoraram do governo brasileiro querem…

  3. Selma Carvalho disse:

    Já dizia minha avó: “opinião e umbigo cada um tem um(a)”. Sinceramente não vejo como o nosso presidente poderia dizer o que ele disse com outras palavras. A verdade é essa mesma. Infelizmente vivemos a época que TODO MUNDO FICA MAGOADO quando a situação não esta a seu favor, quando não comungamos da mesma opinião. Mas, não podemos esquecer que o mundo é redondo e gira e para não ter que “ENGOLIR” a língua depois é preciso ter cautela. Que a final nunca fez mau a ninguém.
    Sem falar que como A MAIOR PARTE DA IMPRENSA contra o Bolsonaro, mesmo ele defendendo o Brasil, jamais vai deixar passar qualquer pronunciamento.

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