Início » Brasil » Bolsonaro e ministro se contradizem sobre privatização dos Correios
FALHA NA COMUNICAÇÃO

Bolsonaro e ministro se contradizem sobre privatização dos Correios

Presidente anuncia privatização dos Correios em evento. Ao mesmo tempo, ministro Marcos Pontes diz em comissão que não há decisão sobre o assunto

Bolsonaro e ministro se contradizem sobre privatização dos Correios
Declarações contraditórias foram dadas na última terça-feira, 6 (Foto: EBC/Agência Senado)

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, entraram em contradição sobre a privatização dos Correios na última terça-feira, 6.

Na manhã de terça-feira, quando discursava na cerimônia de abertura do 29º Congresso ExpoFenabrave – evento anual que reúne empresas e empresários ligados ao setor de distribuição de veículos -, Bolsonaro afirmou à plateia que está tomando uma série de medidas para “destravar a vida” de empresários.

Ao identificar na plateia o deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP), que se apresenta como “Carteiro Reaça”, Bolsonaro apontou que uma das medidas envolve os Correios. “Vamos privatizar os Correios”, anunciou o presidente, sendo aplaudido pelos presentes.

Entretanto, menos de uma hora depois, o ministro Marcos Pontes afirmou o oposto durante uma audiência na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados.

Questionado pelos parlamentares sobre a possível privatização da empresa pública, Pontes negou que haja uma decisão tomada em relação à medida. O ministro foi convidado à comissão justamente para prestar esclarecimentos sobre a privatização dos Correios, uma das bandeiras de Bolsonaro.

Segundo noticiou a Agência Brasil, estavam presentes na audiência o presidente dos Correios, Floriano Peixoto, funcionários da empresa e representantes de sindicatos de carteiros. O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios, José Rivaldo, argumentou na audiência que a privatização dos Correios pode reduzir o número de cidades com serviços de entrega.

Por sua vez, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), questionou a qualidade do serviço prestado e relacionou o fato à falta de concorrência.

Já o deputado Ivan Valente (Psol-SP) destacou que Bolsonaro havia afirmado o oposto poucas horas antes. O deputado questionou o ministro sobre a contradição e quis saber qual era a determinação da empresa.

“Não sei exatamente o que ele [Bolsonaro] falou, mas estou transmitindo a informação dele de ontem. Eu gosto de fazer as coisas de uma forma muito criteriosa. […] O que temos hoje de concreto é trabalhar para que os Correios sejam sustentáveis em termos econômicos e financeiros. De concreto, é isso que a gente tem de determinação”, respondeu Pontes.

Em mais de uma ocasião, Bolsonaro já afirmou que pretende privatizar os Correios. Em abril deste ano, ele afirmou que já havia “dado sinal verde” para a medida. “Já dei sinal verde para privatizar os Correios. A orientação é que a gente explique por que é necessário privatizar”, disse o presidente, em uma entrevista à revista Veja.

A discussão em torno da privatização dos Correios se iniciou na gestão do ex-presidente Michel Temer, e se intensificou com a chegada de Bolsonaro ao Planalto.

Ferrenho entusiasta da privatização da empresa, Bolsonaro chegou a demitir da presidência dos Correios o general Juarez Aparecido de Paula Cunha, em junho deste ano.

A demissão se deu após Cunha participar de uma audiência pública no dia 5 daquele mês, na qual teceu comentários críticos sobre a proposta de privatização. Na época, Bolsonaro afirmou que Cunha agiu “como um sindicalista”.

Atualmente, duas gigantes do setor de vendas online cobiçam os Correios:
a chinesa Alibaba e a americana Amazon. Ambas estudam comprar a empresa, caso ela seja privatizada.

Após registrar resultados negativos em 2015 e 2016, os Correios registraram um lucro de R$ 667 milhões, em 2017, e de R$ 161 milhões, em 2018. A expectativa é que os números deste ano também serão positivos.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *