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SEQUESTRO NA PONTE

Bolsonaro e Witzel tentam fazer de sequestro de ônibus apoteose dos snipers

Na 'guerra do Rio', na guerra ideológica em curso no Brasil, a verdade é a primeira a levar ‘na cabecinha’

Bolsonaro e Witzel tentam fazer de sequestro de ônibus apoteose dos snipers
Bolsonaro e Witzel usam caso para justificar política de abate (Foto: Reprodução/TV Globo)

Está certo que toda identificação do inimigo se baseia em um mito, como costuma dizer o jurista argentino Eugenio Raúl Zaffaroni. Mas a mistificação que o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, estão promovendo nesta terça-feira, 20, na esteira do desfecho do sequestro de um ônibus no Rio, tamanha mistificação é capaz de fazer cair o queixo, para dizer o mínimo, evitando uma expressão menos polida.

De cair o queixo, mesmo de quem é para lá de escolado nas manhas e artimanhas dos poderosos para reforçar seu poder punitivo pela via do manejo via de regra desonesto da insegurança que grassa no sentimento social. Mesmo, portanto, de Zaffaroni, sujeito internacionalmente reconhecido em sua área, o Direito Penal. No Brasil, no “novo Brasil”, o de Jair Bolsonaro e Wilson Witzel, Zaffaroni seria imediatamente reconhecido também, mas como “defensor de bandido”.

Após um sniper da polícia fluminense atingir mortalmente o sequestrador do ônibus 2520, da viação Galo Branco, no meio da ponte Rio-Niterói, Bolsonaro e Witzel não tardaram para comparar, grosseiramente, o abate de um homem que ameaçava tacar fogo em dezenas de pessoas, ação policial aparentemente necessária e bem sucedida, com o dramático abate de gente pobre, pela polícia, no Rio de Janeiro.

“Não tem que ter pena”, disse Bolsonaro na manhã desta terça, referindo-se ao uso de snipers à moda Witzel, ou seja, para “mirar a cabecinha e pimba”, secretamente e para execuções sumárias por parte do Estado, as que têm sido levadas a cabo no Rio, naturalmente não em coberturas movidas a pó da Zona Sul – as que sempre foram levadas a cabo no Rio, mas nunca com tanto orgulho e desfaçatez.

Witzel, com os pés na ponte Rio-Niterói e olhos no Palácio do Planalto, disse que o desfecho do sequestro da ponte era um exemplo de que a polícia do Rio mata criminosos, não inocentes. Um dia antes do sequestro do ônibus da viação Galo Branco, na segunda-feira, 19, Witzel atirou no colo dos “defensores dos direitos humanos”, “defensores de bandidos”, os cadáveres dos vários jovens sem qualquer ligação com atividade criminosa mortos pela polícia fluminense nas últimas semanas. Ao todo, a polícia do Rio matou sub-notificadas 881 pessoas nos primeiros seis meses de 2019.

‘Se tem operação, não fica no ponto de ônibus’

Também um dia antes do sequestro, Witzel havia dito assim quando foi questionado sobre os riscos para a população mais pobre da sua política de promover, em vez de evitar, tiroteios em áreas periféricas do Rio de enorme densidade populacional: ‘se tem operação, não fica no ponto de ônibus’.

“Os mitos mais grosseiros – diz Zaffaroni em seu livro ‘O inimigo no direito penal’ – se impõem porque existe sempre uma relação inversa entre o grau de irracionalidade e brutalidade do poder repressivo e o nível de elaboração do discurso que busca legitimá-lo, e também porque se adequam melhor às demandas publicitárias”.

Em bom português: os embustes mais bizarros, são esses os que mais têm chances de colar, porque a ignorância é rainha e porque soam bem na TV.

Na “guerra do Rio”, na guerra ideológica em curso no Brasil, especialmente numa e noutra, a verdade é a primeira a levar “na cabecinha”. O “comunista” Zaffaroni lacra que, se toda identificação do inimigo se baseia em um mito, então conclui-se que “não existem verdadeiras guerras religiosas, mas sim que todas as guerras são míticas, ou melhor, que todas as guerras são idólatras”.

Na ponte Rio-Niterói, Witzel disse à imprensa que havia acabado de se reunir com os reféns do ônibus 2520 para uma oração do Pai Nosso: “oramos pelo criminoso que morreu”.

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8 Opiniões

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    Os “novos” articulistas do Opinião e Notícia estão cada vez mais canhotos. Parece até que o autor preferiria um desfecho diferente para este caso horroroso. Durante 24 anos de esquerdismo agudo produzimos esta porcaria que o PT nos legou e agora sofremos patrulhamento desta mesma esquerda.Lamentável.

  2. Henrique O Motta disse:

    A sua noção de realidade é que é espantosa e afastada da realidade. Não há qualquer justificativa para que riscos de morte de inocentes sejam corridos. Bandido que realiza sequestro, ameaça incendiar veículo coletivo com pessoas dentro deve ser combatido da forma mais eficaz possível, ainda que tal implique no uso de “sniper” para o tornar incapacitado como aconteceu (a morte é mera consequência e um risco assumido pelo bandido). Pare de ser um demagogo barato e inconsequente. Se você, seus filhos ou pais estivessem presos no coletivo com o bandido hoje estaria comemorando com certeza absoluta a ação policial. Quem é Hugo Souza para definir políticas de segurança? O cidadão do Rio de Janeiro, de qualquer classe social é a favor do endurecimento no trato da bandidagem. Se alguns poucos críticos eternos (e você é um deles) dos Governos Bolsonaro e Witzel não estão de acordo mudem-se, pois falta não fazem.

  3. Almanakut Brasil disse:

    BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO!

    Imprensa podre que faz qualquer menção em apoio aos criminosos tem que ser banida.

    Já chega a carpideiragem praticada em TV pública, às custas dos contribuintes.

  4. Nana disse:

    Essas duas postagens acima , me fez lembrar de urubus sobre carniça.

  5. DINARTE DA COSTA PASSOS disse:

    Está nascendo uma nova forma de “Inquisição Moderna”. Mata o sujeito e reza não pela alma mas pelo cadáver. O Estado não tem que ter a capacidade de matar, tem que ter sim a capacidade de evitar que caso semelhante aconteça. Matar qualquer um sabe fazer, não precisa ser preparado para isso, qualquer despreparado sabe muito bem tirar a vida dos outros. O Estado tem que fazer o excepcional, ou seja, aquilo que ninguém pode fazer. Se fizer o que todo mundo sabe fazer não é um Estado, mas o caos promovido pelo terrorismo de Estado.

    Invista na educação e mate a fome da população para que o resto se resolva. Não há como negar que a política do LULA foi a melhor para o Brasil. Se roubou, roubou! Mas que fez, fez. E este governo que surupia o bolso da população há trinta anos e não faz nada, além de matar Bandidos.

    BANDIDO BOM É BANDIDO RECUPERADO. Se não fosse assim o cristianismo não pregava que o ladrão arrependido está no paraíso. E dai você que se diz cristão, como é que ficam nesta história?

  6. Rogerio Faria disse:

    Não sei o que me assusta mais: a “nova política” ou o “novo cristão.”
    Comemorar o quê? a morte de um jovem, sem anotação criminal e portador de transtorno mental.
    Eu comemoria, como um gol de placa seguindo Witzel, se o governo do estado anunciasse a reativação da indústria naval e a geração de empregos no estado.
    Não há dúvida, vivemos tempos de bestialidade, desumanidade e “desintelectualidade.”

  7. Júlio César Cardoso disse:

    Bandido é bandido e como tal deve ser tratado pela polícia em defesa da socieadade. Quem defende bandido deveria levá-lo para a sua convivência familiar. É obvio que não se corrige a bandidagem simplesmente pela eliminação de sua vida, mas sim através de políticas públicas de educação. Mas, enquanto as politicas públicas de educação sejam ineficazes, não pode a sociedade pagadora de impostos continuar sendo molestada pelos meliantes.

  8. carlos alberto martins disse:

    se a policia matou o bandido,acham que é errado,se o bandido em um ataque de transtorno mental tivesse matado os passageiros e colocado fogo no onibus,iriam dizer que é culpa dos policiais que nada fizeram para evitar a tragédia.enfim nada como uma grande melancia para os protetores que querem ser bonzinhos para a bandidagem.

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