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SUBSTITUTO DE DODGE

Bolsonaro indica Augusto Aras para o comando da PGR

Pela 1ª vez em 16 anos o indicado para o posto não provém da lista tríplice do MPF. Aras se declara conservador e é alinhado ao presidente em vários temas

Bolsonaro indica Augusto Aras para o comando da PGR
Indicação de Aras ainda precisa ser aprovada em sabatina no Senado (Foto: Roberto Jayme/TSE)

O presidente Jair Bolsonaro indicou nesta quinta-feira, 5, o subprocurador Augusto Aras para suceder Raquel Dodge no comando da Procuradoria-Geral da República (PGR). A indicação foi publicada em despacho no Diário Oficial da União (DOU).

É primeira vez em 16 anos que um indicado para o cargo não provém da lista tríplice, escolhida em eleição interna da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e considerada uma das principais ferramentas para dar autonomia à PGR. Na lista deste ano, constavam os nomes dos subprocuradores-geral Mário Bonsaglia e Luiza Frischeisen, além do procurador regional Blal Dalloul.

Segundo noticiou a Folha de S.Paulo, antes do anúncio oficial, Bolsonaro consultou integrantes das bancadas evangélica, ruralista e da bala – considerados os três pilares de seu governo. O presidente não encontrou nas mesmas resistência ao nome de Aras.

Em entrevista a jornalistas na tarde desta quinta-feira, na entrada do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse acreditar que, com a escolha de Aras, está fazendo “um bom casamento”.

“Outros nomes também apareceram. Eu tinha um universo ali de poucos para escolher. Acho que dei sorte, acho que escolhi o melhor, que estou fazendo um bom casamento. Na frente do padre, que é o Senado, para aprovar o nome dele”, disse o presidente.

Nascido em Salvador, Aras é formado em Direito pela Universidade Católica do Salvador, mestre em Direito Econômico pela Universidade Federal da Bahia e doutor em Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Ele ingressou no Ministério Público Federal (MPF) em 1987, como procurador da República. Atualmente, além de subprocurador, ele atua como professor na Universidade de Brasília.

O nome de Aras foi sugerido a Bolsonaro pelo ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF), amigo do presidente da República.

O subprocurador é alinhado ao presidente em temas como a exclusão das cotas raciais em universidades e a defesa de que proprietários rurais não respondam criminalmente por atirarem em invasores de suas terras. Ele também se opõe à ideologia de gênero e à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de criminalizar a homofobia.

Ele se autodeclara conservador e apoiador da Lava Jato, mas já teceu críticas à atuação de operação, em especial no que diz respeito às delações premidas.

Aras foi um dos interessados no cargo que procuraram o presidente da República – Bolsonaro se reuniu com pelo menos oito candidatos, entre eles, Dodge, que esperava ser reconduzida ao cargo.

Aras se comprometeu a chamar para cargos de segundo escalão do MPF procuradores de perfil conservador, alinhados a Bolsonaro. Isso porque o presidente vinculou a escolha do novo chefe da PGR ao aumento de procuradores de perfil conservador no segundo escalão do órgão.

Segundo a Folha, a determinação se dá porque algumas manifestações do MPF, como a defesa  da anulação da exoneração de peritos de órgãos de combate à tortura e a recomendação para que militares não comemorem o golpe de 1964, não agradam ao presidente.

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