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EM TRANSMISSÃO SEMANAL

Bolsonaro quer destinar multa da Petrobras para a Educação

Em transmissão semanal, Bolsonaro cogitou destinar R$ 2,5 bilhões, provenientes de uma multa nos Estados Unidos, para as áreas de Ciência e Tecnologia

Bolsonaro quer destinar multa da Petrobras para a Educação
Dinheiro seria proveniente de uma multa da Petrobras nos EUA (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro anunciou que pretende direcionar R$ 2,5 bilhões da Petrobras, provenientes de uma multa nos Estados Unidos, para a Educação. O anúncio foi feito na noite da última quinta-feira, 16, durante a sua transmissão de vídeo semanal pelas redes sociais.

O anúncio vem na mesma semana em que Bolsonaro enfrentou a sua primeira greve nacional, com manifestações de estudantes e professores em todos os estados do Brasil. Milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra o contingenciamento de verbas das universidades federais.

“Estamos nos Estados Unidos. Um acordo aqui bastante complexo, a multa de R$ 2,5 bilhões da Petrobras está voltando para o Brasil e pode ser aplicada em algo que não tenha a ver com Petrobras. Pelo que tudo indica, devemos levar esse recurso, com a participação muito ativa da senhora [procuradora-geral da República] Raquel Dodge, para o Ministério da Educação. Gostaria de, em parte, até se for possível, levar para Ministério da Ciência e Tecnologia. Nós temos que investir em pesquisa”, afirmou o presidente.

A multa foi acordada em setembro do ano passado. Para encerrar as investigações, a Petrobras concordou em pagar cerca de US$ 3,6 bilhões aos Estados Unidos. Desse total, R$ 2,5 bilhões seriam devolvidos às autoridades brasileiras. Esta seria a verba que poderia ser encaminhada para a Educação.

“O Brasil, a sua economia, é baseada em commodities. […] E se acabar os commodities, a gente vai viver do que? Israel vive porque investiu em Ciência e Tecnologia. Nós não investimos, por isso é uma preocupação. […] Nós temos que pensar no dia de amanhã”, concluiu Bolsonaro.

Projeto similar

Um projeto de lei da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que lidera a Minoria na Câmara dos Deputados, tem o mesmo objetivo de Bolsonaro, colocando-os do mesmo lado em um raro momento. Apresentado em março deste ano, o PL 1533/19, tem como objetivo garantir que os R$ 2,5 bilhões sejam aplicados no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

“Com efeito, reconhecendo a necessidade urgente de investimento em educação e ciência e tecnologia neste país, entendemos que esses recursos devam constituir fonte de financiamento do FNDE e FNDCT”, afirmou Feghali.

Preocupação de olavistas

Apesar de Bolsonaro ter minimizado as manifestações estudantis, destacando que a maioria dos manifestantes estava sendo usada como “massa de manobra de uma minoria espertalhona”, olavistas ligados ao governo mostraram-se preocupados.

Segundo a coluna Painel, da Folha de São Paulo, os olavistas temem que a oposição tenha achado uma pauta em comum para se unir: a Educação. Os integrantes do governo acreditam que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, comunicou de forma errada o contingenciamento na Educação.

Dividida em vários partidos, a oposição ao governo brasileiro mostrou-se, até o momento, fragmentada. No entanto, sob a bandeira da Educação, parlamentares de partidos como Psol, PCdoB, Rede e PT podem se unir para atacar Bolsonaro.

Afastamento de Olavo

O escritor Olavo de Carvalho, inclusive, voltou a negar a existência de um “grupo olavista” durante uma entrevista para o canal de YouTube Crítica Nacional, dada na última quarta-feira, 15. Segundo Olavo, a sua influência nas pessoas é apenas a de um escritor.

Na mesma entrevista, Olavo anunciou o seu afastamento temporário da política brasileira. Em conflito com a ala militar do governo há meses, sendo grande crítico, principalmente, do ministro Santos Cruz, responsável pela Secretaria de Governo, e do vice-presidente, general Hamilton Mourão.

“Eles querem me tirar da parada? Tiraram. Eu vou ficar quietinho agora, não me meto mais na política brasileira. O Brasil escolheu o seu caminho. Escolheu confiar em pessoas que não merecem a sua confiança e agora vai se danar. […] Tamparam minha boca. Não tem problema. Vocês se virem aí, fiquem com o Santos Cruz”, afirmou o escritor.

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