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Comunidade lusófona

Brasil apoiará adesão de Guiné Equatorial

Movimento contrário à adesão da Guiné Equatorial acusa o governo de corrupção e tortura de críticos e opositores

Brasil apoiará adesão de Guiné Equatorial
Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, no poder há 33 anos (Reprodução/Internet)

O Brasil irá reforçar sua defesa da adesão de uma nação do oeste africano à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) nesta quinta-feira, 19. O país é a Guiné Equatorial, que está sob o comando de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo há 33 anos. Em 2006, o país se tornou observador da CPLP, comunidade criada para aproximar as nações que têm tem como idioma oficial o português. A Guiné Equatorial irá tentar, pela segunda vez, a adesão à comunidade no encontro do bloco que começa nesta quinta-feira, em Moçambique. Na primeira tentativa, em 2010, o pedido não foi aceito por falta de consenso entre os membros. Entre os países contrários a entrada da Guiné Equatorial na comunidade está Portugal.

A decisão sobre o pedido deve ser anunciada na sexta-feira, 20, após reunião dos chefes de Estado. O vice-presidente Michel Temer será o representante do Brasil. Os países contrários a entrada da nação africana alegam que caso o pedido seja aceito, a reputação e respeitabilidade da CPLP na comunidade internacional estará irremediavelmente comprometida. O movimento que se opõe a adesão, que inclui a Associação Brasileira de ONGs, acusa o governo de Nguema de torturar e prender críticos e opositores. Além disso, indicam a existência de investigações de corrupção de Nguema e seus familiares no exterior.

De acordo com o movimento, o decreto presidencial que em 2010 instituiu o português como a terceira língua oficial da Guiné Equatorial não é resultado de uma expressão cultural, histórica ou da vontade do povo. Apesar de ter sido considera uma língua oficial, o português não é falado no país, que predominantemente utiliza o francês como idioma. As entidades afirmam ainda que os apoiadores da adesão da Guiné Equatorial à CPLP têm interesses econômicos, já que o país é rico em petróleo e o terceiro maior produtor de commodities da África Subsaariana.

Defesa

A Guiné Equatorial argumenta, para pleitear a entrada no bloco, que nos próximos anos o português passará a ser ensinado nas escolas do país. O governo afirma que a adesão deve ser aceita pelos laços históricos do país com Portugal e pela proximidade geográfica com outros membros da comunidade, especialmente Angola e São Tomé e Príncipe.

Para diplomatas brasileiros, a entrada da Guiné Equatorial na CPLP ajudaria o Brasil em sua missão de difundir a língua portuguesa pelo mundo, além de ampliar a influência brasileira no país. De acordo com os especialistas, a resistência de Portugal ao ingresso da Guiné Equatorial na comunidade se deve a pressão da França, que teme perder influência da região.

Os diplomatas brasileiros defendem que isolamento e sanções são contrários à prática democrática e desrespeitam os direitos humanos. Mesmo assim, o governo brasileiro não irá se indispor com os outros membros da CPLP e a entrada da Guiné Equatorial só será aceita se todos os membros a apoiarem.

 

Fontes:
BBC - Em cúpula lusófona, Brasil apoiará polêmica adesão de país africano

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1 Opinião

  1. José Roberto Ferreira disse:

    O ex-Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, que tive a honra de conhecer pessoalmente e com o qual já tive a oportunidade de estar em, pelo menos, quatro ocasiões, deu mais uma vez, uma demonstração cabal de estadista sem igual, postura a que já nos habituou há décadas, quer como Ministro dos Negócios Estrangeiros e, posteriormente, na qualidade de Presidente da República de Moçambique. Esta sua declaração de apoio à adesão plena da Guiné Equatorial no seio da CPLP não tardará muito a ter muitos seguidores, incluindo os que até agora têm resistido a essa adesão, com argumentos de violação dos direitos humanos por parte do regime equato-guineense como se esta realidade fosse uma exclusividade da Guiné Equatorial. O que dizer da violação dos direitos humanos e outros atropelos em todos os Estados-membros da CPLP?
    Quanto a pena da morte, prevista na Constituição da Guiné-Equatorial, que muitos invocam para o não convívio da antiga colónia espanhola no seio da grande família lusófona, todos os Estados actualmente membros da CPLP, mantém relações privilegiadas e de grande cooperação com países onde a pena de morte também está consagrada na sua Lei Fundamental designadamente China e EUA, para não falar nos regimes do Médio Oriente ondem abundam os petrodólares. Deixemo-nos de evasivas…

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