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GUERRA COMERCIAL

Brasil envia carta aos EUA contra as sobretaxas ao aço

O governo brasileiro tem explorado todas as possibilidades antes de recorrer à OMC com outros países

Brasil envia carta aos EUA contra as sobretaxas ao aço
Brasil quer figurar na lista de países isentos da sobretaxa (Foto: Xavier Granja Cedeño/Ministerio de Relaciones Exteriores, Comercio e Integración del Ecuador)

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O Brasil ainda não desistiu de isentar-se das sobretexas ao aço e alumínio anunciadas pelo governo dos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores enviou uma carta ao Departamento do Comércio americano, na última terça-feira, 13, pedindo a exclusão dos produtos brasileiros da nova medida adotada pela Casa Branca.

Além da carta, a embaixada brasileira em Washington está conversando com o chefe do Escritório de Representação Comercial Americana (USTR), o embaixador Robert Lighthizer, no intuito de esclarecer que o produto brasileiro não é uma ameaça à segurança americana.

O embaixador brasileiro Sérgio Amaral parece estar confiante com os argumentos apresentados aos representantes americanos. Em entrevista ao jornal Globo, Amaral informou que o Brasil conta com muitos contatos dentro do Congresso dos Estados Unidos.

“Ouvi de um deputado que os argumentos brasileiros são mais fortes que os canadenses [que, assim como o México, não serão sobretaxados]”. México e Canadá serão excluídos das sobretaxas e devem negociar valores com os Estados Unidos no Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta). Segundo Trump, outros países ainda podem ser isentos da cobrança.

Amaral informou que o governo brasileiro tem se movimentado há tempos, desde antes do anúncio de Trump, para evitar a sobretaxação. Juntamente com o ministro argentino de Comércio, Amaral se encontrou com o secretário de Comércio americano, Wilbur Ross, ainda antes da decisão do governo americano.

“Agora é um momento que todos estão conversando, é difícil antecipar. Mas os europeus já manifestaram que devem recorrer se forem atingidos por esta tarifa”, explicou Amaral sobre a possibilidade do Brasil recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), caso não obtenha sucesso no diálogo com os Estados Unidos.

“Pelos tratados internacionais, as tarifas de importação de aço e alumínio variam de zero a 4,5,%. Subiram para 25% e 10%. Portanto, se não houver uma solução amigável, vamos fazer uma representação à OMC, não unilateralmente, mas com todos os países que tiveram prejuízo. Essa medida coletiva dará mais força à representação”, afirmou o presidente brasileiro Michel Temer durante o Fórum Econômico Mundial em São Paulo na última quarta-feira, 14.

Até o momento, os americanos apenas têm escutado os argumentos brasileiros, sem pedir nada em troca para isentar o país da aplicação das sobretaxas. Segundo Amaral, o aço brasileiro representa apenas 4,4% do mercado americano global, com as siderúrgicas do país já tendo investido mais de US$ 11 bilhões nos Estados Unidos.

Em outro esforço para isentar o Brasil da sobretaxa, a embaixada brasileira em Washington está mapeando empresas brasileiras localizadas nos distritos eleitorais dos EUA que são importantes empregadoras no país. A medida visa pressionar deputados americanos a agirem a favor do Brasil.

Em uma nota divulgada à imprensa, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços mostrou “grande preocupação” com as sobretaxas anunciadas pelo governo americano, admitindo que o fato pode estremecer as relações internacionais entre os países.

“As medidas causarão graves prejuízos às exportações brasileiras e terão significativo impacto negativo nos fluxos bilaterais de Comércio, amplamente favoráveis aos Estados Unidos nos últimos 10 anos, e nas relações comerciais e de investimentos entre os dois países”, relatava o comunicado.

Reação internacional

Mercados importantes na economia mundial já se posicionaram contrários a sobretaxa do aço e do alumínio anunciada pelo governo americano. A China e a União Europeia afirmaram que adotarão as medidas necessárias para garantir os próprios interesses caso a decisão de Donald Trump sejam mantida.

Até mesmo dentro do governo americano a medida tem gerado discussão. O principal assessor econômico de Donald Trump, Gary Cohn, renunciou depois de posicionar contra a sobretaxação do aço e do alumínio, sendo mais um representante do governo a deixar a Casa Branca.

Na última quarta-feira, 14, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, autorizou a elaboração de um decreto legislativo, que, se aprovado, vai suspender o desconto dos Estados Unidos nas tarifas do etanol e do milho, contra-atacando a sobretaxação do aço e do alumínio.

Leia mais: Entenda a questão das tarifas dos EUA ao aço e alumínio
Leia também: O mundo diante de uma nova recessão

Fontes:
O Globo-Itamaraty envia carta aos EUA pedindo que Brasil seja excluído da sobretaxa do aço
R7- Brasil discute retaliação aos EUA após sobretaxa de aço e alumínio
O Globo-Temer: se não houver diálogo sobre aço, Brasil poderá ir à OMC
Gazeta do Povo-Trump bateu no aço, Brasil vai revidar no etanol de milho

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