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Brasil está cansado de ser repreendido

FIFA e COI podem espernear à vontade, mas no país das obras inacabadas, seus megaeventos não seguirão o cronograma. Quem mandou escolher o Brasil?

Brasil está cansado de ser repreendido
No final das contas e apesar dos puxões de orelha, o Brasil fará tudo do seu jeito (Reprodução/Internet)

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No mês passado, o vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o australiano John Coates, disse que os preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro são os ‘piores que ele já viu na história recente dos Jogos.

Antes disso, Sepp Blatter, presidente da FIFA, afirmou que o Brasil está mais atrasado em sua preparação para a Copa do Mundo do que qualquer nação anfitriã anterior, apesar de ter tido sete anos inteiros para se preparar.

Em seguida, em março, o secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, declarou que o Brasil corre o risco de ser o pior organizador da Copa, e que o evento pode ser o pior já realizado. Ele já havia dito que o Brasil precisava de “um pontapé no traseiro”.

Foi duro ouvir tudo isso. Os brasileiros, acostumados a serem tratados como filhos obedientes no cenário internacional, têm uma tradição de se submeter à sabedoria superior de autoridades estrangeiras. Cinquenta anos atrás, depois que o presidente João Goulart foi deposto por um golpe militar de direita, a presença americana na cena política brasileira era tão evidente que um humorista criou uma pseudo-campanha para lançar a candidatura do embaixador dos EUA no Brasil: “Chega de intermediários – Lincoln Gordon para presidente!”.

Mais tarde, nos anos 80 e 90, o Brasil obedientemente cumpriu programas de austeridade e reestruturação de dívida impostos pelo Fundo Monetário Internacional, mesmo quando as orientações levavam ao enfraquecimento da soberania brasileira e ao sofrimento dos pobres. Os brasileiros são amigáveis, tolerantes e alegres. Eles gostam de agradar.

Brasil não é Alemanha

Mas há um sentimento crescente de que a FIFA e o Comitê Olímpico estão levando o papel de pais exigentes um pouco longe demais. O Brasil não é a Alemanha, não é a Suíça. Se eles queriam pontualidade, deveriam ter escolhido outro lugar para sediar seus eventos. Atrasos fazem parte do modus operandi por aqui. São raros os projetos de reforma ou construção que são concluídos dentro do prazo estipulado.

O metrô de Salvador está em construção desde 1997, sendo que o governo já gastou mais de US$ 450 milhões para terminar apenas 6,4 quilômetros de trilhos (Há dois anos, o TCU encontrou indícios de que cerca de US$ 180 milhões sumiram devido a superfaturamento e desvio de verbas). São Paulo já gastou US$1,6 bilhão para limpar o Rio Tietê, que ainda fede. No Brasil, são necessários 13 procedimentos burocráticos (assinaturas, formulários, carimbos e afins) para abrir um negócio. Licenças de construção levam, em média, 400 dias para serem emitidas e é preciso esperar mais 58 dias apenas para conseguir eletricidade para acender as luzes.

A FIFA e o COI podem espernear o quanto quiserem. O Brasil não terminará nada até o último minuto e quando finalmente terminar, haverá indícios de derrapagens orçamentais, obras mal-feitas e até alguns acidentes de trabalho. Nem adianta botar de castigo. Quem mandou escolher o Brasil?

 

 

 

 

Fontes:
The New York Times - Brazil is tired of being scolded

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6 Opiniões

  1. Roberto1776 disse:

    Eles foram atrás do Lula; agora aguentem.
    Em quatro anos, São Francisco construiu The Golden Gate Bridge sem tomar um centavo do Governo Americano.
    O Empire State Building foi construído em 18 meses, sem que alguma Dima tivesse que liberar verbas para a obra.
    Há 500 anos Porto Alegre não tem uma ligação ferroviária com o único porto marítimo do RS, e parece que nunca vai ter.
    Só um maluco para querer trazer o Campeonato mundial de futebol para o Brasil. Ralemo-nos, pois.
    A culpa é toda nossa, que não sabemos escolher os nossos governantes.
    Se não tivéssemos tido um Governo Militar que pegava o touro pelos chifres nem energia elétrica teríamos, pois Itaipu jamais teria sido construída.
    A ponte Rio Niterói e o aeroporto de Guarulhos, então, nem se fala. Estaríamos em pleno século 20, mais precisamente em 1963.

  2. Vitafer disse:

    É, quem mandou escolher o Brasil!? Agora aguenta.

  3. André Luiz D. Queiroz disse:

    Para usar mais um jargão político recente, Dilma Rousseff acenava com um “choque de gestão” na esfera pública federal quando de sua primeira eleição. Agora, às vésperas da Copa do Mundo e com os Jogos Olímpicos de 2016 se aproximando, com todas as mazelas nacionais expostas na mídia internacional, estamos tomando um “choque de realidade”, e de alta voltagem!! As previsões do Deputado Romário de que iríamos passar vergonha na Copa estão se concretizando (e não estamos falando do desempenho da seleção de Felipão…)
    Eu realmente espero que a exposição às claras disso tudo seja, ao menos, o início de alguma mudança para melhor nos rumos do país.

  4. olbe disse:

    Ela esta incitando o povo a ficar contra seus convidados. Se o brasil for desclassificado ANTES…D’US nos acuda…daí ninguém segura a revolta e o quebra quebra…Mas se o brasil sair vencedor…a Dilma se reelege…infelizmente…

  5. Marluizo Pires Cruz disse:

    Esse é o jeito do Brasil um país cíclico que de eleição a eleição vem tentando superar os resquícios da colonização usurpadora e doutrinadora que há 514 anos impede a estruturação do país e o desenvolvimento da sociedade brasileira, em relação aos atuais eventos da copa todos os ingressos já foram vendidos e os convidados dirão se valeu a pena, para a FIFA valeu, e aos brasileiros restará à esperança de continuar acreditando nas promessas dos políticos que sempre estão visando seus objetivos de chegarem ao poder nas próximas eleições. Relembre o Poeta que não foi convidado para festa.

  6. LUIZ ANTONIO DE ARAUJO disse:

    A FIFA não escolheu o brasil para sediar a copa. O brasil (leia-se lulamolusco, à época) insistiu usando até campanhas e imagens de pseudo celebridades (ronaldo, paulo coelho, pelé, etc). O brasil teve de sobra, sete anos, diga-se de passagem. Esses detalhes, caro autor da matéria, não podem ser desprezados de forma alguma. (as letras minúsculas usadas aqui para nomes de pessoas e pais foram de proposito mesmo!).

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