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Pesquisa do IBGE

Brasil em ‘marcha lenta’ contra a desigualdade

Com ou sem erros, pesquisa do IBGE é ruim para o governo

Brasil em ‘marcha lenta’ contra a desigualdade
Correção de erro em pesquisa do IBGE demonstra que desigualdade caiu, porém, avança em ritmo lento (Reprodução/Internet)

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. A renda dos 10% mais ricos é 38 vezes maior do que a do décimo mais pobre. A proporção na Polônia, que tem rendimentos semelhantes por pessoa, é apenas oito para um. Para piorar, em 18 de setembro o IBGE divulgou dados de uma pesquisa anual, um mini-censo com 150 mil famílias, mostrando um aumento na desigualdade.

Leia mais: IBGE admite erros em dados divulgados no Pnad

Se esta foi uma notícia desagradável para a presidente Dilma, no dia seguinte, um anúncio do IBGE de que a pesquisa continha “erros gravíssimos” devido ao uso de pesos errados para algumas regiões do Brasil, trouxe algum alívio. A revisão das estatísticas mostra, de fato, que a desigualdade caiu ligeiramente. Outros ajustes, no entanto, não deram motivo a Dilma para festejar.

A renda familiar média ajustada para a inflação aumentou apenas 2,3% entre 2012 e 2013, não 4% como se pensava inicialmente. O analfabetismo caiu de 8,7% para 8,5%, e não 8,3%.

Mesmo quando as revisões não fizeram diferença para os números originais, as estatísticas causaram desconforto no governo. Pela primeira vez desde o início da série, em 2004, a renda dos 10% mais ricos aumentou mais rapidamente do que a do decil inferior, provavelmente porque o salário mínimo, ajustado através de uma fórmula que leva em conta o crescimento médio real do PIB nos dois anos anteriores, subiu pouco, em linha com a economia brasileira. A baixa produção também explica por que o desemprego subiu de 6,1% para 6,5%.

A pesquisa não nega os avanços que o Brasil continua a fazer. A proporção de famílias com acesso à internet subiu para 43%, de 40% um ano antes. O número de pessoas sem saneamento básico caiu de 37% para 36%. Quase todas as crianças com idade entre 6 e 14 estão na escola. No início da semana a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas declarou o Brasil livre da fome pela primeira vez na história. Mas a pesquisa domiciliar sugere que o progresso está desacelerando.

Fontes:
The Economist - Slower going

2 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Ora, são 6,5 por cento de desempregados e 8,3 por cento de analfabetos. Não é difícil entender porque que os 10 por cento mais pobres tem um ganho tão baixo.

  2. Áureo Ramos de Souza disse:

    Falando de Internet se tem muitas pessoas se conectando é porque um tem uma linha e aluga para mais dez. Até TV a cabo está acontecendo isso e vai se acabar com acesso direto aos filmes pela internet

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